Cristiano Mariotti

Abnegados pelo Vasco: seremos ou não?

Uma das coisas no qual nós como pessoas muitas vezes criticamos no outro que está ao nosso lado é com relação ao fato de deixar que outro faça àquilo que ele poderia estar fazendo ou, ao menos, se prontificando a ajudar dentro de sua competência pessoal para tanto. 

Quando nos deparamos com situações desafiadoras, é normal do ser humano medir a carga de trabalho que dele será necessário e ponderar se vale a pena tamanho esforço perto do que irá se receber em troca dessa ação. Uma condição estabelecida por nós sobre trabalho e benefícios que obteremos em detrimento dele: se compensa ou não lutar dentro dessas condições.

Muitas vezes nós mesmos cobramos de outra pessoa algo que nós mesmos poderíamos nos prontificar a fazer. Contudo, não o fazemos por causa do retorno não ser considerado satisfatório ou porque queremos colocar em nosso trabalho e tempo toda a culpa e esvaziarmos nossa consciência de possíveis remorsos caso o trabalho feito pela outra pessoa saia errado ou sequer aconteça.

Desprender-se de interesses, de possíveis retornos tangíveis e intangíveis numa relação trabalho x tempo, relegar possíveis vaidades, interesses e tomar para nossa responsabilidade algo que poderia ser feito e que todos sairiam ganhando por conta disso requer crescimento nosso como seres humanos. Requer deixamos de lado intrigas com outras pessoas, seja no passado ou no presente, além de não exigir retorno nem reconhecimento personificado por essa causa no qual se prontifica a lutar e que faz dela seu exercício diário de abnegação e respeito a si mesmo e ao que se dedica.

Da avaliação pessoal

Façamos um exercício, então, para que compreendamos melhor como as coisas funcionam: você seria capaz de dar uma parte de seu tempo de forma não remunerada em troca da dedicação a ser, por exemplo, um dirigente não remunerado de alguma atividade esportiva do Club de Regatas Vasco da Gama? 

Muitos de nós responderemos que é impossível pela vida que temos, pelo nosso lado profissional, nossa família, nossos estudos, por não ser remunerado dentre uma série de outros problemas que podem insurgir e que poderemos colocar na frente do Vasco como instituição. Então, o que esperamos? Que outro faça por nós! Outro que tenha tempo, condição financeira e vida adequada para tanto!

Essa é a realidade: o Vasco é uma instituição sem fins lucrativos e com cargos não remunerados em suas Vice-Presidências. E enquanto for assim, dependerá da doação de quem é competente e que tem vida adequada para administrar ao clube. Nesse contexto, ou se adequa o estatuto ao mundo no qual vivemos ou iremos continuar a depender do esforço de quem queira ser competente e se prontificar a presidirde forma voluntária. 

Ainda assim, abnegação tem dois pontos de vista: material (bens e dinheiro, por exemplo, coisa que nenhum trabalhador pode abrir mão) e não-material (agir proativamente, de forma não-acomodada, com comprometimento e sem querer levar vantagem em tudo ou em cima de alguém etc.). Portanto, mesmo nos serviços remunerados DEVE existir desprendimento de coisas não materiais: de vaidades, de imposições a terceiros em troca de algo, de exigências, de intrigas pessoais, de interesses futuros, de sentimento de posse, DE FAVORES POLÍTICOS por exemplo.

Diminuirei a complexidade, então: você seria capaz de pagar trinta reais por mês de mensalidade de sócio – geral, mesmo tendo a certeza de que o atual plano não é nem de perto aquele que gostaríamos de ter em retorno por parte do clube?

Mas como assim retorno?! Pois é! É o que muitos de nós, torcedores, exigimos para querer nos associar ao Vasco: RETORNO. Seja pelo direito ao pagamento de meia – entrada em dias de jogos, seja pelo direito a comprar produtos com descontos, seja por ter direito a viajar com descontos com o time para alguns lugares do Brasil, seja por qual motivo for, o que logo perguntamos é: “o que ganharemos com isso?”

E se perguntássemos a quem deseja ser conselheiro, um dia, do Vasco ou a quem é conselheiro a quem faz parte da diretoria no presente ou a quem deseja fazer parte da mesma no futuro: você seria capaz de abrir mão do seu direito a ingresso e estacionamento gratuito, por exemplo, em troca de ajudar a um clube já tão endividado como o Vasco com um pouco do que ganhas? Será que a resposta da maioria seria sim?

Da constatação

O Vasco, por incrível o quanto pareça, é uma instituição CARENTE não somente de dinheiro, ultimamente. Mas justamente dessas duas coisas no qual comecei a falar no início: ABNEGAÇÃO e TRABALHO intimamente relacionados entre si.

E tais problemas NÃO SÃO EXCLUSIVOS somente de quem comanda o clube nesse momento, e sim, do Vasco como um TODO e vem de MUITO TEMPO.Há de se ter desapego por cargos, por reconhecimento, por vaidades, por vantagens que possam ser tiradas no presente ou no futuro em função de se exercer tal função ou de se ter tal condição no Vasco, ou ainda, de ser reconhecido e personificado como importante ou influente dentro do clube. Há quem saiba colocar sua dose de sacrifício em pró do clube sem essas exigências todas ou parte delas. Nesse sentido, algumas pessoas que são desprendidas podem estar no comando. Outras não.

Por outro lado, pode haver pessoas que não saibam conviver com doação sem retorno, mesmo sendo bem resolvidas e sabendo que trata-se de um clube de futebol em que, tal como manda o estatuto e já escrevera, os cargos políticos não são remunerados (as pessoas só ajudam porque amam ao clube e gostam de contribuir). E por isso, preferem se manter afastadas. Mas há quem possa aceitar, assim mesmo, o cargo e não conseguir tomar para si o trabalho que lhe seria confiado, mas ainda assim usufrui de alguns benefícios que lhe são concedidos, como cortesias em ingressos, por exemplo.

Do papel da torcida e do futuro sócio do clube

Além de já pagarem seus ingressos, enfrentarem situações adversas, más condições oferecidas pela praça de desporto e pelo seu entorno, violência entre outras tantas coisas chatas, muitos torcedores já se mostraram altruístas a ponto de querer cooperar, de forma a arrecadar um tanto de dinheiro de cada um para lançar mão de uma campanha tendo em vista pagar as dívidas do clube. 

Ainda que houvesse mesmo, quantos não iriam contribuir por conta da falta de credibilidade com dirigentes em seus julgamentos particulares? Mas o que importa quando está se abnegando de algo não é ter sua consciência tranquila de que sua parte foi cumprida e que ao outro deseja – se que ele assim faça e cumpra tal como você? E mesmo assim, não haveria contribuição?

O grande “gargalo” dessa questão é o quanto somos em número, de fato, as pessoas que podem e que querem contribuir com o “algo a mais” em respeito àabnegação e trabalho pelo clube. Pois dessa forma, teríamos ainda mais o direito de cobrar de quem está no comando por esse “algo a mais” dado e exigido por nós a quem responde pela instituição hoje.

E de que forma poderíamos a começar esse nosso exercício? 

Dentro de nossos limites financeiros, obviamente, consumindo os produtos da marca Vasco (muitos já fazem); assinando o PPV e obrigando a TV a registrar que foi um torcedor do Vasco que aderiu ao pacote, pois isso infelizmente agora, influencia na partilha dessas mesmas cotas para os clubes (muitos não fazem por desconhecimento dessa informação); indo aos jogos sempre que puder (já fora comentado) e, acima de tudo e ainda que com todos os problemas, sendo SÓCIO do clube, INCONDICIONALMENTE, para começo de conversa. 

Consequentemente, teríamos ainda mais direito a cobrar, também, através do VOTO de quem comanda não somente pela questão do desprendimento pelo clube, e sim, por melhorias constantes e pelo respeito à nossa história de lutas, desafios e de resistência aos anti-Vasco.

Vale a pena essa causa? Qual é o Vasco futuro que queremos para nós?

O papel da diretoria

Por outro lado, vale a diretoria se mobilizar para que, de fato, aconteçam as coisas ao longo do tempo. A abnegação de muitos de nós, torcedores, também não deve servir como argumento para não melhorar esse plano de sócios que é constantemente alvo de nossas críticas, por exemplo.

Alternativas que poderiam ajudar ao torcedor a se motivar para contribuir com o clube seriam criando camisas populares mais baratas e outros tipos de materiais do clube a preços mais acessíveis para a realidade do consumidor brasileiro; e obrigando a atual fornecedora de material esportivo a levar seus produtos fabricados da marca Vasco às outras regiões, principalmente Norte e Nordeste onde concentra-se a maior parte da torcida vascaína, por exemplo.

Exemplo de abnegação e trabalho

Nesse atual contexto, gostaria de dar os parabéns publicamente aos integrantes do Conselho Fiscal atual presidido por Hélio Donin, pelo exemplo de abnegação e trabalho árduo que vêm desenvolvendo! Ao contrário de um triste passado nosso em que houve até quem dissesse que “reprovaria tudo mesmo que estivesse tudo correto”, o atual CF trabalha intensamente, analisa todos os contratos de forma técnica e sem proveito político, até então! Tal como os companheiros João Marcos e Roberto Socorro comentaram, fica-se muitas vezes até tarde da noite analisando-se documentos, de forma que esse trabalho não é visto pela mídia nem pela torcida, porém é de suma importância para todos! Quebra-se, com isso, um paradigma de que o CF só trabalhava em épocas de aprovação de contas, uma vez por ano. Sinal de que ainda temos salvação em nosso clube, e tendo o atual trabalho desenvolvido por eles como exemplo a ser seguido.

Austeridade e Parcialidade

O caso que envolve o rompimento de Ronaldinho Gaúcho com o arquirrival merece de nossa parte uma análise no que tange a mais um exemplo claro de diferença de tratamento e postura de blindagem por parte da mídia entre os dois mais populares clubes do Rio de Janeiro.

A matéria reproduzida na Internet cuja fonte de informação éhttp://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2012/06/causos-de-r10-deboche-ameaca-e-gorjeta-garcom-por-cerveja-no-hotel.html denuncia as práticas torpes desse ex-jogador ainda em atividade e, ao mesmo tempo, depõe contra a própria credibilidade da instituição e da mídia esportiva carioca de uma forma geral.

Segundo um dos trechos da reportagem, por exemplo, Ronaldinho (amigo do goleiro reserva Paulo Víctor) gritava a plenos pulmões para os companheiros “Pode chutar que a bola entra ou ele espalma para frente”, durante os treinamentos e direcionado ao seu desafeto pessoal, o goleiro titular Felipe, em tom de deboche e com vários repórteres de diversas emissoras de rádio e TV gravando, filmando e se calando, tal quais os interesses de quem lhes comanda.

Agora, os mesmos vêm a falar sobre ética e comprometimento desse rapaz se nem eles mesmos possuem conosco, torcedores e simpatizantes de futebol no geral. Prova disso é que se calaram durante esse mais de um ano em que tal “atleta” ignorava o lado profissional em detrimento de sua autossuficiência e desdém constantes às regras de boa conduta pessoal, acima de tudo, que deveriam ser seguidas por quem era um “apadrinhado” e “queridinho” da mídia. E que, assim como seu outro “queridinho” (Flamengo), deveriam fazer um “ca$amento perfeito”, em que TODOS ganhariam muito, em troca do silêncio, da ética e comprometimento jornalístico que foram relegados em segundo plano durante todo esse tempo.

Agora que o “ca$amento” acabou, vêm as mazelas à tona, como forma de “crucificar” a um “ídolo” imposto pela própria mídia esportiva e de proteger a instituição que detêm o domínio natural de uma vergonha histórica. Pois uma coisa que precisa ficar bem clara nesse imbróglio todo é que Ronaldinho se aproveitou de um mínimo descuido administrativo do Flamengo para dar-lhe um belo “cartão vermelho” em TODOS: na instituição, na torcida e na imprensa cooptada que criou, outrora, a própria “cobra para lhes picar”, nesse momento, e mostrando-lhes que não estava “nem aí” para todo o projeto, dinheiro, publicidade enfim, tudo o que foi empregado em sua breve passagem pelo clube da Gávea, Ronaldinho renunciou a tudo em troca de seus prazeres pessoais. Humilhação total, talvez uma das maiores que um clube e seus cooptados já receberam.

Em contrapartida, partindo de São Januário tudo o que há de errado, PRINCIPALMENTE, chega logo ao consentimento do público em geral. Ao contrário da Gávea, lá a mídia faz seu papel muito bem feito. Não deixa passar nada, muito mais pela parte ruim (maximizada) do que boa (minimizada). Até mesmo os atrasos constantes de salários são repercutidos, e ainda que seja MUITO errado qualquer patrão dever a seus funcionários, é a REALIDADE de qualquer clube brasileiro e, com certeza, a repercussão não é a mesma em outras instituições, ESPECIALMENTE no arquirrival.

O papel do repórter e a polêmica dos salários atrasados

Falando nisso, todos nós já sabemos sobre a política de potencialização dos problemas do Vasco que a mídia carioca impõe ao clube. Está mais do que provado que não é uma ação orquestrada e exclusiva ao ex-Presidente, e sim, uma atuação de modo a nos colocarmos sempre em um patamar mais inferior do que outros clubes, principalmente do arquirrival.

O papel do repórter deveria ser PARA TODOS perguntar, investigar, tornar a público as questões. No caso do Vasco, TUDO o que não presta vaza com extrema facilidade, é repercutido à exaustão, muito mais do que as coisas boas quando acontecem. Por esses motivos, é que o Vasco teria que ser mais organizado, com mais comando em seu futebol e de forma a impedir esse tipo de ação de certos repórteres que ficam a toda hora perguntando a respeito do mesmo assunto e a diferentes jogadores do grupo. 

Contudo, tal voz ativa não significa de forma alguma a “imposição da mordaça”, o que seria um retrocesso gigantesco em nossa história. Seria, sim, o repasse dessas questões a quem de direito pudesse ser o responsável a respondê-las, numa relação de confiança e respeito a um líder reconhecido pelo seu trabalho, pelo seu caráter e pela sua atuação no enfrentamento dos problemas. Refiro-me, em especial, ao trabalho que (principalmente) Rodrigo Caetano desempenhava,que tinha o respaldo de todos da diretoria e que, conforme em outros textos já dissera, não foi substituído à altura, até então.

Daí vem notícias em tons aterrorizantes veiculadas de que o Vasco, por esses motivos, pode perder vários jogadores e sofrer um desmanche em seu elenco. Uma covardia tremenda para uma torcida já muito sofrida por tudo durante muitos anos e que, agora que vê um time que ao menos demonstra alma em campo, tem-se o medo de perde-lo. E como se fosse o Vasco o único clube com esse temor, haja vista que TODOS possuem suas dificuldades, excetuando-se talvez o Corínthians por razões já explicadas por mim em textos anteriores.

Fica mais um alerta para todos nós sobre a necessidade de fortalecimento cada vez maior do Vasco em si. E da necessidade de ajudarmos ao Vasco da forma como pudermos, para que possamos exigir mais de nossos diretores com relação ao resguardo da instituição e da blindagem de certos problemas que só dizem respeito ao próprio Vasco, e não aos “disseminadores do caos”, conforme muitos se mostram nesses momentos.



Estranho...

No amistoso entre EUA vs Brasil, uma faixa de uma torcida organizada do Vasco ficou exposta à direita da transmissão pela TV durante todo o primeiro tempo, e nas poucas vezes em que os Estados Unidos atacavam para aquele lado do campo, via-se claramente a mesma perto da marca de escanteio.


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Ainda no final do primeiro tempo e, obviamente, com a inversão do posicionamento dos times e o ataque do Brasil para aquele lado no segundo tempo, para quem não percebeu a faixa foi retirada, justamente quando o Brasil atacava para aquele lado do campo.

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Na mesma hora, comentava no programa esportivo da Rádio Mitos da Colina e atentei-me para esse detalhe, comentando o mesmo pela rádio e surpreendendo a todos pela constatação. Meu companheiro, Thiago Alves, então nos disse que procurou averiguar com um de seus amigos e que lhe disse que foi uma ordem dada para que todas as faixas de torcidas fossem retiradas, por conta da publicidade. No entanto, a faixa de uma facção da torcida coirmã do Palmeiras continuou estendida do lado em que os Estados Unidos atacavam, sem restrições.

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Confesso-lhes que ainda estou curioso e aguardando dois esclarecimentos que infelizmente não serão dados pela emissora de TV parceira da CBF e dessa seleção outrora do povo:

1 – Se era para retirar TODAS, por que a faixa da torcida do Palmeiras permaneceu estendida?
2 – Será que a atitude seria a mesma se fosse, ao invés da torcida do Vasco, a do Flamengo ou a do Corínthians a faixa exposta?

Gostaria de saber, desde já, a opinião de vocês! Com a palavra, o estimado leitor...

Esclarecimento

Em minha última coluna, em nenhum momento eu lhes escrevera de que não sou favorável ao aproveitamento dos jogadores de base para a equipe profissional. Muito pelo contrário: é o que mais defendo e que estaria sendo incoerente e contra as raízes do clube se fosse contra. Sou amplamente a favor, inclusive defendo o aproveitamento imediato do jovem Luan Garcia, zagueiro campeão pela seleção brasileira sub-20 e que pode vir a ser, depois de MUITO tempo, um craque na zaga revelado pelo Vasco.

No entanto, apenas lhes contei que pelo trabalho (?!) de transição que vem sendo feito entre base e profissional, eu não vislumbrava a possibilidade de se subir ninguém nesse momento. É só revisar o que fora escrito por mim para constatar minha devida lamentação pelo presente, nesse sentido, que nós vivemos.

“Toque final”

Alheios às “disseminações do medo, do horror e do caos”, lembro-lhes de, na quarta-feira contra o Timbu do Recife, teremos mais uma decisão de campeonato! Vencer será fundamental e nenhum outro resultado será aceitável! São Januário precisa de nós, tal como o clube e o time, principalmente nesses momentos difíceis! CONTRA TUDO E CONTRA TODOS, arrancando RUMO AO PENTA que nos foi subtraído nos bastidores no ano passado!

Com um grande reforço para nós: Kim poderá fazer sua estreia...no Náutico!

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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