Crescer através das cobranças pelo bom senso com atitude e respeito!

"Infelizmente,a administração do Dinamite perdeu a noção da grandeza que ele mesmo pareceu ter devolvido ao clube". (Gilmar Ferreira – Blog Futebol Coisa & tal 09/03/2012)

A afirmação do jornalista esportivo transparece o que pensa boa parte da torcida do Vasco após algumas atitudes tomadas por sua diretoria na figura de seu Presidente nos últimos tempos. Fatos que desagradam aos humildes torcedores que, a seus pares e a ele próprio, depositaram suas confianças no intuito de "oxigenar" o balneário político do clube após décadas de centralização do poder de decisões nas mãos da dupla Calçada e Eurico Miranda. E principalmente, retirar do poder do clube o último nome citado que era alvo de altos índices de rejeição da torcida e da imprensa em geral.

Particularmente, uma preocupação que sempre tive foi que a torcida do Vasco, bem como seus dirigentes e agregados não deixassem se adular e se dessem por satisfeitos pela saída do ex-Presidente, ou ainda deixar-se ludibriar sob discurso de que todos os problemas do Vasco estariam resolvidos quando o mesmo estivesse fora do comando do clube. Confesso-lhes que, de certa forma, sempre fui favorável à transição de ideias, pois acredito que a perpetuação de poder que tende ao infinito carrega junto consigo a estagnação. A renovação de pessoas sempre será salutar à medida que práticas antigas não sejam repetidas ou decisões contrárias ao interesse da maioria dos que, realmente, representem o verdadeiro sentimento de paixão do clube não sejam impostos.

Foi no discurso, principalmente, das fragilidades dos times colocados em campo, da ausência de títulos e de patrocinadores no futebol e das atitudes autoritárias, antidemocráticas e contrárias ao bom senso que Roberto Dinamite e companhia cooptaram a torcida do Vasco e fizeram com que todos acreditassem que, de fato, os tempos seriam outros, bem melhores do que outrora. No entanto, entristece-me, sinceramente e com a propriedade de quem apoiou as mudanças de rumos do clube em junho de 2008, que a evolução do clube tenha sido menos do que o esperado e muito, mas muito menos mesmo do que o prometido. E sinceramente, faço minhas as palavras do mestre Hélio Ricardo Rainho: "será que o preço pelo fim de uma ditadura é uma má democracia?"

A profissionalização do futebol, por exemplo. Entre erros e acertos fez com que todos reconhecessem o valor da contribuição de um grande profissional como Rodrigo Caetano durante três anos ao leme, ao que parece, regrediu para um estágio que, no mínimo, assombra a quem é Vasco. Desde sua saída, nenhum dos profissionais que ocuparam essa cadeira desperta confiança ou, de fato, representa o pensamento de grandeza que tanto se exigiu no passado e, ao que parece, foi relegado nesse momento. Tanto os nomes do ex-cogitado Ocimar Boliceño como os de Daniel Freitas e, agora, o do desconhecido Franck Assunção passam longe do que a torcida deseja de fato para a condução do clube.

Desde já e mesmo sob o reconhecimento de que deve se deixar o profissional mostrar trabalho para depois questionar-se alguma coisa, é extremamente preocupante empregar-se em um cargo de tamanha envergadura alguém que não apresente curriculum vitae para isso ou que já chegue sendo contestado na veracidade de suas declarações pelos clubes que, supostamente, afirma ter trabalhado. É assim em qualquer lugar, em qualquer empresa. Mas no Vasco aparenta ser diferente hoje. Infelizmente.

A questão de se ter dignidade para reconhecer-se a grandeza de um gigante em sua essência passa pelo pensamento de sempre se dar o melhor ao clube, seja em qualquer área ou função. Formar um time de futebol em condições de ganhar títulos e dar-lhe condições para tanto é o básico. Nesse caso, o questionamento de falta de bom senso propagado pela direção que antes fazia oposição pôde ser relembrado. Não estou de forma alguma julgando o profissional Franck Assunção ou disseminando o caos, até porque se ele der certo, estarei o elogiando no futuro. Apenas digo-lhes o que boa parte de todos pensam. No momento, seu perfil apresentado está longe de se enquadrar no que o Vasco é como clube.

Aguardemos, agora, seu trabalho, desejando desde já que todos possamos estar errados quanto ao que se espera a priori desse profissional.

A desvalorização da marca

Assombra a todos que entendem um pouco de marketing a utilização dessa terceira camisa em competições internacionais, no qual seus jogos são exibidos para vários países pelo mundo afora. Isso depois de onze anos afastado da Libertadores, em que de fato nesse período de tempo e com os problemas vivenciados pelo clube, a marca deixou de ser divulgada, e agora, reaparece em seu segundo jogo, de forma distorcida quanto às suas tradições.

É preciso se ter um pouco mais de bom senso. Ainda que já tenha lhes afirmado que, para mim, a camisa não representa o que é Vasco e respeitando sempre a quem pensa o contrário, pior é utilizá-la como forma de difundir uma marca que já estava fora de evidência fazia tempo. Apenas para nossas reflexões: imagine se a Pepsi como empresa, por exemplo, resolvesse devolver ao mercado o refrigerante Seven Up (em sua essência original) na cor amarela ao invés de verde: quem seria capaz de não estranhar?

O Vasco é meu?

Há muito tempo, o plano de sócios implantado vêm recebendo críticas pelos seus erros ou pela falta de transparência nos dados, até mesmo de nós, clientes, para nós mesmos. Reportagem em um jornal de grande circulação abordou, finalmente, esse problema que já é latente no clube faz tempo e que somente os associados e as pessoas que queriam se associar tinham ciência, até então.

A terceirização da prestação de um serviço passa pela competência de como esse processo é gerido. Atribuir toda a culpa na empresa prestadora pode ser fácil. O difícil é se assumir o erro desse processo de gestão e se reconhecer que, de fato, há muito que se melhorar. Uma de minhas sugestões é criar-se uma vice-Presidência de Planejamento Estratégico e Operacional e delegar-se tal cargo à uma pessoa que fosse capaz de elaborar um plano de captação de sócios-torcedores e que pudesse seduzi-los e convencê-los a dar credibilidade ao clube, além de obviamente criar condições favoráveis e alguns tipos de retornos tangíveis e intangíveis para que os mesmos torcedores pudessem, a cada dia mais, se tornarem patrocinadores do Vasco, fazendo com que as receitas crescessem significativamente.

Afinal, um clube como Coritiba, bem organizado e com um plano de sócios bem gerido consegue chegar à marca dos 25 mil sócios adimplentes, por que então o Vasco como detentor, no mínimo, da terceira maior torcida do país não consegue? Recebo mensagens de torcedores do Norte e do Nordeste avisando-me que não conseguem se associar ou sequer comprar um produto da atual fornecedora de material esportivo do clube. Alguma coisa está errada e precisa ser ajustada, sob pena de continuarmos perdendo ótimas oportunidades para se capitalizar o clube conforme sua grandeza condiz.

Questão de boa conduta

Fico assombrado quando leio o noticiário e constato que o Presidente interino do conselho fiscal, Hércules Figueiredo, fora impedido de exercer sua função após, por ordem judicial, ser reconduzido ao cargo de Presidente desse conselho. Sobre isso, vale o questionamento: valeram-se de uma prática antiga e combatida na época em que Roberto e o MUV eram oposição ao grupo do ex-Presidente?

Uma coisa que deve ficar clara: não sou favorável (e já lhes escrevi sobre isso) de novas eleições e nem da suspensão dos mandatos dos eleitos pelo voto direto do associado do Vasco em 02/08/2011 até que se prove que houve, de fato, fraude nas mesmas. Contudo, uma vez reconduzidos ao cargo por ordem de Justiça, que assim se cumpra. Portanto, que se faça valer os direitos outorgados aos eleitos em junho de 2008. Ou então, que se tente cassar a liminar e os eleitos em agosto de 2011 retornem às suas funções, fazendo-se valer o que o eleitorado vascaíno decidiu no voto. O que não pode acontecer e que fere os princípios morais e de direito é que as pessoas que ocupam os seus cargos no momento sejam impedidas de exercê-los, seja por qual motivo for.

Será que o medo da examinação de certos documentos, tais como o novo contrato entre Vasco e Rede Globo, é maior do que o medo de se ferir à transparência prometida pela diretoria no ato de sua posse em julho de 2008? Para a direção atual, seria ótima chance de mostrar à todos que o contrato mantido sob sigilo é realmente tão bom e à altura da grandeza do clube e de sua torcida. Ao invés de ficar se valendo de práticas antigas que todos nós, vascaínos, desejamos que um dia seja de fato expurgadas do clube.

Qual é a verdadeira face?

Ainda deixando-lhes atualizados sobre o que ocorre nos bastidores de São Januário, é de conhecimento de todos que o grupo de oposição liderado pelo ex-Presidente teve um pedido de liminar acatado pela justiça suspendendo os efeitos das eleições realizadas em 02/08/2011, em ação movida por Dr. Itamar Carvalho. Fato esse que gerou todo esse imbróglio conforme eu descrevera acima para que todos pudessem tomar conhecimento, analisar os fatos e tirar suas próprias conclusões.

Ao tomar conhecimento do mérito da ação, empreitada por esse mesmo grupo que se intitula como "verdadeira oposição", analisem bem o que o referido advogado que representa as vontades desse grupo considera como uma das "fraudes" ocorridas durante o transcurso do pleito e que são colocadas claramente em sua petição inicial (trecho retirado da página 3):

"Aquela lide, ainda pendente de julgamento veicula, dentre outros, o pedido de declaração de nulidade da qualidade de associados dos aderentes à campanha "O Vasco é meu"..."

A seguir, observem e leiam o que esses mesmos que pedem a nulidade das eleições alegam como um dos motivos "que comprometem a higidez, a igualdade, a competitividade e a própria legalidade da campanha pré-eleitoral" (página 4):

"A indevida atribuição da condição de sócios a diversos aderentes à campanha de filiação denominada "O Vasco é meu..."

Agora, vejam o que o, até então, presidenciável concorrente por esse mesmo grupo, Dr. Pedro Valente, disse sobre os sócios captados pelo programa de sócios "O Vasco é meu!" em sua entrevista concedida em meio ao processo eleitoral do ano passado (parte 4):

http://www.casaca.com.br/home/2011/07/28/entrevista-de-pedro-valente-na-amovascotv/

"Eu quero que esses sócios votem!" (Dr. Pedro Valente).

Em quem acreditar, portanto? No advogado ou no presidenciável? Debrucem-se sobre a seguinte questão: o que você acharia de uma pessoa ou de um grupo que pensa ser fraude o fato de um grupo de novos associados de boa-fé cooperar por amor ao clube nos últimos três anos e, por esse motivo, ficassem impedidos de votar em uma provável nova eleição? Apenas que se registre, além disso: foi o mesmo grupo que não quis comparecer ao pleito, mesmo que fossem enfrentar para depois cobrar algum direito em juízo. Porém, isso não aconteceu, e agora, um de seus argumentos é que eu, por exemplo, sou "uma fraude". Esse nível de discussão assombra e só atenta contra o crescimento intelectual interno do clube.

Rugby 2016: eu apóio

É muito louvável o esforço que o grupo de trabalho de Marcelo Paiva e André Pedro vem fazendo para que o Rugby em 2016 seja em São Januário e que as obras em seu entorno bem como a remodelação do estádio seja feita! Para quem ainda não tomou ciência direito do que se trata, sugiro consultar http://www.webvasco.com/social/ e deixar seu manifesto de apoio por essa causa.

É bom que se registre que o encontro da última sexta-feira, caso seja bem conduzido por nossa diretoria, pode enfim representar o alavancar de uma pretensão que corre, ainda, sob morosidade e que muitos já até acreditam, por isso, ter "subido no telhado". E que se registre, além disso, a importância para que, de fato, esse projeto finalmente saia do campo da abstração e que comece o quanto antes a ser posto de forma concreta, bem como cobrar do prefeito e do governador do Rio de Janeiro que esse evento esteja, de fato, homologado com sede em São Januário.

Desde já, comprometo-me em ir informando aqui, nesse espaço democrático cedido pelo SuperVasco, sobre o caminhar dessa questão e cobrando da diretoria os esforços necessários para tanto. O Vasco só tem a ganhar com tudo isso e com a divulgação de seu estádio e de sua marca para o mundo.

Libertadores e operadoras de TV

Particularmente, considero uma covardia o que as operadoras detentoras de 84% da parcela consumidora de TV por assinatura no mercado vêm fazendo com seus fieis clientes. Considero a Fox – detentora dos direitos da transmissão da competição mais importante das Américas – com todo o direito de lhes pedir aquilo que considera justo e que seria, tranquilamente, recuperável pelas mesmas, que embora não admitam, recusam-se a disponibilizar por não quererem baixar seus lucros e preferem, com isso, deixar de atender aos anseios de seus assinantes. Trata-se de mais um caso particular em que deixa-se de pensar no outro em favor da propagação de uma política capitalista cada vez mais selvagem.

Aos companheiros leitores que recusam-se à submissão de seus mandos e desmandos, façam como eu e alguns outros: analisem propostas e ponderem. Afinal, a livre concorrência é um dos argumentos que podemos utilizar contra quem não satisfaz seus consumidores em seus desejos.

Quarta é mais uma decisão!

Nas próximas quartas-feiras, enfrentaremos o Libertad em dois confrontos diretos que podem representar a segunda vaga do grupo, considerando que o Nacional do Uruguai tem todas as condições de fazer seis pontos sobre o fraco time do Alianza Lima do Peru.

Algumas coisas precisam ser pontuadas: o momento do Renato Silva, ainda que esteja longe de ser um ótimo zagueiro, é muito melhor do que o de Rodolpho. Portanto, deve ser titular nesse momento. A volta de Allan faz com que, em minha visão, tire a vaga de Fellipe Bastos no meio de campo. E Felipe, pelo que jogou contra o Alianza no segundo tempo e pelo fato de não ter atuado ontem diante do fraco time do Madureira, merece começar esse jogo como titular.

Sobre as declarações de Felipe: a mim me pareceu mais um desabafo por algumas coisas que vêm acontecendo no clube de maneira interna, inclusive pela sua insatisfação com a perda da idolatria absoluta que outrora foi lhe prometida quando retornou ao clube em meados de 2010 e pela vontade de alguns em querer reintegrar Carlos Alberto nesse time. Repito o que já lhes escrevera outrora: acho temeroso que esse jogador seja reintegrado e acho que a aparente falta de comando pode se acentuar em caso do mesmo jogador voltar a criar algum tipo de atrito no elenco, na comissão técnica ou na própria diretoria.

No mais agora, é torcer para que esse episódio fique escondido no passado e que o time em campo arranque, ao menos, quatro pontos nesses dois confrontos, e mais três no confronto contra o mesmo Alianza, em Lima. Chegaríamos ao cômputo de sete pontos em três jogos, dez pontos no total de cinco jogos e, possivelmente, dependendo somente de um empate no último confronto frente ao Nacional, em Montevidéu. Acredito que o caminho deva ser esse.

Suspensão do pedido pela anulação das eleições

A suspensão da liminar que concedia a suspensão provisória dos efeitos das eleições em 02/08/2011 pode ser enxergada como uma forma não desejada por mim de se fazer justiça, principalmente aos associados do programa de sócios "O Vasco é meu" que, assim como eu, são pessoas de boa-fé e em que sua imensa maioria adentraram ao clube em maio de 2009, justamente no período em que o clube vivia seu pior período em sua história, e que mesmo assim e com todos seus problemas, prontificaram-se a colaborar com o clube.

É bom deixar claro que jamais irei corroborar com argumentações que lesem pessoas de caráter indôneo. O clube, de certa forma, paga pela torpeza da atual direção que não fez o recadastramento da forma como muitos - inclusive eu - defenderam em ocasião oportuna. No entanto, utilizar-se da prática suja de colocar a culpa de uma suposta fraude aos associados do programa de sócios como fez um grupo político ex-situação também é lastimável.

A luta por um Vasco passado a limpo em todos seus setores é árdua e passa, também, por expurgar cada vez mais do clube pensamentos mesquinhos dessa natureza, ainda mais partindo de um grupo que não teve a coragem suficiente de testar sua rejeição ou não perante um novo grupo de associados adimplentes que, posso garantir-lhes, trata-se de uma amostragem no quadro social do clube do que pensa o torcedor vascaíno a respeito de pensamentos dessa natureza.

Estou feliz com tudo isso? Não! Pois quem perde (mais uma vez!) acima de tudo é o Vasco, por não saber articular-se, internamente, tendo que recorrer à justiça para que questões dessa natureza sejam apreciadas. Estarei feliz o dia em que TODOS que quiserem almejar algum cargo no clube pensarem exclusivamente no VASCO ACIMA DE TUDO!

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.