Cristiano Mariotti

A base do caminho para o sucesso!

Há tempos que são de conhecimentos de todos os problemas no tocante ao tratamento das divisões de base do futebol. Para um clube hoje como o Vasco da Gama que, declaradamente, só se propõe a imputar seus esforços na captação de receitas para seu futebol – reconhecidamente como “trem-pagador” do clube, torna-se inadmissível não haver o devido tratamento adequado a um setor que, outrora, já fora reconhecido por muitos como o clube que melhor tratava seus jovens aqui no Brasil.

Sabe-se que todo trabalho tem um tempo estimado, mas é evidente que melhorias devem ser feitas ao longo desse tempo. Hoje, inegavelmente, o Vasco não serve como referência para nenhum pai de atleta ou empresário que deseja ver seu filho ou pupilo praticando o esporte em um clube de futebol e se profissionalizando no futuro. Como dissera há bem pouco tempo atrás em um texto exclusivo aqui mesmo no SuperVasco e em outro exlusivo para o SempreVasco e a Cruzada Vascaína , é necessário que se continuem os questionamentos a respeito do que o Vasco pretende para a formação de novos talentos em um futuro bem próximo. Pois é dali das divisões de base que poderá sair, daqui a algum tempo, uma das principais soluções para sua saúde financeira combalida.

Entre as notícias de que estamos bem próximos do fechamento da construção de um centro de treinamentos para os profissionais de futebol em Vargem Grande, e até que sejam concluídas as obras, ficaremos com o mesmo departamento descentralizado treinando nas dependências que poderão ser arrendadas do Centro de Futebol Zico, no Recreio dos Bandeirantes, o principal questionamento volta a ser o que será da estrutura física das categorias de base: onde será seu porto seguro, no futuro? Itaguaí deverá ser, realmente, comprado caso o CT de Maricá não venha, e até acredito que, entre as duas opções, o caminho deva ser esse, frente às obras de melhorias que o Vasco já fez.

Mas não é somente a estrutura física para “celeiro” de novos craques que deve ser planejado: a política de gestão dessas divisões de base deve mudar e, considero inclusive, como a principal meta que a diretoria deveria já ter cumprido faz tempo.

PROFISSIONALIZAR TUDO para sobreviver

Sou inteiramente a favor de que um PROFISSIONAL executivo de futebol que pudesse ter a AUTONOMIA necessária para que movimentasse esse setor e promovesse as mudanças que fossem necessárias, sem política e tratando questões de contratos de atletas com empresários e representantes que tenham mais compromisso com o clube a longo prazo, e não somente para fazer do clube apenas uma “porta aberta” ou “barriga de aluguel” para negócios mais lucrativos no futuro.

Esse diretor-executivo de futebol teria que cumprir objetivos gerais e específicos traçados pela diretoria, que lhe garantiria verba suficiente para condução do projeto e um prazo estipulado para retorno dos resultados. Caberia, então, a ele contratar um coordenador técnico, assim como o diretor-executivo, de competência reconhecida e conhecimento suficiente para implantar o mesmo método de trabalho em TODAS as categorias amadoras. Que tivesse boa observação para selecionar jogadores a serem promovidos e conhecimento técnico suficiente para questionar o trabalho de seus treinadores, fisiologistas, preparadores físicos e outros subalternos a ele.

Tal coordenador técnico seria cobrado pelo diretor-executivo pelo cumprimento de suas tarefas delegadas ao longo de seu trabalho, de forma constante e ininterrupta, submetendo TODOS seus subalternos a reavaliações e intervindo sempre que necessário fosse.

Solução emergencial

Nesse momento, os esforços que, com certeza, necessitam de maior urgência é o de dar a preparação necessária aos atletas com mais qualidade cuja idade já esteja atingindo aos vinte anos, e por consequência, deverão passar aos profissionais já preparados para, aos poucos, irem conquistando seus espaços no plantel.

Renato Augusto, por exemplo: um jovem volante que já foi emprestado, entrou algumas vezes na equipe principal (e não comprometeu), está no ostracismo e que, com certeza mesmo com seu valor técnico, não foi preparado nesse momento para que pudesse tentar substituir nenhum dos dois que se foram. Outros jovens valores que eu defendo como Jhon Cley, Marlone, Luciano, Morano, Luan Garcia, Dieyson e Yago, por exemplo, poderiam aparecer eventualmente no banco de reservas da equipe profissional, para que a torcida já pudesse ir lhes conhecendo e para que os mesmos pudessem já sentir o clima do que é jogar dentre os profissionais do Vasco da Gama.

É inadmissível que o Vasco cumpra no futebol profissional com sua agenda de vendas de jogadores para fazer movimentar o caixa do clube e honrar com os compromissos, mas que nesse momento NÃO HAJA um jogador preparado advindo da base que possa entrar para suprir essas faltas de Rômulo e Allan, por exemplo, obrigando ao clube a ir ao mercado da bola buscar seus substitutos, possivelmente a valores majorados com relação à “colheita” que poderia ser feita com o que de melhor tivesse nos júniores.

Integração entre profissionais e base

E é nesse sentido que lhes digo que, a meu juízo, a responsabilidade é coletiva: não é somente o executivo da base que deve “empurrar” seus atletas, aos poucos, para se ambientar aos profissionais: os profissionais da categoria principal devem (ou deveriam) estar em constante interação de conhecimentos e de ideais com quem comanda a base para ir solicitando alguns nomes aos poucos e, mais ainda, ir estreitando os laços entre ambas as categorias, para que houvesse um trabalho mais inteiro e não o hiato em que constatamos que, ao que parece, existe nesse momento.

Há quanto tempo, por exemplo, os profissionais do Vasco NÃO REALIZAVAM (HOJE DE MANHÃ, foi feito) um coletivo com a equipe de júniores? Há quanto tempo não se vê nossos treinadores de profissionais e júniores conversando publicamente entre si, trocando informações sobre os atletas? Por que, ao invés, da filosofia de se pensar em dois CTs futuros a longa distância um do outro, não se pensar em um somente em que haja a aproximação necessária dessas categorias, bem como um homem-forte (VP) que SEJA VASCO e que fiscalize o trabalho dos executivos de futebol profissional e da base, aproximando assim os interesses dos executivos aos do clube?

Entrevista com Humberto Rocha

Foi motivado a tentar esclarecer aos estimados leitores que me acompanham que entrei em contato e consegui uma entrevista exclusiva ao nosso portal no sentido de fazer algumas dessas questões ao diretor de futebol das categorias de base, Humberto Rocha, cuja matéria foi publicada na última quinta-feira. Com certeza, há conclusões que eu consigo tirar e que não precisou dele me responder formalmente, pois ficaram nas entrelinhas:

1º - É um erro do vascaíno atribuir-lhe toda a culpa pela atual situação difícil no qual a base está vivenciando. Humberto Rocha mostra-se com ótima qualificação para tanto, mas algumas coisas dependem de AUTONOMIA, coisa que a meu juízo está longe de ser delegada a ele. As responsabilidades, portanto, devem ser divididas em igualdade para todos: desde o Presidente até ele mesmo, Humberto Rocha, e os agregados a esse setor. Algumas, inclusive, devem ser delegadas ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE ao Presidente, por ainda insistir com algumas coisas que não estão dando certo;

2º - Há coisas que demandam DINHEIRO e BOA VONTADE de TODOS para investimento. Nesse sentido e a tirar pelos últimos três anos, percebe-se que o Vasco prefere ir ao mercado da bola, pois considera muito menos oneroso nesse momento apostar em atletas (muitos deles desconhecidos) advindos de outros clubes para compor a equipe profissional em detrimento de investir na revelação de novos talentos na base com tal finalidade a longo prazo. Haja vista o número de apostas que foram trazidas, por exemplo, de nosso ex-diretor executivo de futebol, em que a grande maioria não vingou. Nesse sentido, fico ao lado da filosofia de se contratar jogadores diferenciados para resolver as obrigatoriedades com o time, e usar as apostas caseiras – “pratas da casa” – para compor e crescerem junto aos mais experientes, obviamente, com mais responsabilidade sob seus ombros do que os mais jovens;

3º - Não houve, de fato ao meu ver, um trabalho de evolução no que era feito por José Mourão e outros ex-diretores do CIFAT até meados de 2008, como Maurício Correa, Ronan e Leonardo Gonçalves, hoje Presidente do grupo Cruzada Vascaína. Houve, sim, um recomeço do zero, com mentalidade e pessoas novas, o que não quer dizer melhores. Muito pelo contrário: com as mesmas condições que os atuais gestores da base encontraram há quatro anos atrás, os ex-diretores conseguiram ainda revelar alguns nomes, que vieram a arrecadar dinheiro para o clube em suas vendas já na atual gestão do clube: Alan Kardec, Alex Teixeira, Guilherme, Phillipe Coutinho e Souza, por exemplo. E de 2009 para cá, qual jogador REALMENTE formado que o Vasco revelou e que conseguiu arrecadar por sua venda ou que integram a equipe titular da categoria profissional?

É bom esclarecer que Rômulo e Allan já chegaram com sua formação encaminhada ao clube. Estamos, com isso, à espera de que, conforme dissera nosso diretor Humberto Rocha, dentro de muito em breve o Vasco possa ter, realmente, esses nomes na equipe profissional e de forma a, depois de terem seus bons serviços prestados em favor do clube, serem bem negociados, tal como outras equipes fizeram. Não é por acaso que hoje nós temos, só no nosso elenco principal, Rodolpho, Carlos Alberto e Diego Souza revelados por um rival do mesmo estado.

Projeto Vasco – Qatar

Que se registre, por questão de justiça, que tal projeto em pró do Vasco que poderia viabilizar a captação de recursos em patrocínio de uma empresa daquele país bem como a construção de um Centro de Treinamentos para as divisões de base advindos desses recursos captados foi elaborado pelo grupo político Cruzada Vascaína, protocolado e apresentado à secretaria do clube, e apresentado ao nosso VP de Marketing Eduardo Machado.

Vaidades postas de lado, caso esse projeto vá adiante, será uma ótima chance também do clube mostrar que as guerrilhas políticas podem ser relegadas quando o que está em jogo, com certeza, é a perspectiva de um novo horizonte a ser aberto para o clube e a chance de internacionalização de sua marca nessa região do continente asiático, no qual o Vasco já é conhecido por já ter em seu elenco profissional jogadores ídolos e veteranos com ótimos serviços prestados em seus clubes: Felipe e Juninho; além de Carlos Tenório, também conhecido pelos árabes.

O caso Rômulo

De fato, fazia tempo que o Vasco não vendia tão bem assim um jogador titular de seu plantel principal, principalmente tratando-se de um volante. E de fato, não havia como recusar uma oferta como essa. Deixar para vendê-lo ao final do ano, além de os clubes europeus já estarem com praticamente todas suas vagas em seus times fechadas, seria apostar demais em um volante muito valoroso, mas que não chega a ser um supercraque. Pelo contrário, muito longe disso.

O que deve-se cobrar, agora, é o que o Vasco irá fazer com esse dinheiro: investir nas melhorias da base? Contratar outros jogadores? Saldar contas e compromissos em atraso ou alguns credores do clube? Usar, unicamente, para manter alguns jogadores que constituem seu time principal, como é o caso de Fágner, Dedé, e Diego Souza, que ainda podem deixar o clube caso apareçam propostas concretas e nos mesmos parâmetros de irrecusáveis tal como foi o caso de Rômulo?

Enquanto essas perguntas ficam no ar para serem respondidas ao longo do tempo conforme as ações da diretoria, essa com certeza poderia, de fato, exercer sua transparência e esclarecer a matéria publicada pela Revista Placar e reproduzida pelo SuperVasco, em 17-12-2011, em que dá conta que o Vasco teria direito a 75% dos direitos econômicos sobre Rômulo, e não os 50% anunciados, agora, pela mídia esportiva. Seriam, com isso, mais 2 milhões de euros que, se a reportagem da época estiver correta, deveriam entrar nos cofres do clube. Erro da Revista ou essa percentagem de 25% de diferença fora negociada com alguém em dinheiro ou em troca de dívidas do clube ao longo do tempo?



Sem expressão, só aceitamos...

Na semana passada, eu publiquei a respeito de um relatório da Pluri Consultoria em que, segundo uma pesquisa, apontava o Vasco no QUARTO grupo de torcidas, ao lado de equipes provincianas tais como Grêmio, Internacional e Cruzeiro.

Nosso companheiro de WebVasco, em sua brilhante coluna no WebVasco, ao que parece se propôs a repercutir o assunto junto comigo, cujo link de seu texto é http://www.webvasco.com/social/leia-no-webvasco/colunas/marcelo-paiva/239-censo-das-torcidas-e-do-futebol-brasileiro-ja.html  e que alerta para a necessidade de haver uma reação para que a verdade possa ser comprovada, seja para confirmar ou para desmentir tal relatório.

Enquanto isso, esses resultados vão sendo aceitos cada vez mais como se fosse a pura realidade sem que o Vasco tenha uma voz firme e dados concisos para contestá-los. A reportagem publicada no Globoesporte.com e cuja manchete encontra-se postada abaixo comprova nossa falta de representatividade latente, mais uma vez.



Marketing & Poder

Enquanto estamos na torcida ferrenha para que nosso VP de Marketing recém assumido e que já deu provas, em pouco tempo, de que pode ser o homem-forte a erguer esse departamento tão defasado em nosso clube há, pelo menos, vinte anos (coisa essa que eu não me canso de repetir), nossos rivais que estão muito próximos de perderem a “virgindade” das Américas colhem os frutos de um planejamento sério e um trabalho de revigoração do nome de seu clube feitos desde sua fatídica queda à série B, em 2007.

Compartilho, portanto, com todos a reportagem abaixo, que pode ser encarada como uma referência para que, um dia, tenhamos um nome mais forte em capitalização de recursos do que atualmente, sabendo mais uma vez que foi uma conjuntura de fatores que os elevaram às condições de “colherem esses frutos” plantados há, pelo menos, quatro anos e meio.




Futebol, seriedade e trabalho

Os dois tópicos abordados outrora norteiam-nos à constatação de que o futebol não vive mais de “falácias”. Ainda que continue MUITO a questionar esses números, não adianta mais dizermos que somos em quantidade x milhões de torcedores, bem como não adianta dizer que nossa camisa vale x milhões de reais.

Primeiro, temos que obter dados mais concisos através de apurações em pesquisas mais abrangentes, e não somente aos métodos de amostragem que podem se mostrar tendenciosos se forem mal executados. Deve-se questionar, a meu ver, e não deveria se aceitar a partilha de cotas de TV através dessas amostragens enquanto números oriundos de critérios mais transparentes não fossem gerados.

Uma vez em posse de tais números, tem que se monitorar a percentagem de arrecadação da torcida do Vasco no consumo de sua própria marca em território nacional, para valorizar seus patrocínios. Nesse sentido, o departamento de marketing profissionalizado deve trabalhar, inclusive, para aprimorar o programa de sócio-torcedor, apontado como lesivo hoje pelo ótimo trabalho desenvolvido pelo atual Conselho Fiscal presidido por Hélio Donin e tendo profissionais competentes como João Marcos Amorim e Roberto Socorro como integrantes também.

Para tanto, tem que haver a profissionalização em um setor de departamento de planejamento estratégico e operacional que poderia ser criado para trabalhar em conjunto com o departamento de marketing para o acompanhamento desses números de consumidores e para estimativa do retorno em dinheiro para se ter argumentos suficientes e mais concisos de quanto vale, por exemplo, o espaço master de uma camisa de um clube.

E a meu ver, não há outro caminbo diferente a se seguir na atualidade. De uns tempos para cá, as grandes empresas que investem ficaram mais exigentes: querem saber o número de consumidores daquela marca, como a marca é divulgada, qual é a imagem do clube perante seu mercado consumidor dentre outros fatores que justificam o porque de Corínthians, Flamengo e São Paulo, por exemplo, estarem a tanto tempo sem patrocínio principal. Um caminho sem volta, mas positivo, pois obriga ao clube a se organizar e cobrar responsabilidade de seus gestores, ao contrário do que ocorrera outrora, inclusive no próprio Vasco infelizmente.

Vasco da Gama 3 vs 2 Ponte Preta


Vencemos, mas não convencemos! Os comentários na íntegra sobre o jogo pode ser visualizado em minha coluna postada em www.radiomitosdacolina.com.br/colunas . Apenas um breve resumo: nosso setor defensivo está totalmente desorganizado sem Rômulo e com Dedé ainda fora de sua melhor forma física e técnica; Carlos Alberto, ao contrário do que defenderam alguns, prende muito a bola e levou as jogadas para trás, portanto, não correspondeu ao que se esperava dele; Éder Luís faz tempo que esqueceu o que é jogar um futebol, ao menos, aceitável; e a reserva de Diego Souza lhe fez muito bem, haja vista seu futebol de alto nível apresentado quando entrou no transcorrer do segundo tempo. Se fosse assim na maioria dos jogos, a mesma torcida que lhe critica, merecidamente quando nada joga, estaria muito mais temerosa do que se encontra agora por notícias dando conta de sua possível saída.

Acompanhem-me, também, pelo www.mitosdacolina.com.br/colunas e www.webvasco.com às segundas-feiras, e pelo www.semprevasco.com às quintas-feiras!

Cristiano Mariotti
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