Cristiano Mariotti

Impactos dos choques de consciência!

“Um time que perde da forma que nós perdemos não pode ficar impune. Alguma coisa tem que acontecer no clube”. 

Essa foi uma frase semelhante à dita por um membro do clube já com São Januário às escuras no último domingo, depois do VEXAME histórico (mais um, infelizmente) em nosso estádio perante um adversário minimamente organizado, apesar de ser fraco. A sensação era que TODOS corroboravam que o ciclo de alguns em São Januário já havia terminado e que a hora era de reavaliação e mudanças profundas, se fosse o caso.

Logicamente, não esperava que tal radicalismo nas mudanças partisse de nosso Presidente, Roberto Dinamite, pois não é de seu perfil chegar a tal profundidade e muito menos com pessoas que estão ao seu lado, algumas delas inclusive oriundas de sua composição política quando na época de eleição, mas que, ao que aparenta, alguns foram se desgastando ao longo do tempo e já não vinham participando com tanto afinco de sua gestão.  

É notório que os pedidos de demissão de Cristóvão (pioneiro, há quem diga que ele foi pressionado para tanto) e de Mandarino denotam claramente a consciência dos mesmos de que o melhor a ser feito era simplesmente eles se afastarem e deixar que o clube fosse à busca de uma restruturação. Eram, de fato, dois ciclos encerrados, bem como acredito de que haja outros no clube que merecem ter seus cargos reavaliados de forma a pensar NO VASCO em primeiro lugar. E sobre tais outros ciclos encerrados e mudanças para o bem do clube, para quem se interessar, eu falo detalhadamente no texto Pontuando mudanças postado nesse último domingo.  

Mesmo que por efeito reverso mas tal como nossa história de lutas árduas e superações a sangue, suor e lágrimas, o Presidente Roberto Dinamite tem a chance de dar, a partir de então, um novo rumo ao clube, ainda que considere que outros esportes merecessem maior atenção. Ao menos o futebol profissional e de base, que são os alicerces do clube e o que a torcida EXIGE que funcione com maestria e dignidade. Muito mais do que isso, que a torcida EXIGE que seja nele revividos seus dias de mais absoluta glória.

Mudança de hábitos?

A matéria publicada sobre uma possível interferência negativa no processo da modernização de São Januário em decorrência da saída de Nélson Rocha do cargo de VP de Finanças nos remete a uma reflexão sobre a distribuição de poderes dentro do clube. A começar, Roberto Dinamite como Presidente e político público do mesmo partido do governador e do prefeito do Rio de Janeiro – todos se dizendo vascaínos – deveria estar à frente e ser o MAIOR INTERESSADO desse grande legado que poderá ser deixado ao Vasco, ao invés de delegar essa função a outras pessoas, mesmo sendo essas de sua mais alta confiança.

Ademais, é inacreditável que Nélson Rocha fique sozinho nessa empreitada e que se personifique um projeto em suas mãos somente e que se dependa dele única e exclusivamente para se tocar um assunto que é de suma importância para o clube acima de tudo, como transparece para todos em tal publicação. Em um clube mais organizado, a substituição por outro coordenador ou pelo próprio Presidente seria algo bem simples e sem maiores polêmicas. Infelizmente no Vasco, teme-se que a centralização de um suposto projeto nas mãos de quem possa deixar seu cargo e um suposto não-acompanhamento de sua evolução acarrete na perda do mesmo projeto, o que seria lamentável e inaceitável para qualquer instituição séria e compromissada com sua torcida e com seu patrimônio no qual representa.

Muito mais preocupado do que com a mudança das pessoas, o Vasco deveria estar com a mudança de atitude na condução de seu ambiente de trabalho perante as novas pessoas que estão chegando e assumindo aos cargos deixados por seus anteriores. De nada adianta se trocarmos as peças de uma máquina e seu sistema continuar a leva-las ao desgaste. É necessário, nesse momento, um repensar em todas as áreas, sobre todas as funções e as delegações de poderes, com a formação de um grupo de trabalho muito mais coeso e interativo e menos dispersivo ou personificado, tal como aparenta ser o Vasco organizacionalmente hoje, com carência de abnegação e de material humano.

O Presidente Roberto Dinamite tem agora mais uma chance, mesmo que às avessas, de corrigir a um clube aparentemente desorganizado e com pessoas acumulando funções e vice-presidências, de forma aparentemente isoladas. Ao contrário de seu antecessor, falta a Roberto nesse momento articulação capaz de afastar a quem não queira trabalhar para o Vasco (seja quem for, até parente ou genro se precisar), dar limites e de diluir o poder perante novas pessoas que queiram trabalhar realmente pró-Vasco, refazendo seu ambiente político, reordenando as funções e fortalecendo sua gestão à frente do clube. Do contrário, poderá ter como consequência o isolamento ou acabar delegando poderes a pessoas que não estejam consigo na causa em favor do clube, e daí o desdobramento dos mais negativos para a instituição que é o que realmente interessa ao vascaíno.

Os rumos do futebol

Submetido a um velado processo de “fritura”, o atual diretor-executivo Daniel Freitas não precisaria esperar que chegasse até ele seu comunicado de realocação de cargo ou de demissão para que fosse mais um que se conscientizasse que seu ciclo em posse de um cargo que jamais demonstrou potencial para ocupa-lo já se encerrou. Componente de um colegiado declarado em discurso e nunca posto em prática com Cristóvão e Mandarino e ao lado de Roberto, Daniel é o último sobrevivente (ainda) do grupo responsável pelo término de um sonho e cujo fim demonstrou desprovimento de capacidade para se fazer o mínimo e reorganizar um elenco de futebol para que a torcida continuasse a desejar um, agora, utópico troféu de campeão dessa atual época.

Tal como o novo técnico de futebol em substituição ao anterior, Roberto deve buscar, agora, um novo diretor-executivo e tirar definitivamente a ideia de sua cabeça de se acumular uma VP de futebol, haja visto o exemplo do desastre em 2008 e com contornos parecidos com a falta de organização do Vasco hoje. A nomeação desses novos nomes para trabalhar em conjunto são de suma importância e que ocorra o mais rápido possível, de preferência com a mesma agilidade inédita nessa gestão com que contrataram o novo técnico para o campo de jogo.

E que, a exemplo de outros clubes que já se planejam em setembro ou no mais tardar em outubro, essa reformatação possa levar ao mapeamento de posições carentes e ao contato, desde já, com empresários por jogadores que estejam se destacando, apalavrando-os, firmando compromissos in off (pré-contratos) formais ou até mesmo verbais, a fim de que o Vasco aproveite a “nata”, ao invés de ir buscar depois a “xepa” do mercado da bola.

Cruzeiro 1 vs 1 Vasco da Gama

Leviano se julgar o trabalho de um treinador recém-chegado ao clube por um jogo só. Para termos uma ideia mais concisa do que será o time do Vasco daqui para frente, teremos que observar mais uns dois ou três jogos pelo menos. Contudo, é evidente que algo pode ser notado como diferente desde já. Ao menos a vontade de jogar ofensivamente e em busca do gol, mesmo fora de casa e com todos os desfalques, já mostra no mínimo uma mudança de atitude. Pode ser “fogo de palha” de time que recebe um novo comandante, mas que ao menos renova-se a esperança outrora quase perdida pelo baixo viés em rendimento de que, ao menos, uma das vagas no grupo da Libertadores poderá ser mesmo nossa. O que não me conforma: somente ameniza a dor pela perda da chance de título.

E tal mudança já havia sido constatada desde o jogo da última quarta-feira, diante do Palmeiras em São Januário. Bastou outro treinador interino levar a campo um time bem escalado, com simplicidade e se realizar as alterações mais óbvias em tempo oportuno para se averiguar o quanto, nesse caso, a mudança era realmente necessária. Tal como contra o Cruzeiro, em que dentro de seus limites e com exceção da escalação equivocada de Renato Silva, Marcelo de Oliveira escalou o que havia de melhor em suas mãos e o time rendeu. Jogou mais solto – inclusive Éder Luís sem o dever maior de marcar do que de atacar – e  com pensamento em busca do gol, valorizando a maior posse de bola que teve e criando mais oportunidades de gol do que em todos os últimos jogos desse mesmo time nas mãos de Cristóvão Borges. Enfim, depois de algum tempo jogamos bem e mereceríamos ter vencido. 

Desafio de Marcelo de Oliveira

Ao contrário da lamentável matéria produzida pela “Flapress”http://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2012/09/na-luta-contra-marca-de-vice-oliveira-destaca-apoio-e-numeros-no-coritiba.html  em mais uma tentativa de estigmatizar a nosso clube como “vice” atendendo aos interesses comerciais de seu protegido e candidato a uma vaga ao rebaixamento, considero Marcelo de Oliveira credenciado a uma oportunidade para emplacar em um clube de ponta tal como o Vasco.  Trata-se de um treinador que já trabalhou com jovens valores no Atlético-MG, desenvolveu ótimo trabalho à frente do Coritiba, mas cujo seu ciclo lá encerrara e que, em sua passagem, deixou dois títulos paranaenses, duas ótimas campanhas na Copa do Brasil e uma respeitável posição do Coxa no campeonato passado. É ascendente na carreira, tal como Gílson Kleina e Jorginho (do Bahia e também o ex-seleção brasileira)

Marcelo sabe, no entanto, que deverá trabalhar com as limitações de um plantel que ficou sem jogadas agudas pela direita com Fágner e com a criação sobrecarregada, praticamente, ao meio de campo. Além disso, sabe que terá que administrar questões de vestiário como, por exemplo, o egocentrismo de Felipe perante Juninho, o que considero ser, particularmente, uma enorme falta de bom senso da parte do meia-canhoto, visto que é experiente, já jogou com o mesmo Juninho em épocas das mais gloriosas na história recente de nosso clube e tem suas raízes e talento reconhecidos pela parte majoritária de nossa torcida. E que, tal como treinador vascaíno que é agora (clube GIGANTE do futebol), Marcelo sabe que será MUITO cobrado pelo seu trabalho e pelos seus resultados, tal como QUALQUER um seria. Obviamente e pelo menos de minha parte QUE COLOCO O VASCO ACIMA DE QUALQUER PROFISSIONAL, será digno de elogios e de críticas pontuais sob minha visão. 

Em tempo e diferentemente da formação de grupos dentro de um grupo maior – algo notório com o ex-treinador, junto com os novos ares trazidos em pensamento por Marcelo de Oliveira chega a esperança de que os jovens, finalmente, poderão ser aproveitados em substituição a jogadores como Pipico e Barbio que, com todo o respeito aos mesmos, tiveram inúmeras chances (Barbio especialmente, muito mais do que qualquer jovem da base) e não acrescentaram em nada ao time. As entradas de Jhon Cley e de Romário no banco de reservas e no decorrer do jogo em detrimento aos dois anteriores citados demonstra que, realmente, poderemos voltar a ter essa expectativa.

Toque final: Torcida do Vasco

Parabéns para a torcida do Vasco! Aquela que não se cala, que já não aceita mais as incompetências do presente com medo da volta de um passado igualmente incompetente com contornos diferenciados! Aquela que passou anos e anos aguentando a PÉSSIMAS campanhas, a ser chacoteada ao meio dos demais torcedores rivais, inclusive com um rebaixamento à segunda divisão, e que por conta disso, cobra A RESULTADOS ao invés de somente aceitar discursos vazios de conteúdo!

Tal como na política pública no qual deveríamos cobrar a nossos governantes com o mesmo afinco, a torcida do Vasco é a mesma em que pedimos para que seus membros virem sócios e ajudem, de fato, a impor suas regras a quem nos representa. Pois somos nós que pagamos ao clube em dia e que, por conta disso, exigimos o máximo de RESPEITO e DEDICAÇÃO ao nosso grande amor em comum. 

Não “compremos”, com isso, qualquer discurso “barato” de que viemos do poço, miramos a ele e nos referendamos como justificativa às incompetências do presente. Pelo menos para mim, o meu referencial de Vasco é o que esteve um dia no topo, a ele devemos nos espelhar e sustentar um discurso de constante progresso. E que tenho certeza de que a torcida do Vasco, em sua parte majoritária, assim também pensa e continuará SEMPRE a pensar.

 

Acompanhem-me, também, pelo www.webvasco.com  e às quintas-feiras pelo www.semprevasco.com  , além da Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br  em parceria com o programa "Só dá Vasco", do companheiro vascaíno Márcio Santos!

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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