Cristiano Mariotti

Pensar grande é agir como GIGANTE

A saída patética de nossos jogadores de campo após um VEXAME diante do Bahia – um dos times mais fracos do campeonato, porém com um mínimo de organização, comprometimento e respeito às suas cores – contrasta com a mesma saída dos mesmos cercando a Cristóvão Borges após o jogo contra o Lanús, em que tal como o jogo contra o adversário argentino, o mesmo foi hostilizado e naquele momento havia a aparente percepção de que o grupo estava com ele. 

Nesse momento de dor para nós, torcedores e sócios vascaínos que somos, o mínimo que poderia se esperar de um grupo mutilado em pleno campeonato era justamente o mínimo de RESPEITO por parte de quem nos representa em campo, que aliás desde já defendo que não são os maiores culpados por essa campanha vexaminosa pós-desmanche. Tampouco o treinador aprendiz Cristóvão Borges, que sustentava-se na coesão de um grupo e, ao que parece agora, perdeu seu comando de vez, dada a inoperância da equipe em campo. E que aliás, tal inoperância e incompetência são retratos de uma diretoria administrativa que perdeu completamente seu rumo na medida em que o trabalho deixado como “herança bendita” de nosso ex-diretor executivo Rodrigo Caetano fora desfeito, de forma responsável e sem o mínimo de esforço para sustentar aos sonhos de uma torcida, cansada de apanhar e que, hoje, testemunhou em São Januário mais um episódio triste em nossa história.

Dizer que o clube não tem dinheiro, que está quebrado entre outras coisas é a forma mais fácil de se esconder a incompetência, o despreparo e a falta de visão de quem se viu “órfão” de profissionalismo e de competência. É triste, mas ao Vasco resta, hoje, a sensação de descaso, de omissão e de falta de ousadia. Pois TODOS os clubes gigantes possuem enormes dívidas, mas só o Vasco é alijado de sonhar com contratações ousadas, ou no mínimo, contratações dignas de Vasco, e não os que chegaram (com todo o respeito a esses profissionais, pois não têm culpa alguma de serem contratados mesmo sendo fracos tecnicamente) para suprir a um grupo que, até a décima-primeira rodada, nos fez sonhar alto. Tal como escrevera meu companheiro Hélder Floret, a sensação de que nós realmente temos é que se um sheik deixasse uma mala com um bilhão de petrodólares, o Vasco ainda assim estaria devendo. E acrescento: e nada mudaria no time de futebol.

Entre frases pré-prontas e discursos políticos, falta ousadia e criatividade para quem diz não ter dinheiro para contratar. Ou quem sabe, falte dinheiro mesmo, e a cada dia mais escasso ao permitir que nossos rivais ganhem mais dinheiro de televisionamento do que nós, quantia essa distribuída perante os clubes oriunda de uma pesquisa por telespectadores no qual não conheço A NINGUÉM, até hoje, que a tenha respondido. Ou simplesmente, tomando como base uma sequencia de pesquisas de institutos que não reconhecem a capilaridade da torcida vascaína perante todo o Brasil, e que nos coloca na condição de clube provinciano tal como Grêmio e Internacional, por exemplo. Sustentar o discurso de que se está no G4 há quarenta e oito rodadas é muito bonito, mas omite-se que trinta e cinco dessas rodadas foram obtidas com o plantel construído ainda para a disputa da Libertadores. Da décima segunda rodada em diante, já enfraquecido, o Vasco está longe de fazer uma campanha de G4.

Aceitar a realidade é premiar a incompetência. Assim, pelo menos dentro do meu SAGRADO DIREITO DE EMITIR OPINIÃO é assim que enxergo: muito mais do que se vislumbrar por um, hoje, ilusório quarto lugar é admitir-se que a falta de plano de contingência e de reação por parte de quem nos dirige nos coloca em condição de coadjuvante, mais uma vez, ao invés de protagonista. É esconder por meio de discursos de conformismo a atual realidade de uma diretoria que não se entende faz tempo e que tal falta de homogeneidade reflete em seu time e torcida. Alguns “compram” esse discurso, muito mais por desconhecimento da realidade do que propriamente por pensar pequeno. O certo é que, para uma torcida que apoiou a transição de poder em julho de 2008, contentar-se hoje com o quarto lugar e da forma de com está sendo construído é a maior prova de que o conformismo chegou. 

Infelizmente, para o time que nos restou nesse fim de ano, manter o quarto lugar já é uma grande proeza, mas ainda assim, da maneira como o clube caminha nesse momento vai ficar inviável dentro de poucas rodadas. A não ser que uma mudança generalizada nas cabeças de quem nos comanda e nas atitudes de quem nos representa em campo possa acontecer, o que para tanto não será tão fácil dada as circunstâncias de como o Vasco é gerido, hoje.

Cristóvão Borges

Não é o maior culpado de forma alguma pelo atual momento, mas tal como todo ciclo de vida que tem começo, meio e fim, o de Cristóvão ao meu ver já se encerrou. Sua má decisão na escalação desse desastre, sua aparente falta de diálogo com seu treinador adjunto Gaúcho – fontes fidedignas me garantem que ambos não interagem – além da falta de postura firme para lidar com um aparente racha no plantel provocado, principalmente, por Felipe segundo o que apurei denotam uma mudança urgente no comando técnico do time.

Não é questão de Cristóvão ser mau profissional e nem de que ele, um dia, não possa vir a ser um treinador conceituado como, de fato, não é hoje. É questão de que não está mais “dando liga” em um grupo fraco e, agora, aparentemente desmotivado e rompido pelo egocentrismo de quem um dia consideramos como “maestro” imprescindível a um plantel. Também não é questão de considerar que, com sua troca, todos os problemas estarão resolvidos, até porque não estarão. Mas é considerar que algo precisa ser feito, e urgente. Conforme postara o Mestre Hélio Ricardo em sua rede social, o Vasco precisa de títulos, e não de uma planilha eletrônica de dados que, ao final, significam praticamente nada. Afinal de contas, Antônio Lopes e Joel Santana foram os técnicos mais vencedores da história recente do clube, quiçá de toda sua história. Contudo, qual é a porcentagem da torcida do Vasco que os quer (um deles) de volta ao comando?

Além disso e como profissional, Cristóvão precisa ser preservado, e O CLUBE em primeiro lugar, acima de tudo, acima de qualquer pessoa que seja Vasco ou que diz ser Vasco, mas que parece defender aos seus apaniguados em primeiro lugar ainda que o Vasco esteja se ferrando, e junto com eles, a paciência de uma torcida há tempos tão maltratada e que, diferentemente do que pensávamos, parece que teve somente em 2011 o “ponto fora da parábola”, ou um “outlayer” – termo técnico da Estatística para designar anormalidades dentro de uma cadeia de dados.

Sinceramente, não sei se Marcelo de Oliveira – bicampeão paranaense e com um ótimas campanhas em competições nacionais excetuando o atual campeonato – seria uma solução. Porém, é uma alternativa a ser considerada. Assim como   Jorginho (no futebol japonês nesse momento). 

Felipe

Ao que parece e segundo algumas fontes de torcedores e do próprio portal WebVasco via Facebook, a contusão de Felipe não o impediu de jogar futevôlei na praia em pleno dia ensolarado no mesmo dia em que seus companheiros estavam a se concentrar para mais um importante jogo desse campeonato.

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Assim como Cristóvão é retrato da desorientação, a se confirmar tal fato Felipe passa a ser o retrato fiel do descomprometimento de uma diretoria que lhe paga altos salários mas que não lhe cobra uma postura profissional – tal profissionalismo tão discursado em verso e prosa mas que reflete o mesmo amadorismo em se deixar uma equipe que teria tudo para competir pelo título ser desfeita impunemente. O certo é que Felipe aparenta não aceitar a perda de sua idolatria para Juninho, tal como Carlos Alberto não aceitou em meados de 2010 a perda de sua idolatria naquele momento para o mesmo Felipe. Para se jogar no Vasco, o mínimo que um clube representado por uma diretoria que reclama de “herança maldita” deveria exigir de quem lhe paga algo com muita dificuldade é RESPEITO à uma torcida formada em sua parte de torcedores como eu que lhe viram, quando jovem, ser campeão em cadeia em uma época de conquistas das mais significativas da história de nosso clube.

Daniel Freitas

Nunca foi e ao que parece nem será o diretor-executivo dos sonhos de clube algum. Tal qual Cristóvão Borges, foi alçado a uma fogueira, delegaram-lhe poderes que não são de sua competência e que nem experiência possui para isso. Não é por apadrinhamento que se substitui ao melhor diretor que foi-se embora, deixando um legado que ele, próprio, em conjunto com a diretoria, ajudou a desconstruir. O correto é que não poderia ser mantido no cargo, e caso seja, será mais uma prova de que os interesses pessoais por amparar a amigos e pares estará acima do clube. Felipe Ximenes e Nílton Drummond são exemplos que profissionais que estão longe de serem salvadores da pátria, mas que poderiam recompor com o mínimo de estrutura a um departamento de futebol vítima da inércia.

Roberto Dinamite 

Delega poderes, nomeia gente “de confiança” para os cargos, mas ao que parece ou não lhes cobra como deveria ou aparenta gostar do pouco que vêm produzindo durante esse tempo de orfandade minimamente profissional. Se esconde de dar entrevistas tal como ontem que recusou-se a falar em rádio e, quando falou ultimamente, mostrou o mesmo autoritarismo repudiado na era Eurico Miranda. Além disso, concentra um grande número de vice-presidências em poucas pessoas, aos invés de diluir de forma mais competente formando uma base mais sólida de sustentação de sua administração. Se não “tomar as rédeas” da situação, deixar de lado o apoio a amigos e pares políticos e passar a nomear com mais critério técnico tornará sua própria gestão asfixiada pela pressão de todos. Da torcida, inclusive, que ao que parece já acordou para a realidade e começa a enxergar a obviedade de mais um que está caminhando para chegar ao final de seu ciclo à frente do clube.

Mudanças na base

Conforme o SuperVasco por intermédio de meus contatos vinha batendo de primeira desde a segunda-feira passada, haveria mudanças de pessoas no comando da base. Humberto Rocha não resistiu e pediu demissão. Tive diversos contatos com nosso ex-diretor, sendo que o último deles na própria quinta-feira na hora do almoço em São Januário, por mera coincidência apenas, ocasião em que ele me confidenciou que estaria se desligando em uma reunião à parte da tarde, conforme houvera de fato.

Dentro do que apurei dele e de outras pessoas, confesso-lhes que teria entregado o cargo faz tempo. Humberto aparentou ter seu potencial sub utilizado e sem o merecido trato para um profissional de seu conhecimento. Submeteu-se à política de apadrinhamentos de certos nomes que nada acrescentaram ao seu trabalho (em especial, Galdino, que ao que parece e ao contrário do que todos pensam poderá inacreditavelmente  permanecer em outra função no clube mesmo com seu PÉSSIMO trabalho realizado), com esperança de demover ao Presidente de certas ideias em uma tentativa que, mais tarde, não só foi inócua como também o fez ser vítima de um processo de “fritura” dentro do próprio clube.

Mauro Galvão chega para seu lugar, a quem desde já desejo muita sorte ao leme. É meu ídolo e de todos os vascaínos que testemunharam uma época gloriosa em nosso clube e tendo-o como um dos líderes de um time inesquecível. Contudo, de nada adiantará empenhar seu nome como forma de credibilidade à frente de um setor tão criticado no clube se não houver, de fato, mudanças de pensamentos com relação à filosofia de trabalho, mais PROFISSIONAL e menos paternalista e submetida.

De forma mais direta, o sucesso de Galvão está diretamente relacionado a ter AUTONOMIA para comandar, delegar tarefas, cobrar por resultados com prazos estabelecidos e mexer com certos cargos ou afastar a quem não quiser trabalhar ou a quem quiser somente usufruir a base como “troca de favores”. Do contrário poderá ter o mesmo resultado de Humberto Rocha, não resolvendo de fato o que é de urgência. Resta saber se o Vasco através de nosso Presidente Roberto Dinamite estará propenso a dar outros rumos e a conduzir o trabalho com mais competência ao invés de ficar somente mudando os nomes sem que o real problema – que é a forma não comprometida da utilização da base como geração de talentos –  seja atacado.

“Toques finais”

1º) Sob a alegação de que o Vasco não precisava de lateral-esquerdo, deixamos de contratar um lateral-esquerdo ex-Americano, Marcos Felipe, oferecido há mais de três meses ao clube, promissor e que cujo empresário não obteve resposta do clube até hoje, no autoengano de que Feltri e William Matheus seriam as soluções.

2º) Conversei com um empresário que ofereceu ao Vasco um lateral-esquerdo chamado Rafinha de vinte anos a preço irrisório. Sua proposta está nas mãos de Dorival Júnior, do Flamengo, segundo ele próprio. Não se trata de ser um novo “Carlos Alberto Torres”: apenas que a torcida do Vasco saiba da verdade se, um dia, um desses dois citados vier a “estourar” em um grande clube.  Seu vídeo está postado abaixo para conferência se valeria ou não a aposta em uma jovem promessa em detrimento a jogadores que nós já possuímos hoje e que não estão dignificando nossa camisa.

3º) A voz da torcida é  A VOZ DE DEUS, pois sem torcida não há futebol na proporção apaixonante do que nós conhecemos. Fica abaixo, mais uma vez, o clamor de uma torcida que se acostumou a ver fracassos nos últimos tempos, ao invés de títulos.

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VAMOS MUDAR?

 

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Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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