Cristiano Mariotti

Um castigo ao pecado de se autoenganar!

Logo após a vitória sobre o Sport Recife na última quarta-feira, pelas redes sociais eu já debatia com companheiros que consideravam o empate contra o Atlético-MG um ótimo resultado. Justamente, esse era meu contraponto principal a esse pensamento: não discordando de suas opiniões (até mesmo porque não deixaria mesmo de ser um ótimo resultado) mas considerando que se entrássemos com esse pensamento diante da equipe mineira, fatalmente perderíamos o jogo. Pois já experimentei vários casos desse tipo, e a velha máxima do futebol que “toda covardia deve ser castigada”.

Não sou nenhum ignorante a ponto de desconhecer a forte equipe que o Atlético-MG (por méritos) soube montar, bem como a força de sua torcida que DÁ LIÇÃO a MUITAS (INCLUSIVE À NOSSA PRÓPRIA) de como se incentiva um time em seu estádio (aproveitamento no próprio superior a 90%) e nem o ótimo trabalho do técnico Cuca, que há tempos realiza ótimos trabalhos por onde passa e é injustiçado pela falta de reconhecimento em detrimento a técnicos covardes e que praticam um futebol burocrático, muitas vezes exaltados inclusive por quem se diz da crônica esportiva. 

Aliás, esse é o maior mérito de Cuca: NÃO ser covarde. Saber tirar o máximo de seus atletas para que os resultados venham. Ainda que com a falta de títulos mais expressivos, não podemos nos esquecer da ótima arrancada do Goiás já em suas mãos, em 2003, dos times montados do Botafogo em 2007 e 2008, da ótima campanha de recuperação à frente do Fluminense em 2009, do vice-campeonato brasileiro pelo Cruzeiro em 2010 e do trabalho atual na outra equipe mineira, que se iniciou com a fuga do rebaixamento de 2011, passando pelo título mineiro e, agora, pela excelente campanha nesse atual.  Uma hora sua equipe irá oscilar, assim como as outras, o que é normal. Contudo, estar na frente e da forma em que está (com “gordurinha para queimar”) nesse momento é digna de respeito e reconhecimento por parte de todos.

E quanto ao Vasco? Bem, sabíamos que uma hora as limitações iriam transparecer. Afinal de contas, quem se autoengana assim faz por questão de comodidade, falta de interesse ou de visão estratégica do futebol. E que essa “dívida” causada pelo impacto da saída de titulares importantes uma hora começaria a pesar. E pesou: contra a equipe de melhor campanha e, na minha opinião, a forte candidata ao título HOJE (amanhã ou depois poderá mudar) pois pratica ( em minha visão) o futebol mais bonito nesse país atualmente, em um campeonato pobre e pouco atrativo tecnicamente.

Entretanto, as limitações se tornam latentes quando falta ousadia no pensamento de querer vencer o jogo. Pensar em se defender e quase não se arriscar para tentar a vitória durante mais de noventa minutos contra o adversário que é nas circunstâncias desse contexto torna-se uma estratégia muito perigosa. Quase sempre castiga a quem se retrai e se recusa a ousar. Premia a quem sabe bloquear as poucas investidas de contragolpe planejadas pelo visitante. Premia a quem busca a vitória “com a faca nos dentes” o jogo inteiro, atuando como se a decisão fosse realmente naquele momento. 

Quando Cristóvão Borges saca Carlos Alberto do time (ainda com o jogo empatado) para colocar mais um cabeça-de-área, a mim deixou muito mais evidente a satisfação com aquele resultado, mesmo ainda faltando mais de vinte minutos para seu término. Seria sorte mesmo se não tomássemos um gol perante o “caldeirão” formado e com a equipe da casa indo para decidir, encarando a vitória e vibrando ao final com ela como se fosse a finalíssima do campeonato.

Enfim, voltamos para casa com um resultado normal dentro das circunstâncias, mas que poderia ter sido melhor se tivéssemos mais ousadia para querer vencer e jogadores de maior talento para compor o banco de reservas, dando ao técnico maiores poderes para se modificar os rumos de um jogo. A perda da vice-liderança começa a mostrar a realidade do campeonato, pelo menos em elenco. Estamos na disputa ainda, mas na atual conjuntura, Atlético-MG (líder) e Fluminense (vice-líder) possuem, sim, melhor elenco do que o nosso. Hora de ação, e não de continuar a “ter sorte”, ao meu ver.

Nada está perdido: depende do Vasco!

Chegamos à décima sexta rodada de um total de trinta e oito. Perto da virada de turno, é mais um momento de cobrarmos pelos ajustes pontuais que poderão nos manter na rota pelo título. Uma derrota para o líder não define o campeonato, assim como uma vitória não definiria também. Mas prejudica ou ajuda, respectivamente, e nos alerta pela necessidade em se acrescer “algo a mais” nesse grupo. O tal “algo a mais” que já não tinha, e que piorou quando jogadores importantes foram embora, sem a devida reposição à altura, até então.

Sobre essa questão, não é nenhuma novidade: já debato há tempos que reforços providenciais precisam chegar, se o pensamento for de título. Se o pensamento for somente de chegar à Libertadores, dada a mediocridade de muitos times, esse grupo já está de bom tamanho. Mas isso não é pensar como Vasco! Minha “brincadeira” é ser campeão, O MELHOR e não somente ser UM DOS MELHORES. Definitivamente, não podemos continuar a nos enganar a si próprios. E seria MUITO autoengano ou contradição à lógica do esporte pensarmos que as dificuldades como essa de encarar times mais bem preparados não viriam, bem como que tal campanha que temos irá se manter caso as providências não sejam tomadas.

Serão mais vinte e duas partidas com contusões, suspensões e oscilações de peças importantes no time. O Vasco vinha jogando em seu limite, “contando com a sorte” para que não tivéssemos desfalque. E é justamente para não ficar a mercê da sorte que precisamos de mais gente de qualidade, prospectando talentos emergentes nas séries B, por exemplo. Pelo menos, mais um ou dois meias ofensivos (Rodriguinho, do América-MG por exemplo) e um atacante (Neto Baiano ou Zé Carlos, por exemplo) para compor o plantel, além do aproveitamento (mais uma cobrança) dos jovens da base, sobre os quais eu comentarei daqui a pouco.

Além disso, algumas mudanças de atitude tornam-se necessárias. Não podemos mais encarar partidas-chaves como essas em que nos defrontamos diante dos concorrentes diretos como se fosse um jogo a mais, enquanto o adversário os encara como uma decisão. Afinal de contas, foi essa também uma das causas que nos fizeram perder o título para o Corínthians no ano passado: ter somado somente um ponto sobre os rivais paulistas, ao passo que eles somaram quatro nos confrontos diretos contra nós. Contra o Fluminense, por exemplo, somamos quatro pontos nos confrontos, enquanto o adversário somou somente um contra nós naquele mesmo campeonato. Como resultado, ficamos em segundo, e eles em terceiro lugar. Simples assim!

Confiar em quem?

Ainda que uma vitória sobre o Galo pudesse nos levar à uma alegria sem limites, não é uma derrota que vai nos levar à depressão profunda. Causa a nós um impacto, um sinal de alerta em torno do que precisamos para formar um grupo campeão, mas de forma alguma pode gerar um pessimismo desproporcional.  Afinal, Juninho ainda continua a ser o “Reizinho”, o mesmo jogador de temos elogiado. Tenório ainda pode (e vai) ser importante para a equipe. Felipe – o “Maestro” – ainda vai voltar a jogar seu bom futebol e poderá até ser mesmo titular, caso Carlos Alberto oscile e ele se recupere plenamente logo. A defesa continua sendo nosso ponto-forte, tenho uma ótima proteção com Nílton e Wendel e não será uma derrota que derrubará essa teoria. Mesmo porque, em sete jogos, tomamos somente um gol.

O campeonato de pontos corridos dilui os erros e premia aos acertos que as equipes vão realizando em seu plantel. Isso posto, o que precisamos acertar agora, para mim, é o ataque. Temos criado poucas jogadas em condição de Alecsandro finalizar e as maiores chances de gol têm saído das jogadas de bola parada com Juninho, principalmente. Não é por acaso que temos, assim como tomado, também feito poucos gols. Éder Luís – o supervalorizado – deveria ser resguardado em face a mais uma atuação abaixo da crítica, e um teste com Tenório e Alecsandro no time titular poderia ser feito.

E justamente, pelo fato do esquema tático ter mudado e pelo fato de que não possuímos mais no time as jogadas agudas de Fágner é que nosso treinador deveria trabalhar, ainda mais, as jogadas de criação pelo meio-de-campo, contemplado com o recebimento dos reforços clamados por todos nós. E treinar mais jogadas ensaiadas, tal como outros treinadores gostam de fazer e que não vemos, hoje, no time do Vasco. Faz parte desse processo de contínua evolução, não somente da equipe, como também dele próprio, treinador.

O Vasco de TODOS!

Sendo assim, não gostaria de me deparar com situações inusitadas de discutir com torcedores vascaínos tanto quanto eu. Aliás, a diferença entre a torcida do arquirrival e a nossa é justamente o fator pessimismo: enquanto parte de nossa galera se dá por entregue frente à derrota perante a melhor equipe desse campeonato, a galera do arquirrival já começa a acreditar mesmo depois de duas vitórias sobre dois dos piores times do campeonato. Por esse motivo, antes de discutir com eles, somos obrigados a discutir entre nós mesmos, o que nos enfraquece e MUITO. Ou seja: demanda tempo e forças perdidas, ao invés de uni-las e, entre discordâncias, construir forças contra quem está por vir em nosso caminho.

Não quero, ao final da trigésima oitava rodada, ter razão em nada do que falei: prefiro SER FELIZ. Portanto, ainda que a diretoria (que esteve presente no Estádio Independência) não reponha as perdas do elenco à altura, para mim estará tudo certo se a lógica do esporte for contrariada e o Vasco sagrar-se campeão, ainda assim. Se esse dia chegar, nem perderei tempo com torcedores que se acharem mais vascaínos do que eu somente porque disse que, com esse time, não chegaríamos ao título. Preferirei comemorar junto à todos, pois o Vasco não é feito somente dos otimistas, dos pessimistas ou até mesmo dos oportunistas que se acham com razão. O Vasco é de TODOS, e alimentar essa divisão só pelo fato de querer se ter razão é esforço inócuo e perda de tempo.

Desconstruindo mais uma mentira

Em seu blog do dia 02/08/2012, um “famoso jornalista” e radialista da emissora de rádio “toda-poderosa” escreveu o seguinte texto, de forma ofensiva e que agride à nossa instituição acima de tudo: “acabo recordando iniciativa semelhante, capitaneada por Eurico Miranda, no Vasco, nas Olimpíadas de Sydney (aquela da “chuva de prata”, onde colecionamos vices sem ganhar um ouro).” A matéria em sua íntegra pode ser lida aqui

Recorrendo, no entanto, à história vejo-me na obrigação de recordar aos estimados leitores e ao Sr. “jornalista” o quadro de medalhas de nossa delegação olímpica (vascaína) nas Olimpíadas de Sydney daquele citado ano de 2000, até como forma de provocar-lhe uma “dor de cotovelo” e comprovar, mais uma vez, a falta de seu compromisso em falar a verdade para seus leitores, conforme manda as instituições Globo em seu código de conduta:

quadrodemedalhas

(Fonte: NetVasco)

Tais ouros vieram através das nadadoras que competiram pelo Vasco Inge de Bruijn (holandesa) e Yana Klochkova (ucraniana), que conquistaram três e duas medalhas de ouro, respectivamente, fato desconhecido ou omitido pelo “jornalista” citado.

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(Fonte: NetVasco)

Se a delegação brasileira não angariou nenhum ouro, a vascaína sim, o que prova que NÃO foi culpa de nossa delegação (vascaína) conforme esse sr. quis insinuar, e sim, da incompetência ou falta de sorte dos brasileiros.

Ainda que esse “projeto olímpico” tenha custado caro ao Vasco posteriormente, o dever de todo jornalista é informar a verdade para seu público, e não tentar denegrir a imagem de uma instituição nas entrelinhas. Portanto, esse compromisso foi descumprido pelo próprio, mais uma vez, por razões em que somente o desserviço que presta aos leitores que não são torcedores de seu clube de coração e que, ao mesmo tempo, presta às organizações no qual trabalha são capazes de explicar. Lamentável.

“Toques finais”

1º) De fato, foi sem razão e, nitidamente, com o intuito de “jogar para a galera” a atitude de nosso Presidente após uma derrota em que o mais ferrenho vascaíno admitiu que foi merecida devidas às razões já explanadas, e não por interferência da arbitragem. Penso que sua preocupação deveria ser com a reposição e fortificação de nosso plantel nesse momento, e que manifestos desse tipo “valentão” seriam MUITO mais úteis na representação de nosso clube, nos bastidores do futebol, onde já deveria estar sendo feito há MUITO tempo, e não querendo mostrar serviço publicamente, sem maiores argumentações;

2º) Quando falo de nossa falta de representatividade nos bastidores do futebol afora o caso citado outrora, também me refiro a alguns jornalistas que se dizem vascaínos mas que utilizam seu precioso tempo para levar o pessimismo e disseminar o terror nos ouvidos do já melindrado torcedor vascaíno. Fazem colocações como se no Vasco nada prestasse, como se todos os resultados obtidos, até então, fossem obra do “acaso”, com o fator “sorte” sempre a ajudar. Procuram picuinhas dentro de um clube já tão cheio de problemas e ainda incentiva pelo rádio, ou até mesmo em suas colunas semanais de jornais com grande circulação. Prestam um desserviço ao clube que dizem torcer acima de tudo;

3º) NÃO quero crer, de forma alguma, em meio à rede de notícias e desmentidos que correm pelos corredores de São Januário que o não-aproveitamento de alguns jogadores da base esteja ligado com o fatiamento dos direitos federativos e econômicos de alguns desses atletas devido à penhora de credores e que os impeça, por algum motivo, de jogar na equipe principal. Seria MUITO triste saber que jovens talentos promissores que poderiam estar prestando serviços ao time estejam alijados de jogar em função dessas razões extracampo. Se isso for apenas mais uma das muitas histórias sobre a base vascaína, então ainda estamos a procurar entender o porquê desses mesmos estarem ofuscados no momento em que o elenco precisa de recomposição. Prefiro crer que seja incompetência na transição entre júnior e profissional, e não essas que prejudicam aos atletas e ao clube acima de tudo;

4º) Com somente 1/3 do que gastamos em Copa do Mundo aqui no Brasil, o governo federal poderia fortalecer os clubes, saneando-os financeiramente, dando-lhes condições para crescerem ainda mais, incentivando a profissionalização e formação de cada vez mais novos profissionais de futebol e talentos para fortalecer a seleção nacional no futuro e investindo no crescimento da liga nacional, que anda tão pobre tecnicamente. Com muito menos de 1/3, investir-se-ia em esportes olímpicos, visando as próximas Olimpíadas a partir de 2016, começando pelas escolas com uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE. Infelizmente, nada disso interessa, e sim, as superfaturadas obras em que todos ganham. Esse é o Brasil que sediará as próximas duas competições mais importantes do mundo nos próximos quatro anos, deixando como legado para a posteridade verdadeiros “elefantes brancos” em certas cidades;

5º) Vou dar, publicamente, meu voto para quem deverá vestir a camisa 114 no jogo de comemoração a mais um aniversário de nosso amado clube: Juninho, nosso Reizinho!

 

Acompanhem-me, também, às segundas-feiras pelo www.webvasco.com, às quintas-feiras pelo www.semprevasco.com, e pela Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br , mais forte do que nunca em parceria com o companheiro Márcio Santos e a equipe do “Só dá Vasco”!



Cristiano Mariotti
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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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