Cristiano Mariotti

Cartas na mesa após mais um ano de gestão...

Dois de agosto de 2011. Passado UM ANO após a reeleição do Presidente Roberto Dinamite – até hoje muito contestada por um grupo político que optou por ficar de fora e alvo de tentativas de anulação por via judicial, os sócios e a torcida do Vasco ainda esperam pelas melhorias outrora prometidas. 

Fazendo uma breve análise de um ano da segunda gestão de Roberto Dinamite, o ponto-forte ainda é o futebol profissional. Em se tratando de esportes amadores, muito pouca coisa mudou. Projeto para o Basquetebol não foi dado prosseguimento, o Remo depende ainda de ajuda de abnegados e de poucos recursos para conseguir entrar nas competições como figurante e não mais como protagonista conforme o Vasco foi um dia, e outros esportes sequer são cogitados em desenvolver-se um projeto para revitalizá-los. As finanças vascaínas continuam debilitadas e os patrocínios pontuais que entram são poucos para cobrir os passivos outrora gerados pelos mais variados motivos. Felizmente, o marketing do clube tem tudo para caminhar bem melhor do que antes, mas para tanto algumas considerações devem ser feitas, e sobre isso, mais adiante lhes explico.

Em se tratando do futebol profissional, ainda que de agosto de 2011 para cá não tenhamos conquistado títulos nesse período, o time chegou bem em todas as competições, faltando sempre o “algo a mais” para culminar as campanhas em títulos. Seja esse algo a mais dentro ou fora de campo. Ainda assim, perdemos em dezembro nosso gestor de futebol responsável protagonista pela montagem do plantel que, até então nos representou, e não soubemos repor à altura. Veremos daqui para frente quando, na “janela de transferências internacional”, ocorreu a saída de jogadores importantes como é que a atual gestão de futebol irá recompor o que fora perdido.

Como o bom desempenho do futebol tende a deixar em modo “background” para a torcida os acertos que o clube precisa, devo-lhes lembrar que a trajetória é árdua, e que devemos “meter o dedo na ferida” e não deixar que a possibilidade de progresso para o clube caia no ostracismo. É imprescindível recorrermos a assuntos que já são chatos de tanto debatermos, mas que não podemos continuar “entubando” esses problemas. Até mesmo porque muitos fazem parte da promessa de campanha de nosso atual Presidente durante o processo eleitoral.

Existem projetos que continuaremos fiscalizando seus andamentos (remodelação do estádio de São Januário, tal como foi divulgado acerca de dois meses atrás), outros que ainda seguem em fase de definição (CTs dos júniores e dos profissionais) e outros que considero, pessoalmente, como “estagnados”, pouco comentados ou, simplesmente, “esquecidos” por quem nos comanda. Sobre esse último grupo citado é que, EM FAVOR DO VASCO, faço questão de relembrar-lhes a seguir, como pontos mais importantes (entre tantos outros que não cabe em uma coluna somente) a  serem elucidados nesse momento e expondo-lhes minha visão sobre cada um deles.

1) Plano de sócios “O Vasco é meu” (?)

A matéria que foi ao ar no SuperVasco nessa última terça-feira (clique aqui) que fizemos em parceria mostra a realidade do atual estágio de transição do plano de sócios do clube, insatisfatório e alvo de constantes reclamações por parte de TODOS à diretoria.

Segundo fontes MUITO confiáveis, um novo projeto já está pronto para ser colocado em prática. A antiga empresa SVI que move uma ação por quebra unilateral de contrato em 2008 seria ressarcida em seu passivo tal como é feito com o passivo contraído junto a Penalty, ou seja, ao longo de sua duração.  A atual empresa Jeff Sports que assumiu o controle das ações no plano com a quebra de sociedade entre Bruno Paes e Jéfferson Mello (ocasionando, assim, o fim da empresa Torcedor Afinidade) poderia ser indenizada, mas os valores que o Vasco ganharia com a nova parceria seriam muito maiores do que essa possível indenização, além de prover ao clube um serviço MUITO melhor em sua completude e eficiência do que é hoje.

Portanto e aparentemente, não há como nosso Vice-Presidente de Comunicação Antônio Peralta que dá a palavra final para esse prosseguimento de transição, embarreirar esse progresso evidente para o clube acima de tudo. Muito pelo contrário: ele DEVE cumprir com sua palavra e revigorar o clube nesse setor, até mesmo porque ele conta com pessoas ao seu redor que estão ansiosas por seu aceite e que já fizeram o serviço mais difícil que foi o replanejamento e a formatação de uma proposta muito mais à altura do Vasco e de sua torcida. 

Nesse sentido, como ele, Dr. Peralta, é capaz de explicar o por quê de um projeto que têm TUDO para ser bem melhor do que esse atual ainda não foi implantado? É com esse pensamento de estagnação que um dia pensou-se a chegar a cem mil sócios, tal como o Internacional, que a cada dia melhora ainda mais o que oferecem aos seus torcedores?

O SuperVasco dispõe-se a ouvir o referido VP. Aliás, a torcida do Vasco – dentro do conceito de transparência um dia prometido – espera pelas explicações e saber quando teremos novidades, ou se essa será mais uma perdida pelo nosso clube, seja por vaidade, egocentrismo, politicagem ou qualquer outro suposto motivo que for.

2) Reforma estatutária

É imprescindível que o Vasco pense em implantar eleições diretas nesse novo estatuto que está sendo debatido. 

Estou a cada dia mais convencido, companheiros, de que o Vasco redemocratizado é o Vasco livre de possíveis “manobras” de bastidores, coisa ainda que o atual estatuto permite, pois a eleição é indireta e, ainda que ainda não tenha acontecido em sua história mais do que centenária – é plenamente permissível que a eleição no Conselho Deliberativo tenha sua decisão revertida ao que a maioria dos associados escolhe como melhor para o clube. E a cada dia mais convencido de que, por incrível o quanto pareça, ainda podem existir pessoas que podem pensar em coisas desse tipo por anseios políticos.

Por isso que faço SEMPRE questão de elucidar o DEVER do vascaíno de se associar ao clube e direcioná-lo para o que se deseja que o Vasco seja no futuro. Maior do que qualquer benfeitoria que um novo e implantado plano de sócios trará (ou traria) à instituição agora, é a CHANCE clara de se fazer que o Vasco represente a nossa vontade. Cobrar a quem nos representa por essas melhorias e alijar qualquer chance de “acordão” no clube, de fechamento em pensamentos escusos e de deixar no Vasco somente quem queira se abnegar e pensar NO VASCO somente.   

3) Busca por apostas e Filosofia das Categorias de Base

Muitos vascaínos – assim como eu – lamentaram-se na última sexta-feira por uma possível perda de inscrição ocasionada por questão de OITO MINUTOS depois do fechamento da “janela de transferências internacional” do atleta desconhecido Dáckson de sua ex-equipe búlgara para o Vasco. 

Fica evidenciado que foi uma contratação de “ultíssima” hora, e que nem Vasco nem a equipe búlgara se organizaram para tanto. No entanto, há companheiros – no qual eu respeito e discordo – que defendem a ideia de que “tal contratação tanto faz em ser perdida agora, pois tal como William Barbio, por exemplo, o atleta não atuaria nesse ano” e que o que fica, de fato, marcado nesse episódio é o “mico pagado”.

Minha discordância a esse pensamento, companheiros, é em dois sentidos: primeiro, que o Vasco não tem dinheiro para ficar pagando salários para quem vai ficar por meses parado. De mais a mais, já que o jogador estaria recebendo pelo Vasco, que ficasse pelo menos à disposição do treinador, pois em qualquer momento uma oportunidade pudesse aparecer, ainda mais se tratando de um campeonato tão longo e complicado como é o Brasileiro.

E segundo: quem disse que o fato do jogador ficar “encostado” durante meses é uma forma de “preparo” para que o mesmo entre e renda, depois de um certo tempo, junto aos jogadores que “rodam” em busca das chances nos espaços do time? Olhem, por exemplo, o desempenho somente mediano do nosso atleta William Barbio. O que ele rende hoje não se trata do mesmo ou até mesmo pior do que um jogador BEM formado pelo próprio clube poderia render ao time? E com a vantagem do Vasco estar abrindo espaço para seus próprios talentos que nascem em suas categorias de base, ganhando um salário MUITO MENOR e com a perspectiva de formar um grande jogador e obter-se um ótimo retorno futuro. 

Acredito que seja mais uma evidência de uma filosofia errada de conduta que a diretoria “vende” e que alguns vascaínos “entubam” erradamente. Pois quem é bom já se posiciona no plantel como tal e já busca seu espaço, jogando e entrando conforme as oportunidades vão surgindo, e não aguardando meses sob o pretexto de “preparo”. É a clara evidência de que o Vasco precisa se preocupar, ao invés de estar “encostando” desconhecidos no plantel (com todo o respeito ao atleta que não conheço), procurar promover seus jovens e criar espaços para que Marlone, Luan Garcia entre outros tenham suas chances em um futuro bem próximo.

Nessa atual filosofia, nosso responsável pela transição entre júnior e profissional Gaúcho – tal como Humberto Rocha mesmo citou a nós em sua entrevista recente exclusiva ao site e no programa de rádio “Só dá Vasco” do companheiro Márcio Santos – deveria esclarecer o porquê de tais valores estarem travados entre ambas as categorias nesse momento. Já passou da hora de nossa torcida voltar a ter o prazer de ver um atleta promissor de talento compondo nosso plantel e ajudando-nos em nossas campanhas, em especial, nesse campeonato brasileiro.

E para terminar esse assunto por hora, um aviso: falta somente seis meses para que o contrato de Guilherme Costa dos júniores termine. Vamos renovar com o garoto (que é outro jovem promissor) ou dar-lhe o mesmo destino de tantos outros atletas, outrora relegados e que foram embora sem que tivessem tido maiores chances de provarem seus valores nos profissionais?

De “O poder do autoengano” (Vítor Roma)

Em síntese e já citando mais um texto (clique aqui) de ótima qualidade elaborado pelo companheiro vascaíno Vítor Roma permito-me, desde já, pedir-lhe permissão para utilizar seu título e alertar quanto à continuidade a esse fatal erro passível a qualquer um de nós. 

Não podemos nos deixar ludibriar, pois tal como citei em meu último texto, generalizar ou especificar uma instituição como toda por conta ÚNICA e EXCLUSIVA do desempenho de seu time de futebol dentro de campo é MUITO pouco. O Vasco precisa caminhar BEM MAIS do que vem caminhando. Digamos, acelerar os passos de seu progresso, tal como um corredor que, em uma maratona longa ficou MUITO para trás enquanto outros disparavam na frente. 

A meu ver, muita coisa deve ser feita ainda. Conforme afirmei, a base do futebol, o plano de sócios associado ao marketing e o processo de continuidade à reforma do estatuto para total adequação do mesmo aos novos tempos devem ser de extrema importância. Sem nos esquecermos, a meu ver, do Remo (nosso esporte-raíz) e das definições quanto aos CTs e à remodelação do estádio, para que não virem somente pretensões perdidas com o passar do tempo.

Para que de fato avancemos, no entanto, primeiro temos que reconhecer o que precisamos melhorar para confiarmos em nossa grandeza e nas pessoas que queiram trabalhar em favor do Vasco. Sem autoengano e sem utopias: dentro de projetos sérios com prazos estabelecidos e executados por profissionais competentes. 

E com MUITO mais agilidade do que agora: já passou da hora da diretoria ser mais proativa e não somente reativa perante os acontecimentos. Já é hora de fazermo-nos mais fortes internamente, MUITO mais organizados e rápidos nas tomadas de decisões do que letárgicos que continuamos a ser de forma teimosa e que impacienta à torcida. Menos resistente às mudanças que são necessárias e objetivando a instituição em primeiro lugar. O caminho deve ser esse.

A tal “Ausência de vilania” (Mestre Hélio Ricardo Rainho)

Confesso-lhes que foi baseado em mais essa ótima abordagem (clique aqui) desse companheiro vascaíno que direcionei meus pensamentos quanto à cessão do estádio de São Januário (nosso templo sagrado) para nosso rival tricolor, ocorrida na última quarta-feira, gerando revolta em boa parte da torcida (minha inclusive), tendo-me motivado até a lançar postagens em meu blog explicando meu ponto-de-vista com relação a esse tema (clique aquiaqui para conferir os escritos) no qual eu, particularmente, considerei mais uma “entubada” desagradável e que, politicamente, não aparenta trazer vantagem alguma para o Vasco, e tão somente “pelo bem dom futebol carioca” (pasmem!).

Contudo, e ao contrário do que ocorre hoje fora, entre o Vasco e seus rivais inescrupulosos,  invejosos e indignos de qualquer favor que o próprio venha a lhes prestar por seu histórico de “tirania” contra nosso amado clube, essa tal “ausência de vilania” deveria ser empregada mais dentro de nossa instituição, ou então, a minimização da mesma “vilania” já citada pelo Mestre em seu brilhante texto. 

Isto posto, eu comentei em meu último texto publicado que ser apolítico nessa vida é utópico. No entanto, ser APARTIDÁRIO como tantos são é questão de opção, e NÃO HÁ NADA que lhe obrigue a praticar política. E nem se assina contrato vitalício que se conste que uma pessoa será eternamente partidária de algo específico. Muito menos em uma política tão complicada como é a do Vasco, em que se você opta um dia por ser apartidário, contraria o pensamento ou não compactua com os interesses de alguém você passa a ser taxado como “covarde” ou ser perseguido. Isso, sim, não é respeito à democracia. 

Portanto e já “engatando” em uma visão interna do Vasco, eu particularmente procuro dar créditos a quem respeita os pensamentos e decisões alheias e a quem fale sobre ideias e soluções, e não a pessoas que se julgam como proprietários de seus pensamentos, de suas decisões ou de você mesmo dentro do clube. Enfim, que respeite seu livre arbítrio como pessoa humana acima de tudo. E nem caia no erro de generalizar todo por um ou uns que assim pensem. O que constrói são as IDEIAS DO TODO, e NÃO os RANÇOS DE ALGUNS.

Vasco da Gama 0 vs 0 Corínthians

A minha opinião sobre o jogo desde domingo pode ser conferida em minha matéria exclusiva publicada por mim e que foi ao ar pelo SuperVasco, clicando aqui.

Saudações Vascaínas!

Gostaria de enviar a todos meus estimados leitores um forte abraço e, em especial nessa semana, aos companheiros vascaínos André Pedro, Marcelo Paiva e Marcus Simonini, envolvidos nos projetos WebVasco e do blog “Incondicionalmente Vasco” que tive o prazer de conhece-los em São Januário nesse último domingo! E desde já, ratificando meus manifestos de espaço aberto para seus projetos aqui, em meu espaço cedido semanalmente, para divulgação de qualquer projeto em benefício de nosso Vasco, acima de tudo!

“Toque final”: Lição de vida 

O vídeo que segue aqui é uma lição deixada em sábias palavras pelo dono do SBT. Vale a pena assistir e refletir!


Acompanhem-me, também, às segundas-feiras pelo www.webvasco.com, às quintas-feiras pelo www.semprevasco.com, e pela Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br , mais forte do que nunca em parceria com o companheiro Márcio Santos e a equipe do “Só dá Vasco”!



Cristiano Mariotti
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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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