Cristiano Mariotti

Condenados ao "quase" até quando?

Perguntado em entrevista após o jogo contra o Fluminense, o diretor executivo de futebol cruzmaltino Daniel Freitas atribuiu a derrota categoricamente ao árbitro rubro-negro Marcelo de Lima Henrique e disse que o clube irá entrar com uma representação contra o mesmo pelos erros cometidos contra o time do Vasco no jogo desse último sábado. Na verdade, de nada adianta agora depois da partida quando a diretoria do Vasco já deveria estar atenta a esse tipo de situação que vem se repetindo faz tempo de um determinado árbitro que desagrada ao clube ser seguidamente escalado em nossos jogos. Evidente que, ao contrário do Vasco, o Fluminense já havia trabalhado nos bastidores entre declarações de seus diretores e de seu próprio técnico Abel Braga após o jogo contra o Atlético-MG e seu gol pessimamente anulado que lhe custa, hoje, a liderança isolada da competição. Tal fato é notório na revolta de Juninho após o jogo, em mais um recado direto como protesto (justo) à passividade como a diretoria do Vasco trata essas questões de bastidores, e que quando agem assim fazem fora de hora, de maneira errada, tal como o bizarro exemplo de nosso Presidente reclamando da arbitragem em um jogo contra o Atlético-MG em que fomos totalmente dominados e passivos em campo diante de um adversário muito superior e cuja arbitragem não teve influência alguma no resultado do jogo. 


O que poderia ter sido feito era uma representação antes, no mesmo dia em que o árbitro citado teve seu nome veiculado na mídia como escolhido para apitar ao jogo. Contudo, em mais uma prova de passividade e de não-reação às injúrias cometidas contra o clube, a diretoria do Vasco pagou para ver mais uma vez, em vez de se manifestar publicamente tal como outros clubes fazem sem medo de serem punidos e mantendo-se proativos contra situações que causam estranheza e que, no fundo, ajudam a coibir atos lesivos que o senhor representante do apito possa causar em campo.

O fator arbitragem e o silêncio dos omissos

Marcelo de Lima Henrique mostrou tendência a deixar o jogo do Vasco fluir em faltas próximas da área tricolor, ao passo que marcava qualquer tipo de infração de nossos jogadores perto de nossa grande área. Deixou de assinalar dois pênaltis claros a meu ver em nosso favor e somente anulou o gol de Fred por conta do seu auxiliar que conseguiu de longe enxergar a falta nítida do atacante tricolor que ele, da metade da distancia, não conseguiu. Foi complacente com a falta sobre Jonas na cobrança de falta de Thiago Neves que originou o gol da vitória dos rivais, ainda que não possamos isentar a culpa do mesmo Jonas em se deixar levar sem ao menos oferecer a reação necessária a uma tentativa de empurrão e a culpa de nosso goleiro, autor de uma barreira pessimamente armada.

Entretanto, o Presidente que pensa “pelo bem do futebol carioca” deve começar a semana, ao menos, aliviado pelo fato de um clube do Rio não ter saído da cola do Atlético-MG. O melhor resultado para manter as chances de um clube do Rio conquistar o Brasileiro era a vitória do Fluminense, já que o Vasco está muito distante do líder e nem possui a staff e o dinheiro que seu rival em mistura de clube com empresa de plano de saúde possui. Satisfeito pelo futebol carioca e reforçado pelas declarações de José Maria Marín que, entre outras coisas, trocou o Presidente da Arbitragem por suspeitar de dolo em determinadas situações, Roberto Dinamite deveria dar o mínimo de satisfação à torcida que ainda lhe apoia e cobrar o título Brasileiro que ele permitiu que Péricles Bassols e a FFERJ tirassem de nós em 2011.

Se associarmos à política pública, Marcelo de Lima Henrique é candidato a vereador em Itaboraí pela coligação PV-PSD-PHS, enquanto a coligação do partido de nosso Presidente – PMDB – é “Unidos pelo bem de Itaboraí”. Haja vista que somente agora poderá haver um protesto formal junto à arbitragem, creio que esta questão deveria ser citada. A ligação partidária de um juiz é algo que possa o afastar da imparcialidade, segundo o próprio Código de Ética e de Magistratura Nacional.

 

Fonte: http://www.eleicoes2012.info/marcelo-de-lima-pv-43000/

 

CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA NACIONAL

Art. 7º A independência judicial implica que ao magistrado é vedado participar de atividade político-partidária.

Fonte: 
http://www.cnj.jus.br/codigo-de-etica-da-magistratura 

Será que o mesmo raciocínio não vale para qualquer julgador? Até mesmo um árbitro de futebol?

De qualquer forma, Roberto Dinamite é deputado Estadual, aliado do governador e do prefeito, contudo é incapaz de usar sua aparente força política (?) para vetar Marcelo de Lima Henrique. Seu retrospecto em jogos do Vasco é vergonhoso. Em treze clássicos, somente duas vitórias, quatro empates e sete derrotas. Ainda assim, foi convidado (inexplicavelmente) para apitar a festa de despedida do Edmundo. É assim que o presidente Roberto Dinamite acha que vai mudar o mundo, convidando árbitro com este retrospecto para apitar jogo festivo, dando camisa do Vasco para a juíza que julgaria o caso Romário, entre outras atitudes ridículas que apenas envergonham aos vascaínos.

E as mesmas tais atitudes põem “uma pá de cal” a cada dia nas esperanças de um Vasco respeitado em todos os sentidos, e não somente nos resultados obtidos dentro de campo em um ano eleitoral em que o bom desempenho nesse esporte era altamente necessário afim de garantir sua reeleição e de seus pares. Ou seja, tal como a velha política de outrora, dever-se-ia prever nesse novo estatuto que houvesse eleições todo ano, pois só assim a torcida do Vasco teria garantias de times competitivos, ao contrário do sucateamento que nos resta para tentar ainda algo nesse campeonato.

Com a calma dos passivos

A aparente serenidade de Cristóvão Borges à beira do campo, tal qual um “dublê” de Oswaldo de Oliveira, é o retrato fiel de uma diretoria que vive das aparências, mas carece de conteúdo e proatividade. Sua serenidade, seu silêncio e seu discurso ponderado assemelham-se ao do Presidente quando fala em “bem do futebol carioca”. Assemelha-se à mesma calma do aluno que nada estudou diante de sua prova tendo nas mãos o fracasso e qualquer ponto conquistado é lucro, tal qual o Vasco e o que restou de time comandado por Cristóvão.

Não poderia haver treinador melhor para representar o Presidente Roberto Dinamite nesse momento do que Cristóvão Borges, que agora tem seu bode expiatório para justificar sua inexperiência. Se Roberto culpa a tal “herança maldita” pela falta de ousadia da diretoria que o mesmo representa, Cristóvão tem como pretexto a perda de quatro jogadores. Esquecem de que, mesmo com eles, o Vasco vinha jogando mal na maior parte dos prélios e apenas agora enfrentou adversários mais complicados. E que mesmo com aparente evolução, os mesmos erros detectados pelo time antes são detectados nesse momento, detalhes básicos de disputa, inclusive, para um time com elevada média de idade e que projeta a inexperiência de seu treinador.

Demora nas cobranças de falta permitindo a reorganização da defesa adversária, jogadores permitindo as cobranças de falta rapidamente pelo adversário sem matar os contragolpes do adversário, jogadores dando as costas para arremessos laterais, homem base da barreira sendo empurrado sem reagir, enfim, detalhes que desequilibram uma partida como a de sábado contra o Fluminense. Junte-se a tudo isso sua incapacidade de coordenar jogadas de treino tático e variações de jogadas durante os treinos e observado por quem acompanha aos mesmos agravada, agora, uma iminência perda de comando que pode se estourar a qualquer momento com a insatisfação do “ex-“ ídolo da torcida, Felipe, de não aceitar a reserva e sequer ter entrado em campo contra o Fluminense, preterido por Fellipe Bastos, jogador de confiança do treinador.

Derrocada já anunciada

Já se previa qual seria o destino do Vasco perante sua falta de planejamento em se fazer o básico e se repor as principais peças que saíram do time. Diante do notado desmanche – alvo de deboche de muitos que apoiam incondicionalmente a quem está no poder e não ao clube de futebol como deveria ser – NADA fora feito para se recompor pontualmente e com qualidade àqueles que se foram na “janela de transferências” internacional.

Não culpo aos jogadores que chegaram, mas não se pode negar que ainda que se esforcem, Auremir, William Matheus, Pipico e outros não chegam nem de perto a compor uma equipe titular que objetive o título como meta. Essa constatação pôde ser comprovada no penúltimo sábado (18 de agosto), quando nosso treinador declarou de forma imatura e irresponsável de que nosso time era de meio de tabela e que “chorar de barriga cheia DEUS castiga”. 

Não se pode, no entanto, cobrar dele tais declarações, pois se nem nosso comando de futebol consegue se entender sobre quem dirige o futebol do clube nesse momento, que dirá a torcida do Vasco poder confiar em uma pessoa inexperiente e sem perfil de líder nato como é Cristóvão para moralizar uma casa em compasso de desordem após tantas idas e vindas que, na verdade, constituíram no desmanchar de uma maquiagem, de forma a deixar a incompetência de se gerir um departamento de futebol em modo background após a saída do ex-diretor executivo e competente Rodrigo Caetano.

O fim do sustentáculo

Evidente que quando o time de futebol vence e conquista títulos, a torcida fica feliz e nem se lembra de uma série de pendências que o clube possui a resolver fora de campo. O desmanchar do time de futebol campeão de uma competição nacional que, para nós, foi inédita e quase campeão de outras que disputou desde então põe à prova até quando nossos dirigentes aguentarão a pressão dos vascaínos que sonham com títulos em formato de troféu concreto, e não em formato de vagas à Libertadores, como muitos tentam vender como forma de consolo ao pensamento pequeno de disputar para tentar levar algo somente, e não para ganhar conforme torcedores como eu se acostumaram a ver até o ano 2000.

Planejar 2013 desde já!

Em janeiro, Daniel Freitas concedeu uma entrevista ao programa semanal de rádio “Só dá Vasco” explicando que as decisões no clube passariam a ser tomadas, a partir de então, em colegiado composto pelo Presidente Roberto, pelo VP do clube José Hamílton Mandarino e por ele próprio, Daniel. Portanto, não adianta as pessoas quererem isentar o Presidente de culpa nesse momento, atribuindo somente à omissão de Mandarino e à inexperiência de Daniel Freitas. TODOS são culpados.

Independentemente do que venha a ocorrer a partir de então (em qual colocação chegaremos, não descartando a hipótese do título mas crendo ser MUITO difícil nesse momento e sem as devidas reposições cobradas por todos nós) acredito que, em meio a tanto amadorismo, o Presidente Roberto Dinamite – para mim, responsável maior por não valer sua voz em momentos-chave como Presidente que é e por consentir com a falta de plano de contingência como reação ao desmanche de um elenco – poderia começar a “virar esse jogo”, relegando a política pública ao qual emprestou seu nome para tentativa de eleição de um “apadrinhado” e pensando com vaidade em pró do Vasco, tal como uma relação de pai para filho sugere, em que o pai sempre quer que seu filho seja mais do que ele próprio. 

Roberto, com autoridade que jamais demonstrou ter a frente do Vasco em quatro anos, poderia começar a mexer pelo departamento de futebol, nomeando se for o caso um novo vice-Presidente de futebol compromissado, contratando um profissional bem mais qualificado do que Daniel Freitas, e já mapeando com esse o planejamento de nomes para jogadores e cargos na comissão técnica que venham a compor o plantel já para o próximo ano, mantendo o material humano de boa qualidade que ainda possui no elenco (Dedé, Douglas, Nílton, Wendel, Carlos Alberto, Juninho e Felipe) e reavaliando os demais, dispensando-se aqueles que sabemos que NADA produziram, até então.

Além disso e junto a esse diretor executivo futuro que venha a ser contratado na minha opinião, delegar maiores poderes a Humberto Rocha para alterar o que necessário for nas divisões de base (inclusive o incompetente Galdino, mentor de mais uma horrível goleada na Taça BH nesse domingo) e ORDENAR a utilização dos promissores jogadores de base junto ao técnico que venha a ser escolhido em substituição ao aprendiz oscilante Cristóvão Borges, autointitulado como “burro com sorte”, a quem foi lhe atribuída uma responsabilidade de remontar um time ao meio do campeonato sem material humano adequado quando, na verdade, nem isso ele estava conseguindo quando tinha opções ao seu alcance.

E, finalmente, que esse novo técnico possa vir com pensamento grande e novidades. Variações táticas, jogadas ensaiadas, experiência, postura e discurso convincente de que possa extrair do grupo de jogadores seu melhor. E que saiba trabalhar com jovens valores em concomitância com os mais experientes do grupo remanescente.

"Toque final": Recordar é viver...

Ainda que considere que não seja o melhor momento para comemorações, os quatorze anos da conquista da Copa Libertadores da América NÃO poderia passar em branco de minha parte. Deixo-lhes como "consolo" um vídeo que nos remete àquele tempo, àquela conquista memorável de um time com alma vascaína e de um a torcida que não se conformava com o "quase", e sim, soimente com troféus nas mãos.

http://www.youtube.com/watch?v=3pB1BlypT18



Acompanhem-me, também, pelo www.webvasco.com e às quintas-feiras pelo www.semprevasco.com , além da Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br em parceria com o programa "Só dá Vasco", do companheiro vascaíno Márcio Santos!

Cristiano Mariotti
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