Cristiano Mariotti

cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

 



Entregue à própria sorte, Presidente!

 

Roberto Dinamite, Presidente
Crédito da foto: Cristiano

Confesso-lhes que torna-se a cada dia mais complicado escrever sobre nosso amado clube. Pelo menos, nesse ano, mais precisamente de julho para cá. Chegamos ao estágio de que não basta aturar ao nosso arquirrival tricolor atual prestes a conquistar mais um título seja na bola, na sorte ou no “apito amigo”, jogando duas das partidas decisivas em nosso estádio “pelo bem do futebol do Rio de Janeiro” somando seis pontos nelas, e a depreciação de nossa imagem à terceira e, quiçá daqui a um tempo, a quarta força do futebol carioca. Somos obrigados a aturar dentro de nossa própria casa manifestações de jogadorezinhos como Rodolfo e suas declarações, como se fosse um grande favor que ele estivesse prestando vestir nossa camisa, ao passo que nesse caso os papeis estão invertidos e ele, Rodolfo, em qualquer clube sério – inclusive no próprio tricolor que lhe formou – já teria sido demitido por deficiência técnica tendo em vista suas péssimas atuações, principalmente no primeiro trimestre desse ano.

Outros como Alecsandro, por exemplo, reclamando e ironizando a respeito de salários atrasados, como se servisse de desculpa suficiente para que um profissional não cumpra com seu dever. Nesse sentido, sou extremamente contra que um jogador utilize esse tipo de argumento como desculpa para não corresponder às suas funções. Se não está satisfeito, peça para não ir a campo. Pois a partir do momento em que entra DEVE-SE honrar com seus compromissos e se doar ao máximo em busca dos objetivos. Nesse sentido, chamo a atenção para a declaração de Juninho, depois de mais um dos fiascos na última quarta-feira, em que naquele dia perdemos uma decisão direta pelo G4. Esse mesmo G4 exaltado por muitos e que, para mim, só serve como estatística. Devo lhes dizer que é muito melhor disputar ao título, mas se tiver que optar pelo G4 como consolação, bastaria estar nesse grupo uma vez ao longo do campeonato: ao final da trigésima oitava rodada que é o interessante.

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Superação a dez atos finais

 

Juninho e Felipe
Crédito da foto: Cristiano

Na suada vitória que obtivemos nesse último sábado diante do pior time do campeonato, o que pudemos observar mais uma vez foi a dificuldade que o Vasco tem tido para vencer seus jogos, mesmo perante os dois seguidos adversários que enfrentamos e que são as equipes mais fracas desse campeonato, fato esse comprovado pela tabela de classificação e suas ridículas colocações. Na teoria, tanto Atlético-GO como Figueirense estão, ao meu ver, virtualmente rebaixados para a segunda divisão.

Essa dificuldade começa a se explicar na escalação de nosso setor ofensivo. Para um técnico que gosta de dinamizar o ataque dos seus times, é muito pouco contar com laterais como Jonas e Feltri para o apoio, como também torna-se a cada dia mais desesperançoso para todos a volta de Carlos Alberto aos tempos em que, se não era brilhante, ao menos praticava um futebol útil para a equipe. Aliem-se tais fatores às fracas atuações do pseudocorredor Éder Luís com o isolamento de Alecsandro, o artilheiro de um toque só na bola, e seu eventual esforço de tentar fazer aquilo que não sabe fora da área dada a inoperância do conjunto ofensivo de coloca-lo de cara com o gol.

Portanto, o sexteto ofensivo que era para funcionar na prática torna-se incapaz de proporcionar um futebol que dê esperanças, ao menos, para nós vascaínos. Como fator complicador, ainda contamos com uma defesa composta por nosso melhor zagueiro que não está no melhor de sua forma física e técnica, ainda, ao lado de outro que nunca foi um defensor técnico e cujo seu fraco desempenho é agravado pelo longo período de inatividade. Para sorte de ambos, do time e da torcida, possuímos Nílton em grande fase e prestando um ótimo serviço na guarnição desse setor, porém notoriamente, ainda em descompasso de posicionamento com relação ao seu companheiro, Wendel, que alterna entre a proteção e o apoio ao ataque, dando a impressão em certos momentos parecer meio confuso sobre o que irá executar prioritariamente.

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A referência do bem para o Vasco e as preocupações futuras!

Juninho Monumental
Crédito da foto: SuperVasco

“Voltei para jogar bem. Não era simplesmente para acabar minha carreira no Vasco”.

Foi com essa frase que Juninho Pernambucano resumiu em entrevista essa sua última passagem como jogador do Vasco logo após o jogo em que, mais uma vez, ele foi destaque e brilhou na vitória e na quebra de uma incômoda escrita de seis anos sem um triunfo diante do Figueirense, nesse último sábado (a análise completa de Vasco da Gama 3 vs 1 Figueirense encontra-se nesse link: A primeira vez de muitas outras que se espera!). Mais do que somente uma afirmação, serve para muitos como REFLEXÃO para aquilo que o Vasco da Gama precisa como clube, de uma maneira geral. 

Qualquer pessoa que queira assumir alguma coisa em suas vidas, por mais simples que seja, deve fazê-la bem, com esmero e dedicação, respeitando a instituição, a organização ou aquilo a que representa ou queira representar. Respeitando a si mesmo acima de tudo. O mesmo respeito, o mesmo esmero, a mesma abnegação, a mesma conduta profissional e a mesma dedicação que Juninho possui por nosso clube e cujo exemplo deveria se propagar a todos, até mesmo de forma inversa, hierarquicamente de “baixo” para “cima”.

Representar a um clube com a história mais rica do mundo não é pouca coisa. Juninho encanta a todos com seu preparo atlético e com sua vontade infindável de jogar por nosso amado clube. Assim deveria ser com todos: desde o mais humilde jogador a iniciar sua carreira até o Presidente do clube. Pensar exclusivamente NO VASCO antes de qualquer coisa. Ser mais um com o mesmo espírito dos abnegados torcedores, representados por pouco mais de cinco mil pagantes (infelizmente) que estiveram nessa última noite de um sábado, ao frio típico da colina histórica, a dar um pouco de crédito para quem ainda busca em campo resgatar algo que fora perdido fora dele por omissão e ausência de reação da diretoria administrativa do clube.

O correto é que a dignidade não pode faltar e que a luta, pelo mínimo que seja e ainda que seja insuficiente para quem poderia ter muito mais, deve permanecer até o último momento. A virada perante o Figueirense pode não significar muita coisa para quem sonhava com o título. Mas já é um sinal de reação, ao menos em campo, para um time que demonstrava-se sem alma, até o último jogo que fizemos em nosso estádio sob o comando de Cristóvão Borges e que significou, infelizmente, mais um vexame histórico. Página essa virada, naquele momento com vários ciclos já encerrados e, finalmente, evadidos do clube.

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