Cristiano Mariotti

A tal da responsabilidade de quem nos representa...

A oportunidade gera responsabilidade e requer maturidade

Perguntado na última quarta-feira pelo repórter da Rádio Globo sobre o caso Diego Souza, o Presidente Roberto Dinamite respondeu a sua pergunta com uma sensação de irritabilidade, notada por todos e tal como o mesmo repórter junto ao outro debatedor esportivo da mesma rádio comentaram depois, como se o Presidente estivesse prestando um grande “favor” à torcida ao nos esclarecer se nosso camisa dez prosseguiria ou não na Colina para o restante do campeonato.

A mesma sensação de irritabilidade já havia sido notado em entrevista coletiva, em que o atleta Eduardo Costa comparou, de forma arrogante, seu currículo veterano ao do novato (e mais talentoso) Rômulo, transferido do clube faz pouco tempo. Mais logo, um dia após esses fatos, veio a entrevista em que Alecsandro disse que o Vasco não precisava de atacantes e que o “pessoal da imprensa já estaria desde o começo do ano querendo contratar um atacante para o Vasco, sem necessidade” segundo o atleta, quando na verdade o próprio diretor-executivo de futebol declarou, também em entrevista, que o Vasco busca mais um atacante, sim, para composição de elenco.

Ao meio desse “bombardeio” verbal de perguntas pontuais, respostas “atravessadas” e contraditória, o que deixa claro no ar para a torcida do Vasco é a necessidade em se agir com maturidade em face a responsabilidade que se aumentou de um ano para cá. Saber conviver com a crítica é requisito fundamental, seja para quem quer comandar ao clube gigante e centenário como é o Vasco, ou seja para quem quer fazer parte desse grupo.

Isto posto, a torcida do Vasco é exigente, e NINGUÉM vai mais de forma alguma aceitar a submissão do presente a um passado sombrio, de caos e de trevas, tais como outrora tivéramos durante quase uma década, como forma de fazer-nos crer que, por essa razão, o “presente vascaíno é ótimo” e que “tudo o que vier será bom”, sem margens a questionamentos ou desacatos a quem “ousar” a tanto. Isso eu lhes escrevo antes que ocorra e que da parte de alguém haja alguma justificativa que remeta a atualidade comparando-a com algo de muito ruim, não servindo como parâmetro de crescimento para a instituição.

O crescimento contínuo esperado


O que a torcida do Vasco deseja é o progresso constante e não a estagnação ou o retrocesso. Do contrário, a mesma diretoria que elegeu-se, ano passado, sob o discurso de que “o sentimento não pode parar” estará atentando contra um mesmo sentimento que ficou velado ao meio dos corações vascaínos, oprimido e alvejado por adversários que não mais respeitavam ao clube como grande dentro das competições disputadas.

Perder alguns jogadores tidos como importantes (a rigor, Allan e Rômulo somente até então) e sem a devida reposição à altura gera medo de que a política de reposição em apostas desconhecidas ou em velhos conhecidos que não resolvem absolutamente nada possa regressar ao clube, e daí o justificável policiamento de nós, torcedores, para que o trabalho não falte, para que a arrogância, a submissão ao terror do caos ou o simples comodismo não ocorra, e para que, enfim após muito tempo, o torcedor possa enxergar nosso clube como candidato ao mesmo título que só voltou a disputar como um dos candidatos de um ano para cá, com a formação de um time qualificado após muita pressão de todos.

Quais são as aspirações?


Ao meio do discurso de responsabilidade financeira, a torcida vascaína fica relegada ao sonho de contar com jogadores de maior quilate em nosso plantel, tal conforme lhes escrevera em coluna passada. De certo no presente, temos Auremir, o mais novo contratado que chega como aposta para suprir a falta de um qualificado polivalente Allan. Com certeza, é muito aquém do que a torcida gostaria de escutar como reforço para reposição, embora deva-se ser prudente e justo, pelo menos, e esperar para uma avaliação melhor da qualidade desse mais novo jovem chegado ao clube.

No entanto, o questionamento maior é com relação a mais uma aposta que chega e que relega, mais uma vez, os jovens formados pelas divisões de base, que aos seus olhos podem enxergar mais uma chegada de um desconhecido como mensagem subliminar de que suas chances no plantel profissional dificilmente virão, tal como merecem.

Além disso, com certeza não é a demonstração que o clube deveria dar ao torcedor de que sua direção pensa grande, e que o dinheiro em caixa adquirido pelas transferências e patrocínios recentes poderia ser, em parte, empregado na reposição à altura e qualificação do plantel cada vez maior. Ou então, dentro da promessa de transparência no qual apoiamos a transição de gestão em junho de 2008, que se esclareça de vez os verdadeiros rumos que tal verba adentrada aos cofres do clube tomará nesse momento, se não for para reforçar o plantel ou manter o qualitativo que já se tem.

Panorama Brasileirão 2012

A essa altura, já com praticamente vinte e cinco por cento do campeonato transcorrido, algumas projeções tornam-se plenamente factíveis com relação a quem disputa a competição. Algumas constatações de minha parte eu arrisco-me a fazer, sabendo que posso estar errando com um ou outro time mas que, de uma forma geral e pelo que foi apresentado até presente momento, a não ser que alguém mude sua postura de forma drástica – seja para melhor ou para pior – o campeonato não fugirá desses padrões.

Para melhor análise, vou subdividir os times em três grupos distintos. Nessas considerações, vou excetuar os arquirrivais recíprocos paulistas Corínthians e Palmeiras, por estarem mal posicionados na tabela e já terem suas vagas na Libertadores 2013 garantidas, de forma que dificilmente brigarão pelo título, assim como também não deverão ser rebaixados afora qualquer desastre fora do previsto.

No grupo de elite, pensando grande e considerando, ainda, o que nos “sobra” de plantel entre perdas e vindas, incluo o Vasco como um dos aspirantes ao título ou a, pelo menos, uma vaga na Libertadores 2013, ao meio de Atlético-MG, Fluminense, Internacional, Santos e São Paulo, que possuem elencos tão bons (ou até melhores) quanto ao nosso. Para o torcedor vascaíno tal como eu ou o estimado leitor, é INADMISSÍVEL se pensar em Vasco fora dessa posição de respeito. Ainda que admitamos que uma das desvantagens que considero perante os demais é com relação ao comando técnico, pois ainda vejo os demais clubes desse patamar com treinadores mais bem preparados para serem campeões do que o nosso.

No segundo grupo, eu incluo Botafogo, Coritiba (apesar de ainda mal posicionado na tabela), Cruzeiro, Flamengo, Grêmio e Ponte Preta. São times que, ainda que considere que possam se acertar ao meio do caminho, não os vejo, hoje, com envergadura nem tão forte para brigar pelo G4 da competição e nem tão fraco ao ponto de serem rebaixados à segunda divisão. Para que um extremo ou outro ocorra perante tais times, muita coisa deve mudar: para melhor ou para pior, respectivamente.

Finalmente, o grupo que considero como “grupo da morte”: Atlético-GO, Bahia, Figueirense, Náutico, Portuguesa e Sport. Na minha concepção, os piores times da competição no momento e que disputam entre si para não serem rebaixados e no qual se recomenda perder O MÍNIMO possível de pontos para tantos, seja confrontando-os dentro ou fora de casa.

Caminho para o título

Considerando-se uma margem de tolerância de perdas válida para todos os aspirantes ao título, deve-se conquistar, ao menos, 90% dos pontos sobre esses adversários, o que significa um somatório de aproximadamente 32 pontos dentro de um universo de 36 pontos possíveis. Tal análise considerando como grande foco o título, ou seja, pensando grande, para frente...pensando como VASCO acima de tudo! E sobre essa projeção, vem o grande recado para a torcida com relação ao nosso time: quem se impõe como grande põe os pequenos em seu lugar! Tal como o exemplo do Atlético-MG, que foi buscar um jogo perdido contra o Figueirense fora de casa no último sábado, pois sabia que seriam pontos preciosos para se discutir as credenciais pelo título ao final das trinta e oito rodadas.

Além disso, contra as equipes do segundo grupo é NECESSÁRIO vencê-las pelo menos nos jogos dentro de casa e buscar, ao menos duas vitórias em jogos fora, o que levaria ao somatório de mais 24 pontos, que somados aos 32 obtidos do “grupo da morte”, levaria o time ao somatório já de 56 pontos. Significa que, ao defrontar-se contra os adversários concorrentes diretos ao título, vencê-los em casa já significaria mais 15 pontos, elevando a contagem a um total de 71 pontos, número que garante a briga pelo campeonato, com certeza.

Para tanto...vamos mudar?

Com o atual pensamento, fica difícil em pensar-se almejar ao título. O discurso tímido de somente repor dificilmente nos levará à conquista. Conforme já externei minha opinião, somente Wendel e Auremir para repor ao Rômulo e Allan é muito pouco. O mesmo Diego Souza, no qual a torcida condena até hoje pelo gol perdido diante do Corínthians, enquadra-se no caso em que “se é ruim com ele, ficaria pior sem ele”, e portanto, em caso de sua saída ficaria muito difícil contratar-se alguém com potencial à altura. A se confirmar sua permanência, é ponto favorável, entretanto, ainda não completa um elenco que queira ser campeão.

Considerando a manutenção de qual já está lá, faltaria a meu ver: dois laterais, um meia ofensivo e um atacante. Liberar jogadores como Max, Diego Rosa e Chaparro e completar o elenco com alguns promovidos dos júniores. O caminho é esse.

Vasco da Gama 1 vs 0 Atlético–GO

Além das contratações, dispensas de jogadores e promoções pontuais, há de se corrigir o velho problema da inconstância do time. Faz um primeiro tempo aceitável e um segundo tempo deprimente. Contra o LANTERNA do campeonato, não foi diferente. Vencemos porque foi o PIOR time do campeonato, em noite inspirada de nosso goleiro Fernando Prass. Cumprimos mais uma OBRIGAÇÃO sendo eficazes, contudo não eficientes.

Ainda que estivesse desfalcado, a meu ver os ÚNICOS desfalques que eu realmente lamentaria dentre todos os que não estiveram presentes seriam Fágner e Éder Luís, pois o restante foram jogadores muito parecidos com os que atuaram. E ainda: o meio-campo que jogou foi com a máxima qualidade possível, tendo os dois maestros veteranos e mais o dez que brilha quando quer Diego Souza, e ainda com a opção de Carlos Alberto, que entrou no segundo tempo. Alguma coisa, portanto e de forma notória, está errada.

Se é questão de tática (não acredito que seja) recuar o time demais e jogar no erro do adversário no segundo tempo, já deu mostras que não dá certo. Se o técnico não muda tal suposta tática, é erro dele. Se a questão é não saber mudar os rumos de uma partida quando o adversário muda sua postura, mais uma vez é ele, o técnico, quem deve ser o responsável. Se a questão é física, deve-se averiguar esse problema na comissão técnica.

Seja qual for o erro, deve-se investigar e corrigir, URGENTEMENTE. Contra times mais fracos, sustentamos o resultado, ainda com a “bipolaridade” do time. Contra os adversários diretos, dificilmente obteremos êxito a continuar essa mesma inconsistência e inconstância que o time apresenta. Ou será que contra esses mesmos times mais fortes nosso técnico irá, conforme ele mesmo disse após o jogo, contar com a sorte em detrimento à sua competência de detectar o erro e corrigi-lo?

Olho vivo no "apito amigo"!

É muito estranho, logo de início de campeonato, a equipe arquirrival ter, a seu favor, dois gols mal validados e dois pênaltis “a la brasileira”, tal como diz o comentarista Mauro Cézar Pereira, do canal ESPN Brasil. De repente, é uma forma clara de evitar que seu time fraco chegue ao final do campeonato sob risco de rebaixamento, além de retribuir de alguma forma o discurso - que deve ter havido nos bastidores – de que passaram o último campeonato inteiro sem ter sido assinalado um único pênalti em seu favor. De qualquer forma, somente com esse “jeitinho brasileiro” para colocar um time como esses com a pontuação no qual se encontra hoje: o mesmo que poderá, em breve, ser utilizado para tirar os gaviões de onde se encontram, hoje, na tabela. Deixe-os sonhar, então, que esteja tudo bem dentro de campo.

Rádio Mitos da Colina


Por motivos de desavenças internas, a Rádio Mitos da Colina sofreu a baixa de grande parte de sua equipe. São coisas normais que podem acontecer na vida e que, nessas horas, a superação torna-se o discurso mais adequado para que um projeto em parceria com o SuperVasco e que vinha dando certo possa ser resgatado. Tal como tenho certeza de que será, de fato, resgatado! Em breve, portanto, o fiel leitor que se acostumou com a equipe de debates todos os dias à noite, voltará a ouvir uma rádio parceira do SuperVasco! Esforços estão sendo feitos e novidades hão de surgir em curto espaço de tempo!

Esclarecimento

A vida é feita de escolhas. Muitas delas difíceis, em que a razão deve se antever de forma a preservar-se algumas coisas que são fundamentais para o ser humano. Duas delas são indispensáveis: caráter e compromisso. O primeiro vem de berço, agregando-se os valores civis e morais que a sociedade vai nos passando ao longo do tempo. O segundo é uma escolha pessoal, em que para tanto deve-se considerar os mesmos valores adquiridos quando na formação do caráter.

A minha saída do grupo Cruzada Vascaína ocorrido faz mais de oito dias NADA tem a ver com brigas, intrigas ou discordâncias quanto à filosofia de trabalho do grupo ou com grande parte das pessoas de ótima formação que conheci quando lá estive participando. Tem a ver, sim, com a preservação de meu lado vascaíno colaborador isento de política em um site de grande repercussão como é o SuperVasco. Foi uma escolha pessoal optar pela independência em emitir comentários a respeito de nosso amado clube, sempre em primeiro lugar, relegando-se qualquer politicagem ou pressão para tanto que poderia surgir ao longo do tempo. Além disso, foi de forma a preservar um sentimento de cordialidade e respeito recíprocos (creio eu) por pessoas que militam tanto na oposição como na situação, bem como pelo meu sentimento irrevogável de liberdade de expressão, de forma a elogiar e a criticar sempre que necessário for.

Como na vida, as notícias “correm” muitas vezes de forma que foge dos padrões da verdade, fica aqui, portanto, o registro.

 

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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