Cristiano Mariotti

O constatar da "orfandade" no presente que remete ao passado!

Uma das coisas que muitas pessoas não conseguem discernir é apoiar incondicionalmente ao clube e ser cúmplice dos erros que ocorrem. De minha parte, meu apoio ao clube é incondicional, pois conforme escrevera em textos passados, o que importa é ser feliz e não em ser o dono da razão. 

Contudo e nesse momento em que as coisas podem caminhar para mais uma frustração, “entubar-se” os erros, pelo menos de minha parte, seria um desserviço pessoal no qual estaria prestando ao clube, afinal, a gente corrige A QUEM AMA. E essa grande decepção causada para toda a torcida do Vasco de ver um elenco no papel, hoje, enfraquecido para  a disputa pelo título plenamente possível com o time anterior em sua íntegra deve servir como parâmetro de como não se conduz um futebol profissional. Aliás, como já deveria ter servido de lição há tempos, desde o trágico episódio do rebaixamento em 2008. Outros tempos, contudo, semelhanças em comum: passividade e despreparo para replanejamento estratégico de um elenco de futebol.   

Ainda que os resultados desse último final de semana tenha sido muito bons com a vitória do time e os tropeços de seus principais rivais diretos rumo ao título, de minha parte não me iludo. O Vasco, mesmo na última vitória perante a Portuguesa no sábado, jogou muito mais na transpiração do que em qualquer inspiração tática e técnica. Deixou de ser diferente da maioria dos times entre medianos e fracos desse campeonato. 

Com o elenco que nos restou, mantenho minha opinião de que dificilmente chegaremos ao título, corroborando com algo semelhante deixado nas palavras de nosso treinador nas entrelinhas há duas semanas atrás. Mesmo que na sincera expectativa de estar profundamente enganado e que a abnegação e a entrega dos jogadores que ficaram sejam maiores do que a incompetência de quem nos preside. Tal qual 2011 (ano passado), em que jogadores e comissão técnica chegaram no campo, mesmo desamparados nos bastidores, sem representatividade.

Das cinzas, que se renasça para a vitória

Uma das minhas primeiras colocações logo em meu texto de estreia no SuperVasco foi de que o fim de um ciclo deve ser a chance para o começo de um novo tão bom ou ainda melhor do que fora o anterior, sendo que TODAS as partes devem ser reavaliadas. 

O primeiro grande passo para reconstrução de um trabalho e renascimento para as grandes vitórias é admitir-se os erros, mas acima de tudo, aprender com os mesmos e crescer-se através da reflexão sobre eles. Assim sendo, só dependeria da diretoria em repor para dar condições de título ao time ainda. Infelizmente no entanto, nosso Presidente ainda parece, ao meio das últimas declarações que denotam seu autoritarismo outrora encubado, ignorar essa oportunidade em contrapartida aos anseios de quem lhe confiou a Presidência do clube um dia.

Após o “choque de gestão” da maneira mais caótica possível, em julho de 2008, começou-se a ser “plantado” no Vasco um legado de reconstrução com profissionais como Rodrigo Caetano à serviço do clube de forma a dar, naquele momento, o mínimo de estrutura ao futebol para que frutos positivos pudessem ser colhidos de médio a longo prazo. A torcida “abraçou” a causa e foi junto com o clube, acima de tudo. 

Ainda que ninguém seja insubstituível, mas delegar as tarefas que eram executadas por esse mesmo profissional que se foi e nos deixou "órfãos" de sua competência profissional a outros sem o conhecimento necessário é, no mínimo, um gesto de irresponsabilidade de quem nos preside. Insistir-se com o erro é um gesto de falta de aprendizado ou, simplesmente, recolhimento à “zona de conforto”. 

Dinamite como Presidente tem o poder de nortear os rumos da instituição, mudando pessoas e delegando competência sempre que julgar necessário. Já presenciou fatos que comprovaram o fracasso de alguns que estão ao seu lado, seja por omissão ou falta de capacidade de gerenciamento. Portanto, se não realizou ainda as mudanças, a ele deve ser atribuída a maior parte da responsabilidade sobre o que vier a acontecer ao clube. Para o bem ou não.

Assumir posições

No mínimo, nosso Presidente deveria vir a público de forma mais humilde e menos irritado e dizer, ao invés do que disse na última quinta-feira disse que “aqueles que acharem que está tudo errado, que tem que contratar - e as coisas não são simples assim - que fiquem em casa” (Fonte: http://www.supervasco.com/noticias/dinamite-lembra-que-saida-de-jogadores-foi-por-vontade-propria-148968.html), que não houve planejamento e que ele e seus pares erraram, em uma aparente falta de reflexão e de percepção de que a omissão nas reposições à altura poderiam significar um retrocesso de um trabalho encaminhado. 

Tal gesto, inclusive, remete lembranças à torcida do Vasco da época do autoritarismo e da repulsão à mesma torcida, cansada de não terem suas críticas ouvidas pelo ex-Presidente, sendo um dos motivos para o desgaste da imagem do ex-dirigente ao longo do tempo. 

Como político que é, Dinamite contou com o apoio maciço da torcida do Vasco no processo de transição de poder em 2008 e em sua reeleição em 2011. Tal como na política pública em que o povo é somente referendado em épocas de eleição, ao que esse apoio em massa recebido é recompensado com ingratidão e descaso devido à sua falta de preparo ao não se retratar publicamente de seus erros cometidos, bem como de quem está ao seu lado. 

Definitivamente, o Vasco e sua torcida merecem bem mais do que ouvir tais palavras de desagrado, de separatismo e que confirmam a aparente falta de homogeneidade entre ambas as partes, ou que refletem a falta de equilíbrio de quem fez a promessa um dia que por um Vasco mais aberto e democrático.

No túnel do tempo

Sem Rodrigo Caetano entre sua posse em julho e dezembro de 2008, Roberto assumiu um departamento de futebol e, num gesto de desconstrução, dentre muitos funcionários demitiu Paulo Angioni (talvez pela proximidade com o ex-Presidente) e, em seu lugar, entregou a condução do futebol profissional aos despreparados Neca (demissionário pouco tempo depois) e Lancetta. 

Ao invés de contratações para reforçar um time fraco que ainda conseguia se sustentar em meio de tabela mas que se sabia que dificilmente chegaria ao topo, declarou que naquele momento o clube não teria condições de contratar em alto nível, em descompasso com seu anterior discurso político que prometia um time forte e ao lado de pessoas que prometia uma “fila de investidores” para satisfazer a tais anseios. Além disso e ao lado de seus pares, desqualificou seu elenco em entrevista e não teve a capacidade de manter jogadores importantes naquele momento como Morais e Jean (tal era a fraqueza daquele elenco limitado e que, ainda assim, o ex-Presidente declarou em seu programa semanal de rádio que o time era um dos melhores daquele campeonato). 

Em contrapartida e por um gesto de total incoerência nas tomadas de decisões (muito mais por cunho político do que por avaliação técnica, como era para ter sido feita), demorou a demitir Antônio Lopes também (talvez pela multa rescisória assinada pelo seu antecessor), mas ao invés de buscar um treinador de maior envergadura, apostou em Tita, tal como agora aposta em Daniel Freitas e em Cristóvão Borges – retrato fiel de uma política de apostas de risco e num momento histórico no qual a torcida, após muito tempo, precisa de resultados para compensar o período negro vivenciado outrora. Como “reforços” e tendo que fazer alguma coisa, contratou após muita pressão da torcida que clamava por reação jogadores como Baiano, Odvan (veterano e já em final de carreira), Fernando, Jhonny e Pinilla, como forma de tentar evitar a catástrofe ainda maior que estava por vir.

Tais fatos de outrora nos remete a uma analogia hoje. Sem pessoas realmente capacitadas ao seu lado, Roberto se vê perdido em meio a um mar de desentendimentos e discordâncias normais em qualquer convivência humana, mas que não conseguem construir com atitude e competência pró-Vasco. Está muito óbvio que a discordância entre sua figura e Mandarino (a quem não consigo delegar a maior parte da culpa, haja visto que até hoje, sua omissão durante esse ano de 2012 gera versões controversas) desde o final do ano passado acarretou na escolha de um profissional sem o devido gabarito para ser o diretor executivo do único departamento que ainda funciona no clube, que é o futebol profissional. 

Fracasso e recomeço

A opção por um colegiado (fracassado, hoje) ao seu lado para comandar tendo no “time” duas pessoas inexperientes em planejamento operacional (Daniel e Cristóvão) e outra omissa (Mandarino) reflete resultados que denotam amadorismo – o mesmo tão combatido por quem prega o profissionalismo como solução (me incluo dentre esses que assim pensam).

As contratações de jogadores como Pipico, Auremir e William Matheus (com todo respeito aos citados) em substituição aos que saíram recentemente e a desconstrução de um elenco vencedor de forma gradativa e sem perspectivas de nomes pontuais para suprirem suas faltas assemelham-se com aquele período do caos inicial em sua gestão. Tal aproveitamento, então nos últimos jogos e já com o plantel enfraquecido, estarrece ao mais pessimista vascaíno, que sonhou no início com a conquista.

Definitivamente, o tamanho da frustração da torcida é o reflexo da ausência de reação de quem fez uma torcida voltar a vivenciar dias felizes no futebol. Mesmo que a maioria desses empreendimentos tenha ficado no “quase”, tal como agora, em que se no começo o título era possível, hoje já há quem se contente com uma vaga na Libertadores. Pouco para as dimensões do Vasco e para os que criticavam que pensar assim era pensar pequeno e que, hoje, mudaram o discurso e aceitam com passividade a realidade. 

Como Presidente, o mínimo que se poderia esperar em atitude nesse momento por respeito ao Vasco e sua torcida era substituir as mesmas frases clichês no qual o torcedor vascaíno já anda farto por um discurso mais prático e objetivo, de mudanças necessárias e providenciais correções de rumos, de forma não somente a terminar esse ano da melhor forma possível (isso é sempre o que nos resta nos últimos anos) como também, desde já, planejar para que 2013 seja, de fato, muito diferente, sem o desmanche impune de meio de campeonato. 

E com reposições à altura: a começar pelo gestor de futebol profissional e com autonomia, competência e responsabilidade para construção, integrando os profissionais em uma relação mais estreita com a base, passando pela nomeação de um Vice-Presidente de futebol (se necessário for) com mais presença no clube, pela reavaliação do trabalho do comando técnico e pela busca, desde já, por acordos verbais de forma a encaminhar reforços para o próximo ano, além de maior aproveitamento de jovens advindos dos júniores que mereçam pontuais chances.

“Toques finais”: 

1º) Arbitragem: É interessante constatar a mudança  que houve no Comando da arbitragem e que passou despercebida. Na época que o Wright foi convidado para ser Ouvidor, estava claro que era seu primeiro passo para virar Presidente da CONAF. Ele se desliga, estranhamente, da sua empregadora e em seguida é convidado para ocupar tal cargo. Estava claro, também, que o Ouvidor viraria Presidente e a “toda poderosa” planejaria dominar a arbitragem tal como aparenta dominar, mas agora de forma não velada.  

Contudo, Alexandre Kalil – ao contrário de Dinamite, que não tem força política suficiente para vetos e para impedir que um árbitro que nos prejudicou em duas ocasiões no ano passado em jogos diferentes e contra o mesmo adversário, exerceu sua posição de Presidente ativo e comprometido, chiou junto à CBF e à CONAF e Wright foi vetado. Resta saber, agora, se o novo Presidente Aristeu Tavares, que entrou como Ouvidor e agora virou Presidente, entrou para desempenhar o mesmo papel.

2º) Protecionismo: Reparem na matéria publicada pela “toda-poderosa” em alusão à decisão da Taça BH de Júniores. Ao contrário dos noticiários relativos às perdas de finais de nosso clube, em todo o texto não há qualquer referência da palavra “vice” ao verdadeiro maior vice-campeão de todos os tempos. Confira!

3º) Para reflexão: "O juiz mostrou energia e controlou bem os ânimos, não tendo influência no resultado do jogo."Mesmo paralizando o lance em que Tenório entraria em plenas condições de empatar o jogo de forma bisonha, essa foi uma das frases da matéria em julgamento ao árbitro na edição de um de seus jornais no dia seguinte ao jogo Grêmio 2 vs 0 Vasco da Gama. Incrível, mas é verdade.

4º) Isso que é isenção? Dezenove de agosto: Flamengo 1 vs 0 Vasco da Gama. Percebam que atrás da baliza, um dos repórteres esportivos comemora o gol de Vágner de forma não velada. E que, passadas duas semanas, NINGUÉM da imprensa esportiva comentou tal fato. É a tal ética profissional propagada pelos demagogos.

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Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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