Cristiano Mariotti

As evidências que nos permitem acreditar!

Nos últimos dois jogos, o Vasco conquistou quatro pontos longe de seu domínio (estádio de São Januário, onde a cada dia mais me convenço que é nosso “porto seguro” e o local onde, definitivamente, nós teríamos que cobrar com mais afinco que clássicos como contra o Botafogo cujo mando de campo era nosso fosse realizado lá). Somando-os aos vinte e seis pontos que tínhamos até meu último texto postado nesse espaço, já são trinta pontos em treze jogos, ou seja, disparado o melhor início de campeonato brasileiro na era de pontos corridos.

Para que o estimado leitor tenha uma noção e fazendo um levantamento bem rápido, em 2003 tivemos que realizar 25 jogos para ultrapassar a casa dos 30 pontos. Em 2004, com os mesmos 25 jogos  chegamos aos 30 pontos. Em 2005, foram 30 jogos para chegar aos 30 pontos. Em 2006, foram 20 jogos para ultrapassar os 30 pontos. Em 2007, foram 18 jogos para atingirmos tal pontuação. No fatídico ano de 2008 (nosso pior ano), foram 31 jogos para chegar aos 30 pontos. Em 2010 de volta à elite, foram 19 jogos, ou seja, um turno inteiro do campeonato. Em 2011, foram 16 jogos e, agora, 13 jogos para atingirmos tal pontuação.

Fica evidente que, dentro de campo, nosso viés continua de alta, muito graças às razões já comentadas por mim em textos anteriores. Isso mostra que a cada ano que se passa, devemos ter a consciência de que nosso padrão de competitividade deve se estabilizar justamente aqui, onde chegamos hoje, nos reacostumando com a sensação de decidir a cada jogo tendo como objetivo maior o título, e não com sonhos modestos como uma vaga na Copa Sulamericana ou, em tempos bem piores, com o não-rebaixamento.

Dos sinais de normalidade dentro de campo

Vejo, por exemplo, a torcida dividida depois do jogo do último sábado diante do Internacional: muitos consideraram o resultado de empate sem gols como bom dentro das nossas pretensões em um campeonato de tamanha dificuldade, agora com jogos sequênciais de meio e fim de semana e diante de um clube vencedor como é o Internacional, principalmente de uma década para cá, ainda que seu time estivesse desfalcado, tal como o nosso também estava.

Outros, no entanto, consideraram o resultado decepcionante, pois poderíamos ter vencido dentro das circunstâncias apresentadas de eventuais ausências na equipe colorada, tais como Dátolo, Oscar (já negociado), Leandro Damião entre outros, inclusive com D’Alessandro deixando o jogo logo no primeiro tempo.

Sinal claro, para mim, de mudança em nossos pensamentos e retorno à normalidade (ao menos, no futebol profissional) de um clube vencedor como o Vasco: voltando a pensar grande, como o mesmo Vasco que muitos de minha idade acostumaram-se a ver, metendo medo em seus adversários nas décadas de 1980 e 1990. Voltando, mesmo que muitos não se curvem ainda, à competir para ser campeão, com pensamento de campeão, e não somente com pensamento de time participante e coadjuvante, quando na verdade sempre nos acostumamos a ser protagonistas do espetáculo. E ainda que esse costume tenha ficado no ostracismo durante alguns anos, vascaíno que é vascaíno sempre teve fé em dias melhores. Mesmo sabendo que ainda podemos melhorar (e muito)!

Do erro da generalização e da especificação

Não podemos avaliar uma gestão inteira do clube como boa a partir somente do desempenho do time de futebol profissional dentro de campo. Como também não podemos condenar a gestão toda pelos erros cometidos sem ponderar seus acertos. Da mesma forma, é errado se dizer, ao meu ver, que um vascaíno é adepto ao “Vasco Futebol Clube” (conforme a mim foi dito) somente porque se orgulha de ver seu time voltando a disputar títulos no futebol. Tudo isso que lhes escrevera são exemplos claros de erros de avaliação, sem discernimento dos fatos e do contexto no qual os mesmos estão submetidos.

Obviamente, pelo menos de minha parte, eu gostaria de ver o Vasco MUITO mais forte não somente no time de futebol profissional, como também em sua gestão de futebol profissional e de base, no Remo (esporte-raíz e razão pelo qual estamos aqui debatendo hoje e no qual os companheiros José Carvalho e Yuri Lummer fazem um acompanhamento mais de perto), no Basquete (onde tivemos uma proposta do Alberto Bial, recentemente, para revitalizar o esporte no clube e no qual não foi pra frente), no Futsal profissional (onde, tal como no Basquete, já tivemos muitas alegrias no passado nem tão distante e quem é dessa época ainda sente o “gostinho” dos bons tempos que vivenciamos), na Natação entre outros esportes. De forma autossustentável e dando preferência, logicamente, à formação de novos talentos nas escolinhas, como nascedouros de vascaínos inclusive.

Para tanto, o clube deveria ter seus impostos em dia para que houvesse investimento – tal como o Corínthians está para fazer – com a captação de verbas pela lei do incentivo ao esporte, e redirecionamento das mesmas para os esportes amadores. Ou então, a criação de um instituto – dentro da legalidade – com CNPJ limpo de qualquer dívida que fosse capaz de captar tais verbas revertê-las para tais esportes, colocando-os de volta à competitividade dentro de âmbito nacional.

Além disso, gostaria de ver nosso amado clube com mais poder de decisão de suas vontades, tendo mais voz ativa nos bastidores, mais representatividade no qual eu já comentara certa vez de que estamos MUITO mal representados nesse momento, com seu estádio liberado para fazermos valer nosso mando de campo nos clássicos regionais ao invés de jogarmos na casa do adversário (como o Botafogo se intitula do Engenhão), com um departamento jurídico mais forte entre outras coisas que o vascaíno quer de nosso clube.

Da Consciência Vascaína

Contudo, é importante que nós tenhamos a consciência de que nesse momento de retomada de crescimento – ao menos no futebol profissional – é OBRIGAÇÃO de quem se diz Vasco de apoiar aos atletas que vestem nossa camisa e aos profissionais que lá trabalham. Pois eles não têm culpa do passado tenebroso da última década que nós tivemos e nem do descaso aparente aos demais esportes. Até porque são eles que poderão nos dar no futebol dentro de campo – setor que eles atuam – alegrias e devolver-nos a esperança de revalidação de um título outrora conquistado pela última vez em 18 de janeiro de 2001.

E, obviamente, sempre lembrarmo-nos de que fora de campo as cobranças pelas melhorias no clube de uma forma geral devem continuar, e não somente no futebol que é o “trem-pagador” e deve ser realmente a prioridade dentro de um clube no país que respira a todo momento esse esporte. Se queremos mais, é importante lembrar-lhes, mais uma vez, a importância em associar-se ao clube e ajudar, ao meio das críticas e dos elogios, ao clube chegar à completude que muitos de nós queremos, de forma RESPONSÁVEL, PROATIVA e FIEL aos interesses dos verdadeiros donos do Vasco que somos nós, vascaínos.

Incondicionalmente, Vasco!

Dessa forma, eu peço permissão ao companheiro Marcus Simonini para tomar emprestado o nome de seu blog “Incondicionalmente Vasco” e lhes avisar que, SEMPRE de minha parte, eu estarei manifestando meu apoio a TUDO que for bom para o Vasco, aliás como eu NUNCA deixei de fazer, mesmo na época que eu era integrante de um grupo político.

Um dos erros nos quais as pessoas costumam cometer é manifestar-se como “apolítico”. Na vida mesmo que não queiramos, na minha concepção nós sempre acabamos tendendo para um lado ou para outro, mesmo que pouco. É como sempre disse minha amada mãe no qual eu concordo com ela em cem por cento: uma dúvida nunca é dividida em 50% para cada lado, pois há sempre um lado que tendemos um pouco mais, mesmo que esse pouco mais seja de 51%.

Entretanto, é questão de opção a pessoa por seguir incondicionalmente a um líder ou a um líder em especial, seja da atual diretoria ou afora da mesma. E nem condeno a isso. O que não é correto, a meu ver, é colocá-la acima do clube. Eu prefiro SER VASCO ACIMA DAS PESSOAS. Portanto, dentro de uma análise criteriosa e ao contrário de estórias que me contam dentro do próprio clube, ainda que reconheça que há MUITO o que melhorar JAMAIS me passa a ideia de torcer contra porque partes do clube não funcionam e acabam “mascaradas” pelo bom desempenho no futebol. Eu opto por SER FELIZ, e minha felicidade é ver o Vasco VENCER SEMPRE!

Das chances de título

Em meio a um futebol de nível técnico baixo, as chances de título do Vasco, hoje, são as mesmas que possuem nossos adversários com elenco tão ou mais qualificado como o nosso: Atlético-MG, Fluminense, Internacional (principalmente), São Paulo (se houver recuperação a tempo) e sem descartar o Corínthians (mais pela sua força fora de campo do que dentro do mesmo).

Ponderando-se os prós e os contras, chego à conclusão de que, realmente, poderíamos ter ganho do Internacional desfalcado fora de casa. Ainda assim, não podemos desprezar um ponto obtido, quando na verdade também estávamos desfalcados de dois jogadores que são fundamentais no equilíbrio de nosso meio de campo: Nílton e o maestro Juninho, ambos em grande fase. E que, ao final da rodada, terminamos a mesma a dois pontos do líder, Atlético-MG, conforme antes.

Das constatações de progresso e pontuais críticas

Analisando nosso time dentro de uma visão realista, constatamos que uma das razões para que o equilíbrio na defesa fosse obtido foram as ótimas entradas de Wendel e Douglas, além de Dedé estar recuperando o melhor de seu futebol. De forma mais fria, passamos a jogar agora com dez jogadores na prática em grande parte dos jogos, pois antes jogávamos com nove, pois Diego Souza e Éder Luís destoavam da eficiência de outros jogadores. O primeiro que deixou nosso clube era um “gênio” somente quando estava inspirado, ou seja, uma vez a cada dez partidas. O segundo, ao que parece, esqueceu seu superdimensionado (por muitos) futebol faz tempo, com “apagões” mais latentes por coincidência (sem dúvida, infeliz coincidência) em épocas no qual os salários atrasam.

Dessa forma, todos esses fatores em conjunto convergiram para que o time ganhasse mais consistência tática e um padrão de atuação não tão destoante, com dois tempos disputados de forma tão antagônica tal como fizéramos contra o Figueirense, por exemplo, em que o time atuou bem no primeiro tempo e muito mal no segundo. E quando o equilíbrio chega, todos são beneficiados, inclusive os novatos Auremir e William Matheus, que entraram bem no time e que (ainda, esperamos que continuem assim) não sentiram o peso de nossa camisa.

Hoje, mesmo com todos os problemas das perdas que tivemos de jogadores muito importantes para nosso time, temos uma média de 2,3 pontos conquistados por jogo, o artilheiro do campeonato (um jogador muito contestado, por mim, inclusive mas que vem cumprindo o seu papel que lhe é destinado), uma defesa a cinco jogos sem sofrer gols e um ídolo (Juninho) com total empatia e em profunda relação de sinergia com nossa torcida. Temos ainda que cuidar do ataque, de forma a torná-lo mais eficaz, mesmo que o preço seja a barração do comprado “a peso de ouro” (erradamente) Éder Luís, inoperante, confuso e ao que aparenta “sem sangue” nos últimos jogos.

Da confiança em um próspero futuro

Isto posto, para que fôssemos ainda mais confiantes em busca desse sonho do pentacampeonato eu (pelo menos, EU) continuo a cobrar pela fortificação desse plantel. É duro quando nosso treinador Cristóvão Borges (em ascensão, junto com o time) olha para seu banco e vê como opções para substituir jogadores como Max, Chaparro, Diego Rosa e Pipico, por exemplo. Não tenho nada contra os profissionais citados, mas não são, definitivamente, peças de recomposição para um elenco que represente as cores do Vasco.

Penso que com a chegada o Jonas (lateral-direito somente na média dos demais de nosso país), faltaria chegar mais um meia ofensivo de qualidade (o sonho da torcida é Rafinha, também do “Coxa”) e mais um atacante para por pressão sobre Éder Luís, além de valorizar os jovens ascendentes dos júniores, apostando em Marlone, Luciano, Jhon Cley, Luan e Yago, por exemplo, ao invés desses outros profissionais citados por mim anteriormente.

Quanto a Cristóvão Borges: conforme eu lhes escrevera outrora, quando as coisas fluem TODOS saem beneficiados, ganham com esse processo de evolução e evoluem também. Em minha visão, Cristóvão errava muito no começo em suas decisões e substituições, principalmente. Tal como um “aprendiz”, progrediu: começou sendo mais coerente nas escalações; depois perdeu jogadores mas soube redefinir o time titular; e agora, acerta mais nas alterações nos últimos jogos, pelo menos. As vaias sofridas por parte da torcida, especialmente, diante do Botafogo foram injustas em uma substituição comum e dentro de um contexto plenamente aceitável.

Com a chegada de providenciais reforços, terá a chance, inclusive, de dar uma “oxigenada” nesse plantel e mostrar à todos que sabe trabalhar com recém-contratados e com jovens valores advindos da base, coisa que ainda lhe falta demonstrar, de forma a quebrar de uma vez por todas seu estigma de não abrir espaço para quem queira mostrar seu valor, gerando desconfiança em boa parte da torcida de que existe uma “panela mal mexida” nesse elenco.

“Toques finais”

1º) Nosso outro maestro Felipe precisa demonstrar muito mais do que demonstrou diante do Internacional. Com o futebol jogado por ele, não há razão alguma para reivindicar sua vaga no time titular. Sua ex-possível ida para o arquirrival só teria um ÚNICO prejudicado: ELE MESMO. Além de trocar uma equipe com totais chances de título por uma que, se não melhorar, ficará com muito esforço no meio da tabela ao final das trinta e oito rodadas, perderia o respeito por parte de uma torcida que sempre o acolheu. Ficar dando entrevista e dizendo-se chateado por não estar tendo seu “ego massageado” não condiz com o profissionalismo tampouco com sua experiência que já deveria ter adquirido em anos de futebol.

2º) A forma como o árbitro Wilson Luís Seneme empurrou Felipe nesse último jogo (clique aqui para assistir http://www.supervasco.com/noticias/seneme-coloca-a-mao-no-peito-de-felipe-e-o-empurra-assista-145840.html) , com certeza, renderia uma suspensão de até um ano (se bobeasse) caso os papeis tivessem sido invertidos. Gostaria de saber se o jurídico do Vasco irá se manifestar contra esse senhor, em nota de repúdio ou até mesmo uma representação contra ele na CBF, ou se vai “entubar” mais essa, diante de tantas nos quais fomos obrigados a “entubar” de uns tempos para cá? Lamentável atitude e digna de uma resposta do Vasco à altura, a meu juízo.

3º) De forma derradeira, eu lhes afirmo que o Vasco esteve, SIM, para fechar uma parceria de transferência de know-how e troca de jogadores catarianos pela construção de um CT para base, e que somente não foi fechada POR CULPA EXCLUSIVA DO PRÓPRIO VASCO, que não se interessou. Não sei se as razões foram descrença de que o negócio pudesse realmente andar, se foi pelo possível acerto com os CTs de Itaguaí e com o dos profissionais ou se foram razões meramente políticas. Mas existe, sim, um projeto apreciado por TODOS no clube e uma pessoa no Qatar que estava à espera de um documento oficial do clube para dar prosseguimento ao interesse vascaíno junto a uma empresa que, ao contrário do noticiado, NÃO ERA a Qatar Foundation. Portanto, perdeu o Vasco uma grande chance de se expandir ao mundo árabe, pelo menos por enquanto.

4º) Está mais do que na hora de nosso Presidente do Conselho Deliberativo Abílio Borges marcar a PRIMEIRA reunião do mesmo conselho eleito nesse ano de 2012. Não é possível um clube do tamanho do Vasco e com tantos assuntos a serem discutidos e colocados em dia NÃO TER uma única reunião no ano. Nesse tempo todo que estão sem se reunir, a notícia da viabilização de um projeto para remodelação de São Januário já saiu, os CTs estão para sair, finalmente, o Remo pede socorro para não passar vergonha em mais um ano, o plano de sócios já foi considerado como lesivo pelo Conselho Fiscal e nada disso ainda foi discutido. E eu sei que nesse conselho eleito existem pessoas sérias e cheias de novas ideias para o Vasco, ao invés de somente pensarem em política. Portanto, já passou da hora de demonstrar-se trabalho em Assembleia reunida no clube.

5º) Essa é endereçada para a torcida: lotaremos o Caldeirão contra os “Gambás” ou iremos preferir nos ater ao pessimismo e dar crédito aos questionamentos de certos “jornalistas” se iremos continuar onde estamos depois de enfrentarmos os primeiros colocados? Ao invés dessa segunda opção, melhor seria se apoiássemos aos que estão sendo dignos de vestir nossa camisa, em meio às dificuldades, às “crises” e regidos por um ídolo no qual se orgulha e nos orgulha de vê-lo jogar em nosso clube. A hora é essa, sem medo de ser feliz e de FORMA INCONDICIONAL, sem medo de SER VASCO – o “normal” Vasco respeitado e digno dentro de campo.

6º) Gostaria de mandar um abraço à todos meus leitores e um em especial nesse texto junto com meus manifestos de profundo agradecimento ao Sr. Jayme Lisboa Alves, que sempre tem, a cada semana, o carinho, o esmero e a consideração comigo de me enviar mensagens em atenção aos meus textos publicados aqui, no WebVasco e no SempreVasco e a quem respeito demais, bem como tantos outros amigos que fiz dentro do Vasco da Gama!


Acompanhem-me, também, às segundas-feiras pelo www.webvasco.com, às quintas-feiras pelo www.semprevasco.com, e pela Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br , mais forte do que nunca em parceria com o companheiro Márcio Santos e a equipe do “Só dá Vasco”!



Cristiano Mariotti
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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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