Cristiano Mariotti

A herança bendita a ser bem aproveitada!

Com certeza, a torcida do Vasco deve estar dividida entre o passado recente e o futuro incerto. Na verdade, é uma estranha sensação que sentimos, pois por mais que admitamos que no elenco formado faltou um “algo a mais” para que ganhássemos mais títulos, é inegável que disputamos com ele TODAS as competições de forma honrada e digna desde o ano passado (excetuando-se a desastrosa campanha da Taça Guanabara). Devolveu ao torcedor o sentimento de orgulho de ter um time de futebol que se doe em campo em prova de respeito às cores que veste.

Conforme lhes escrevera por vezes anteriores, são méritos ESPECIALMENTE de nosso ex-diretor executivo de futebol profissional, Rodrigo Caetano. Ao contrário do que muitos falam do legado deixado pelo ex-Presidente, ele (Caetano) se foi, deixando no clube uma “herança bendita”, uma lição de como se mapeia um elenco, em meio às apostas que ele mesmo fez e que muitas não deram certo, mas que no saldo geral de sua conta, o balanço entre os seus erros e acertos fechou em grande crédito com o clube e torcida. Como também uma filosofia de como se trabalhar com poucos recursos e uma visão de futuro a ser seguida por quem for de competência para tanto.

No momento atual, tais frutos ainda são colhidos. Entre reclamações (minhas, inclusive) a respeito da inconstância do time formado com jogadores contratados ainda em sua gestão, além da inédita Copa do Brasil ficaram o campeonato brasileiro do ano passado ganho no campo e nos tirado nos bastidores e o vice-campeonato da Taça Rio. Em 2012, já sem ele mas com um plantel em grande parte ainda composto pelos mesmos atletas outrora contratados, foram mais dois vice-campeonatos em turnos do campeonato carioca e uma saída honrosa da Libertadores. Claro que isso nada importa no cômputo geral de títulos, já que conforme dissera o “algo a mais” faltou. No entanto, são mostras da herança daquilo que fora encaminhado e que poderia ter sido dado prosseguimento com mais eficiência.

O legado honroso e seus resultados

Com os altos e baixos apresentados durante boa parte dos jogos desse atual campeonato brasileiro, o fato é que com o time formado por Rômulo, Fágner e Diego Souza, além do polivalente Allan compondo bem o plantel (mesmo que todos os citados não tenham atuado em alguns jogos) e às voltas com as críticas feitas à gestão de futebol pós-Rodrigo Caetano e por vezes ao nosso treinador, ficamos as dez primeiras rodadas alternando entre as três primeiras posições e sonhando com o título a todo instante. Foram VINTE E TRÊS PONTOS em dez jogos, ou seja, uma média fantástica de 2,3 pontos por jogo. FATO!

Contabilizando a bela vitória diante do Santos, no sábado, já sem Diego Souza e Fágner, já são VINTE E SEIS PONTOS, ou seja, o melhor início de Campeonato Brasileiro na era pontos corridos. Portanto, um time que dignificou a camisa que vestiu, entre erros e acertos naturais da vida. O que, de forma alguma, cabe nesse momento é bancar uma postura "naturalista" perante os argumentos apresentados, e sobre isso eu comentarei mais adiante.

Vasco 2 vs 0 Santos

Ao meu ver, o grande destaque dessa partida foi a disposição apresentada por nossos atletas diante da equipe santista no último sábado, como um recado que os mesmos remanescentes tentaram dar para todos de que o time continuará a lutar pelas conquistas e que os jogadores que ficaram possuem seu valor e podem, sim, ainda dar muitas alegrias à nossa torcida.

Mais do que isso, foi uma busca pelo preenchimento dos espaços deixados recentemente pelos últimos quatro atletas que foram embora. Uma mostra de serviço e renovação das esperanças do que a torcida e a diretoria podem esperar deles, no sentido de trabalho, disposição e entrega pelos resultados positivos. E que, com eles, haverá a propagação de um legado honroso deixado por um trabalho iniciado faz tempo e que TODOS que são Vasco acima de tudo desejam que não pare em hipótese alguma.

Somente o tempo e as atitudes da diretoria no sentido de recompor aquilo que foi desfeito é que irão nortear nossos reais rumos em um campeonato tão difícil. É preciso avaliar os jogos para saber se os jogadores que vieram estão à altura do que se foram ou se, pelo menos, estão na média dos que atuam em outros grandes clubes. Pois uma coisa é certa: como Fágner, principalmente, será muito difícil conseguirmos um substituto à altura. No máximo, teremos um que esteja no mesmo padrão praticado pelos demais laterais direitos do Brasil, e não um diferenciado, como é o caso de nosso ex-lateral direito.

Auremir é uma aposta: ainda que tenha estreado bem, não se pode esperar que ele esteja à altura de Fágner, até mesmo porque ele é volante de origem. No máximo, chegará a exercer a função polivalente que fazia Allan no elenco. Na lateral esquerda, William Matheus precisa de uma sequência para ser avaliado melhor, mas desempenha um futebol melhor do que seu antecessor Thiago Feltri e, por isso, deve ser mesmo o titular. 

Já na meia cancha, confesso-lhes que, em seus dois primeiros jogos, gostei muito do futebol de Wendel que veio para substituir a Rômulo. Passou-me, a meu juízo, segurança e estabilidade no meio de campo, ao lado de Nílton que merece menção honrosa nesse setor, pois vem a tempos desempenhando um futebol de ótimo nível, me surpreendendo inclusive positivamente. 

No mais, fica a esperança de que Éder Luís, depois de algum tempo voltou a jogar muito bem, possa dar continuidade ao seu trabalho e justificar seu investimento. Além da dupla de zaga Dedé e Douglas, que nesse momento deve ser o companheiro do “Mito”, esse no qual se espera que recupere em sua totalidade sua forma física e técnica. Juninho Pernambucano, mais uma vez, jogando aquilo que a torcida se espera de um ídolo como ele, e ainda com uma saúde e disposição de um garoto de vinte anos.

Da “espinha dorsal”

Fernando Prass; LATERAL-DIREITO (precisa de um especialista), Dedé, Douglas e William Matheus; Nílton, Wendel, Juninho revezando-se com Felipe e Carlos Alberto; Éder Luís e Alecsandro. Para compor: mais um lateral-direito, um meia ofensivo e um atacante. Manutenção de quem ficou e aproveitamento de alguns jovens valores da base. Com esses procedimentos, disputaremos o título. Sem as devidas recomposições e levando-se em conta a sequência de jogos de meio e final de semana que teremos, ficará difícil.

Proatividade vs Reatividade

Em um de meus últimos textos, comentei sobre a importância em ser proativo, ou seja, antever-se ao que possa acontecer, preparando-se com uma rede de contatos – networking – e monitoramento constante do mercado da bola para que, nesses momentos, houvesse agilidade na reposição de perdas possíveis.

Com o fim da gestão profissional do competente Rodrigo Caetano, a diretoria, além de não ter reposto o cargo altura de sua importância, voltou a demonstrar-se somente reativa tardiamente sob pressão, o que é muito pouco e não condiz com toda a frustração de uma torcida que pensa grande. Além disso, não condiz as constantes mudanças que o mundo da bola apresenta a cada momento, em que uma proposta possa surgir e baixas no plantel podem acontecer. A diferença, no entanto, é que existem clubes que já “se ligam” nesses fatores plenamente detectáveis Infelizmente, o Vasco não.

Perdemos dois de nossos principais atletas no pior momento possível. Sem chances de repatriação do que poderia vir do exterior, com o fechamento da janela de transferências internacionais. E sem o devido monitoramento do mercado interno e também do alternativo mercado sulamericano capaz de já apresentar a solução em momentos como esse, no qual a torcida indigna-se com toda a razão. Muitos, inclusive, chegam a pensar que tal inércia, na verdade, pode ter sido proposital, pois pode não ter havido interesse em se repor tais perdas com pesquisas sobre jogadores que atuam no exterior. E quem pensa assim, também não julgo tampouco condeno: faz parte da emoção de quem ama ao clube, acima de tudo.

Entradas vs Saídas de recursos

É bom lembrar que ainda o Vasco é um clube de futebol sem fins lucrativos, e portanto de nada adianta gerar receitas com a venda dos talentos que possuímos e com novos patrocinadores se as mesmas não são revertidas em pró do clube.

Isto posto, vou insistir nessa questão: a torcida do Vasco tem TODO O DIREITO de saber, tal como é (ou deveria ser) em uma relação de transparência entre o sócio / torcedor investidor / consumidor de sua própria marca e quem lhe representa  qual será, então, o destino de toda essa verba captada? Pois não foi empregada na manutenção do nosso camisa dez nem do melhor lateral-direito em atividade no Brasil. 

Tal como nosso rival Fluminense que, segundo a coluna de Gilmar Ferreira do dia 20/07/2012, empregou um milhão de euros em obras de modernização e infraestrutura no Vale das Laranjeiras, a torcida do Vasco gostaria de saber se existe alguma possibilidade de investimento, ao menos, no patrimônio do clube para, enfim, termos um celeiro próprio para criação de novos talentos no futuro? Talentos esse que poderiam, ainda que com a falta de estrutura compatível do presente, terem sido formados e preparados para, agora, irmos buscar na base a reposição dessas perdas, conforme acontecera no clube um dia.

Falando em “naturalidade”...

Essas razões expostas já nos dá o direito de questionar a quem está ao leme de nosso clube sobre as ações pontuais para que continuemos em ascensão.

A "naturalidade" com que os dirigentes vascaínos reagiram às recentes perdas, com certeza, não reflete a preocupação da parte majoritária de nossa torcida, que esperava bem mais de quem um dia prometera que o clube voltaria a brigar por títulos. 

Relegar-se ao passado recente nesse momento e adotar o discurso, tal conforme já lera de algumas pessoas via redes sociais, de que antes “lamentávamos por não ter sequer jogadores a serem negociados” é muito pouco para quem pensa em um clube GIGANTE, como o Vasco é diante de seus torcedores e tal como quem nos comanda deve (ou deveria) pensar igualmente.

Por detrás do discurso de que “loucuras não devem ser cometidas”, a torcida do Vasco – tal como eu, sócio e torcedor que sou – continua a indagar, então, se existe loucura pior do que arriscar a jogar um título plenamente factível fora e, com ele, a possibilidade de maiores ações advindos de retorno em publicidade, além do ainda maior engrandecimento da marca do clube?

Só para lembrar...

A imagem que segue abaixo é uma foto tirada no ato da confirmação de Roberto Dinamite, como novo Presidente do Vasco, na madrugada de 29 de junho de 2008, em plena sede do clube na Lagoa. Nela, a torcida já demonstrava, esperançosa, para que ela queria que seu maior ídolo da história fosse eleito. O vídeo sobre o documentário vale ser conferido clicando aqui. Vale a pena relembrar-lhes de suas responsabilidades à frente de nosso clube.

Da consciência da torcida

Por tudo isso, é importante que o torcedor do Vasco tenha em si a CONSCIÊNCIA de que cabe a quem nos representa a RESPONSABILIDADE de repor e, se possível, reforçar ainda mais esse plantel para que nos mantenhamos sonhando com o título. O que é o DEVER do Vasco como clube grande e que passou por um período relegado de sonhos e conquistas na última década. E de seus dirigentes darem a continuidade tendo como base de trabalho uma “herança bendita” de ideias e filosofia de trabalho profissional que fora deixada por nosso ex-diretor.

E lógico que cabe ao torcedor fazer sua parte também, associando-se ao clube, contribuindo mensalmente e monitorando a quem trabalha em pró do clube para que, na época certa, possa ponderar os erros e os acertos de TODOS e realizar a cobrança segundo seu julgamento pessoal por um Vasco cada vez melhor.

Rádio Mitos da Colina

A parceria firmada pelo companheiro Márcio Santos com nossa equipe da web rádio tem TUDO para dar certo! Tenho certeza de que será de grande proveito para o torcedor vascaíno contar com essas duas forças que, unidas, debaterá a respeito dos problemas e soluções para nosso amado clube pelas frequências de rádio e pela Internet! Parabéns à TODOS pela abnegação e, em especial, à nossa equipe da Mitos por essa prova de superação que somente o amor é capaz!

 

Acompanhem-me, também, pelo www.semprevasco.com todas às quintas-feiras quinzenalmente, e pelowww.webvasco.com às segundas-feiras!

 

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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