Cristiano Mariotti

“Natural conformismo” com a mesma velha desculpa!

Sinceramente e diante do que tem acontecido em nosso clube, eu tive a vontade em me abster de falar alguma coisa nesse momento no qual passamos, pois sei que no fundo vai ter gente que vai me interpretar a mal, que vai discordar de mim ou, simplesmente, que vai me incluir no grupo dos “retardados” vascaínos que nunca estão satisfeitos com nada. Mas em respeito ao compromisso que firmei com a família SuperVasco diante de quem me acompanha nesse espaço e no qual tenho o maior prazer em escrever semanalmente e colaborar com o grupo na medida do possível, não farei isso.

Contudo, não espere de meu texto de hoje palavras de conforto, pois se existem pessoas que ali, naquela “zona de conforto e de conformismo” estão nesse momento, não é meu caso. E lhes explico: eu, na verdade, sou um vascaíno muito mal acostumado! Mas sou mesmo: sou mal acostumado a ver o Vasco disputando os primeiros lugares, disputando títulos dentro de campo. Sou acostumado a ver o Vasco olhando para cima e fazendo cálculos para saber a quantos pontos está do líder do campeonato, e não olhando para baixo, mirando o “fundo do poço” em consequência de uma década de total ostracismo no futebol, fazendo contas para não ser rebaixado, e tirando ali como referencial para tudo que viesse no futuro servir como base para não se lamentar os fracassos e a ocultação dos erros do presente.

Existem duas coisas na vida que as pessoas não sabem separar muito bem, ainda mais se tratando de uma torcida tão sofrida como é a torcida do Vasco: felicidade e conformismo. Felicidade todos nós sentimos, mas depende muito do momento. Já senti felicidade por ver o Vasco despontando entre os primeiros de um campeonato tão difícil, equilibrado e com times que oscilam tanto como é o caso do campeonato brasileiro. Hoje, eu não estou feliz; ao contrário, estou frustrado. Como disse um de meus companheiros via rede social para mim, é como se eu tivesse entrado na fila entre um dos primeiros esperando por algum evento e viesse gente depois de muita expectativa minha e tomasse meu lugar sem que eu fizesse nada para mantê-lo.

Estaria feliz se visse que o time do Vasco estivesse de corpo e alma nessa disputa, conforme começou e até pôde ir no momento em que não fomos impactados pela “janela de transferências”. Estaria esperançoso se a diretoria tivesse já aprendido com o pecado do autoengano e estivesse fazendo sua parte, tentando devolver a parte do “corpo” perdido desse time e desse plantel. Isso, infelizmente, aparentemente não acontece. Ao contrário: o discurso conformista é sempre o mesmo que ouço: “campeonato difícil, muitas equipes ainda vão oscilar, ainda faltam muitas rodadas” etc.

No entanto, sempre para o vascaíno fica a pior parte: a do fracasso iminente e da sensação de que o campeonato terminou (em termos de título), para nós, no momento em que a diretoria não sinalizou as devidas reposições às perdas não provisionadas pela torcida. De que a falha no replanejamento do plantel após essas perdas será “entubado” e de que, ao final do ano, restará mais uma vez aquela velha desculpa de que “lutamos”, “fizemos o possível”, “foi o que pudemos” enfim...

De fato, sempre cobrei por ações. Feliz eu fico em ser campeão ou em ver no Vasco a reação de quem pensa grande, não de quem se contenta com pouco. Da maneira que caminhamos hoje, é como depois da “época do caos” no futebol profissional tudo o que vier torna-se lucro. Conformado eu vejo quando vejo luta, entrega por parte de quem nos comanda para dar condições ao time de ser campeão. Conforme escrevera, parte do “corpo” se foi, a alma do time ficou, mas só isso não ganha campeonato. Ao final, veremos a comemoração por uma vaga na Libertadores, mas e o título que é nossa “brincadeira” maior?

A maior das verdades que li nos últimos tempos e o mais lúcido dos textos foi nesse sábado, de minha companheira de SuperVasco Carol Canoa. O título de sua ótima coluna define todo o pensamento vascaíno: “Está na hora de aceitar a realidade!” Perfeito! Com o que nos restou, ao título dificilmente chegaremos. Poderemos (quem sabe) chegar realmente no G4, de onde muitos se vangloriam que o Vasco está faz quarenta e duas rodadas. Só que tem um detalhe: oitenta por cento aproximadamente dessas quarenta e duas rodadas foi com o elenco que tínhamos: Fágner, Rômulo, Allan e Diego Souza. Cinquenta por cento dessas mesmas ainda tinham peças de reposição importantes tais como Bernardo, Élton (cansaram de dar “um gás” ao time vice-campeão no ano passado), Jumar (“quebrou um galho” e muito bem na lateral-esquerda e no meio de campo) entre outros.

Hoje, a realidade é apostar que os que ficaram e que nos representam possam, ao menos, cumprir com dignidade e cabeça erguida a trajetória de um time ao qual não foi lhe dado, até o momento, condições para se recompor diante de perdas tão significativas. Apoiar a quem nos representa dentro de campo, sim: conformar-se em “remar” para só chegar perto e não pegar o cobiçado troféu, jamais! Pelo menos, de minha parte...

Flamengo 0 vs 1 Vasco da Gama

Em um jogo tão chato e tão ruim como há tempos não via nessa rivalidade, venceu o Flamengo porque na bola do jogo, em falha de nosso goleiro Fernando Prass, o rubro-negro tinha Vágner Love para não perdoar. Mais nada! No segundo tempo, em uma das bolas cruzadas por nosso time para dentro da área do Flamengo, quem estava lá para tentar concluir sem marcação em cima era Pipico. Simples assim!

De restante, nada de interessante. Do Flamengo, aquele jogo limitado como há tempos vemos. Contudo, mais organizado por um técnico que sabe armar um time com o pouco que tem. No segundo tempo, totalmente recuado e saindo pouquíssimas vezes em contra-ataques, muitos dos quais puxados por seu lateral direito Leonardo Moura. Do Vasco, um time que ainda encontra dificuldades em se remontar diante das perdas, em que concentra, praticamente, todas as ações ofensivas sobre as bolas paradas de Juninho: suas faltas e seus cruzamentos para dentro da área. Mais nada!

O time já não possui mais as jogadas agudas em profundidade pela direita de Fágner e nem conta, há tempos, com o supervalorizado Éder Luís, para tabelar pela direita. Aliás, perdemos a grande oportunidade de explorar aquele setor sobre um lateral-esquerdo tão limitado como é Ramón, que teve a façanha de ver Márcio Careca jogar em seu lugar no ano passado e, também por essa razão, revoltou-se contra um clube que lhe abriu, verdadeiramente, as portas para o futebol, dizendo-se até “vascaíno” naquela época. Isso sem falar em sua irresponsabilidade na final da Copa do Brasil, e no terceiro gol do Coxa, naquele jogo, que começou a ser desenhado por sua bola perdida, ao meio de um drible mal sucedido, na frente da defasa vascaína, fato que quase ninguém mais se lembrava.

Definitivamente, louvo os esforços de Auremir e William Matheus, mas caiamos na real. O primeiro não é lateral e tampouco chega perto da técnica de Fágner, apesar de o mesmo ex-jogador de nosso clube ser um péssimo marcador, mas ainda assim, tínhamos jogadas oriundas por seu lado. Pela esquerda, Feltri decepcionou e o novo titular tenta, se esforça, mas ainda não é (e creio eu que nem será) de perto o lateral-esquerdo dos sonhos para quem, um dia, já teve Felipe (mais à frente, escreverei sobre ele) e Mazinho como titulares.

Sobre Felipe: definitivamente, não tem como ele ser titular, pelo menos hoje em sua atual fase. Creio que Cristóvão fará muito bem se não der mais “ouvidos” à imprensa (de uma forma geral) que tenta cavar uma vaga para ele nesse time. No contexto atual – e na mesma atuação pífia do conjunto perante o Coritiba no meio de semana já tinha sido assim – Carlos Alberto entrou e o que fez já foi o suficiente para que, nesse momento, seja o titular em seu lugar. Como há MUITO tempo eu defendo que Juninho e Felipe não podem jogar juntos nesse time na maioria dos jogos, hoje estou ainda mais convicto de meu pensamento.

Enfim, reescrevo o que já deixara outrora claro para todos: falta poder ofensivo a esse time, depois dessas perdas. Melhoramos na defesa: perdemos em ofensividade. Falta equilíbrio entre ambos os setores e muito por conta do time ter sido obrigado a mudar sua forma de jogar em decorrência da falta de laterais ofensivamente letais à defesa adversária. Não tem como negar que, hoje, ficamos sem o “algo a mais” que cobrava para esse time ser campeão nos turnos do campeonato carioca, e ainda sem a base que carecia do “algo a mais”.

Cristóvão Borges

Já fui um crítico ferrenho de nosso treinador “aprendiz” no qual evoluiu muito, principalmente em suas tomadas de decisão. Hoje, abaixei bem os tons de minhas críticas e não somente pela razão de sua notada evolução: simplesmente, ficou sem material humano suficiente e com a obrigação de remontar um time em meio a um campeonato e com as cobranças da torcida do Vasco, exigente por natureza.

Numa entrevista dada por ele no último sábado, ele afirma em meio ao contexto que “chorar de barriga cheia até DEUS castiga”. Eu discordei, postei minha discordância e reafirmo à todos: para uma torcida que ficou ANOS sendo MUITO mal tratada, somente quem se contenta com pouco e é conformado vai se dizer com “barriga cheia”. Assim deve pensar não somente ele, mas boa parte da diretoria que só enxerga o caos para se basear em seus velhos discursos cheios de clichês e tentar “vender” à torcida uma falsa imagem de que as coisas na Colina estão muito bem, obrigado!

A vergonha nacional

Por falar em diretoria, até quando irá a VERGONHA que se instaurou nas categorias de base de nosso clube?

Não me interessa saber se antes já era assim ou se não era: quero saber AGORA, de quem nos represente que deve ter a OBRIGAÇÃO de fazer bem ao clube. Foram quatro anos para que algo de produtivo tivesse sido feito e não estivéssemos vendo a calamidade sendo propagada em rede nacional. Manchando a imagem de um clube que SEMPRE prezou por seus meninos. O que falta para se agir? Com certeza, não deve ser dinheiro, pois com um salário de um Diego Rosa e de um Pipico que nada produzem já teria se reformado as instalações todas tranquilamente. Motivos políticos, então?

Com certeza, o filho de nosso Presidente NUNCA deve ter se instalado ao meio das fotos que vimos e que foram propagadas (novamente) Brasil afora. Com todo respeito ao meu estimado Humberto Rocha a quem tive o prazer de entrevistar e não faz nem tanto tempo assim, mas se as fotos são antigas, por favor, apresente-nos as novas. O senhor ou o responsável pelos alojamentos. Aliás, quem é o responsável hoje pela base do Vasco? Humberto eu tenho certeza de que não é. É Antônio Peralta, nosso VP de comunicação social e que, também por conta de seu “Ok” esperado, ainda não viabilizou-se a reformulação do plano de sócios do clube, até onde foi me passado? Quem assume esse papel nessas horas?

Sinceramente, em um clube que SÓ vive de futebol hoje, não é possível q           ue ainda não tenhamos tomado consciência de que a base é o caminho para o sucesso do clube. De que dela novas receitas também podem sair. Enquanto nosso próprio rival desse último jogo lançou novos talentos já para irem “rodando” e se preparando para o ano que vem, ao Vasco resta sequer olhar para suas “sementes”, mesmo quando falta material humano na equipe de cima. Por mais que se precise deles nessas horas, cadê Marlone, Jhon Cley, Yago e outros para lhe darem as oportunidades?

Que fique mais uma vez o registro. Enquanto não obtivermos as respostas, pelo menos conformismo de minha parte não haverá. É o Vasco que quero ver bem, mesmo que se preciso for tenha que se mudar tudo de novo, oxigenando de pessoas que estejam na causa pró-Vasco, e não pró-interesses pessoais, coisa que não quero acreditar.

“Toques finais”

1º) Sobre o caso da suposta dívida do Vasco com Romário, ainda não tenho opinião formada, nem para um lado nem para outro. Apenas lhes posto de forma direta e objetiva: se estiver realmente devendo, que se chegue a um acordo em valores MUITO MENORES do que ele pleiteia na justiça. Se for “obra de ficção científica”, que o clube se defenda e que processe a quem cometeu o crime de lesar ao clube. Simples assim! Acho somente MUITO estranho nosso ex-Presidente querer apresentar provar em favor do ex-atleta e contra nosso clube. Por que será que tais supostos papeis estão em sua posse, e não nos arquivos de contabilidade vascaína, conforme dizem no clube que não estão? É aguardar para ver.

2º) Fui informado pelo meu companheiro de WebVasco, Marcelo Paiva, que SÓ depende única e exclusivamente do Vasco apresentar seu projeto para que a carta de intenções firmadas em julho de 2010 junto ao COI seja cumprida e que o Rugby modalidade Seven seja homologado com sede em São Januário para as Olimpíadas de 2016, aqui no Rio de Janeiro. A grande dúvida é: será o clube capaz de apresentar esse projeto até outubro, já que fontes me garantem que, até presente momento, não há qualquer projeto desenvolvido? Tal como, em nome do SuperVasco, colocamos o site à disposição para ouvir a Antônio Peralta sobre o plano de sócios, nos colocamos também à disposição do VP de Patrimônio, Frederico Lopes, e do VP José Pinto Monteiro para tais esclarecimentos junto à torcida, acima de tudo;

3º) Gostaria de saudar a chegada do companheiro Hélder Floret à família SuperVasco! É mais uma pessoa de excelente conteúdo que ajudará, em meio a concordâncias e discordâncias normais de nossas vidas, a dar um panorama em torno do Vasco que temos, do que podemos e do que queremos!

4º) Gostaria de registrar meu grande abraço aos companheiros Eduardo Canellas e Daniel Freitas, da Rádio Mitos da Colina, que tive o prazer de lhes conhecer no jogo entre Vasco vs Coritiba, na última quinta-feira! Estamos juntos nessa empreitada, estimados!

5º) Na próxima terça-feira, o clube com a história mais bonita do mundo completará 114 ANOS DE VIDA! Não são somente 26 anos conforme sugerem alguns e tampouco 4 anos como sugerem outros: SÃO 114 ANOS DE GLÓRIAS, VITÓRIAS E DE TÍTULOS QUE MARCAM, E NÃO DOS “QUASE” TÍTULOS! PARABÉNS, GIGANTE DA COLINA! Será pelos abnegados e trabalhadores de “sua imensa torcida bem feliz” que não se conformam mais com o “quase” que irás continuar a nos dar alegrias! É olhar para o porvir e não para o que ficou para trás como referência às futuras conquistas que, se DEUS quiser, ainda virão! 

Acompanhem-me, também, pelo www.semprevasco.com todas às quintas-feiras quinzenalmente, e pelowww.webvasco.com às segundas-feiras!

 

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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