Cristiano Mariotti

A referência do bem para o Vasco e as preocupações futuras!

Juninho Monumental
Crédito da foto: SuperVasco

“Voltei para jogar bem. Não era simplesmente para acabar minha carreira no Vasco”.

Foi com essa frase que Juninho Pernambucano resumiu em entrevista essa sua última passagem como jogador do Vasco logo após o jogo em que, mais uma vez, ele foi destaque e brilhou na vitória e na quebra de uma incômoda escrita de seis anos sem um triunfo diante do Figueirense, nesse último sábado (a análise completa de Vasco da Gama 3 vs 1 Figueirense encontra-se nesse link: A primeira vez de muitas outras que se espera!). Mais do que somente uma afirmação, serve para muitos como REFLEXÃO para aquilo que o Vasco da Gama precisa como clube, de uma maneira geral. 

Qualquer pessoa que queira assumir alguma coisa em suas vidas, por mais simples que seja, deve fazê-la bem, com esmero e dedicação, respeitando a instituição, a organização ou aquilo a que representa ou queira representar. Respeitando a si mesmo acima de tudo. O mesmo respeito, o mesmo esmero, a mesma abnegação, a mesma conduta profissional e a mesma dedicação que Juninho possui por nosso clube e cujo exemplo deveria se propagar a todos, até mesmo de forma inversa, hierarquicamente de “baixo” para “cima”.

Representar a um clube com a história mais rica do mundo não é pouca coisa. Juninho encanta a todos com seu preparo atlético e com sua vontade infindável de jogar por nosso amado clube. Assim deveria ser com todos: desde o mais humilde jogador a iniciar sua carreira até o Presidente do clube. Pensar exclusivamente NO VASCO antes de qualquer coisa. Ser mais um com o mesmo espírito dos abnegados torcedores, representados por pouco mais de cinco mil pagantes (infelizmente) que estiveram nessa última noite de um sábado, ao frio típico da colina histórica, a dar um pouco de crédito para quem ainda busca em campo resgatar algo que fora perdido fora dele por omissão e ausência de reação da diretoria administrativa do clube.

O correto é que a dignidade não pode faltar e que a luta, pelo mínimo que seja e ainda que seja insuficiente para quem poderia ter muito mais, deve permanecer até o último momento. A virada perante o Figueirense pode não significar muita coisa para quem sonhava com o título. Mas já é um sinal de reação, ao menos em campo, para um time que demonstrava-se sem alma, até o último jogo que fizemos em nosso estádio sob o comando de Cristóvão Borges e que significou, infelizmente, mais um vexame histórico. Página essa virada, naquele momento com vários ciclos já encerrados e, finalmente, evadidos do clube.

Mas com jogadores inspirados e ávidos por servir ao clube como Juninho é, quando ele se apresenta bem a alma do time ressurge. Senão na técnica do time em sua completude, pelo menos naquilo que em nenhum momento deveria faltar: luta, disposição e respeito. Muito respeito acima de tudo.

O novo velho modelo outrora criticado

Roberto Dinamite, ao que parece, assumiu de vez não somente o futebol, mas todo o clube como para si próprio, em uma prova de centralização de poder e regressão a um modelo administrativo criticado em Eurico Miranda na época em que representava com seu nome para Presidente a oposição do clube. No entanto e ao contrário de seu antecessor, não possui uma base de sustentação para as mudanças radicais e controversas que queira processar em sua gestão. Dinamite perdeu seu sustentáculo, se vê às voltas de anunciar nomes para as pastas que ficaram vazias, mas não consegue sequer ter certeza dos nomes mais adequados para cada uma delas. 

A maior prova disso é a possível escolha de seu novo VP de Futebol para trabalhar junto com seu apaniguado e, até então, fracassado diretor-executivo que ganhou sobrevida em premiação ao que nada fez. Estaria sua escolha mais para uma nova aposta do que se esperava de inve$timento em Neca do que propriamente uma decisão baseado no ponto de vista profissional técnico e de liderança à frente de um departamento órfão desde dezembro do ano passado?

Dinamite tem o poder de tomar as decisões que lhe julgar conveniente pelo bem do Vasco. No entanto e tal como foi no plantel de futebol, mostra-se menos preocupado do que deveria na tratativa das reposições do que perdeu ao longo de seus nove meses de retrocesso em sua gestão. Como Presidente que é, Roberto precisa saber ouvir mais a quem está ao seu lado, respeitando sempre o aspecto técnico em suas escolhas e relegando de uma vez por todas as escolhas meramente políticas. Para salvamento de sua segunda gestão, resgate de sua credibilidade aos que já não acreditam mais em melhorias consigo à frente e recondução do Vasco a um modelo de administração mais descentralizado e profissional, atribuindo os cargos a pessoas competentes bem escolhidas e cobrando-lhe os resultados que a torcida e os sócios que lhe elegeram esperam.

Mais um evadido...

A matéria reproduzida pelo SuperVasco da entrevista ao pai do ex-jogador da base, Cícero, retrata bem o que fora, até então, as categorias de base de nosso clube. Segundo o mesmo, “O Vasco queria renovar com o Cícero, mas pelas péssimas condições das categorias de base do Vasco, preferimos não renovar. Tivemos a proposta do Santos, inclusive com melhores condições de Santos e com melhores vencimentos. Com certeza foi a melhor opção”. 

Mais um duro golpe para quem era considerado o clube que mais bem tratava suas categorias de base. Uma real prova de quanto o Vasco poderá lamentar, em um futuro muito próximo, pela evasão de atletas que não suportaram o descaso do clube, tanto no ponto de vista estrutural quanto gerencial.

Além disso, outros atletas terão, em breve, seus compromissos vencidos. Dentre eles, os promissores Guilherme Costa e Yago. Isso sem falar em Marlone, que por algum mistério ainda não desvendado, vê até o desconhecido e nada identificado Dackson ser relacionado para um jogo, ao passo que a ele resta somente a equipe júnior, mesmo com sua idade quase estourada. Será que podemos esperar por essa virada, também, de pensamentos e recolocação do clube como digno formador de talentos? 

Sinceramente, a única coisa que tenho certeza é que somente o arrendamento do CT de Itaguaí e as competência,  idolatria e seriedade de Mauro Galvão NÃO serão suficientes se não houver um total repaginar nesse modelo. Falta enxergar a esse setor do clube com mais carinho e respeito à história propagada por Cyro Aranha, ex-Presidente, e seu lema de que “enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”.

A preocupante perda de identidade

“O clássico Fla-Flu é um jogo diferente”. (Abel Braga, treinador do Fluminense)

Entre bravatas e discursos vazios, a gestão Eurico Miranda deu uma conotação de violência nos clássicos entre Vasco vs Flamengo, algo muito criticado em sua época pela própria mídia em si. Na gestão de Roberto, a mais antiga rivalidade do futebol brasileiro foi completamente desestimulada e tratada de forma indiferente para quem poderia lucrar com seu retorno financeiro e em mídia, revivendo os épicos anos das décadas de 1980 e 1990, quando era considerado o “clássico dos milhões”. 

Nesse mais um dentre muitos vazios que ficaram em nós, vascaínos, está a frustração de a cada dia mais ver o clássico Fla-Flu ser mais bem propagado como a maior rivalidade carioca na atualidade, algo que até Botafogo, em sua posição estratégica de oposição ao clube da mídia, já tentara fazer e por muitos foi considerado assim entre 2006 e 2010. 

Como “prêmio”, mais um argumento para que o Maracanã no futuro seja gerido pela dupla “arco-íris”, que muito se assemelham em sua história e que, ao que parece, “abraçam-se” mais uma vez, em cumplicidade de forma inteligente nessa causa que para ambos mostra-se muito interessante. Principalmente para o Fluminense, que além do estádio poderá ganhar o posto de principal opositor ao rubro-negro, tal como São Paulo chegou a fazer diante do Corínthians e alijando ao Palmeiras no maior estado do país, e como o Cruzeiro conseguiu fazer diante do Atlético-MG, já na década de 1960, em exclusão ao América-MG em Minas Gerais. 

Coincidentemente ou não, hoje são esses (São Paulo e Cruzeiro) os clubes mais badalados, com maior representatividade e mais vezes campeões do que Palmeiras e América-MG, respectivamente, desde que assim se conseguiram posicionar. Por esse caminho trilha o Vasco, sem reação e sem tirar proveitos comerciais do que seria bom e interessante em se demonstrar forte em prática e em discurso como principal oposição desportiva a quem já possui o domínio natural dos veículos de comunicação. 

Como consequências, já tivemos um clássico Fla-Flu “centenário” em substituição a um jogo do Vasco para TV aberta nesse atual campeonato. Reflete-se, ainda, nos treze jogos transmitidos ao vivo que o arquirrival de outrora (Flamengo) teve nesse atual campeonato, ao passo que Fluminense teve seis e, ao Vasco somente cinco, tal como Botafogo. Terrível para exposição e divulgação da marca e captação de patrocínios mais bem sucedidos. Reflexos já sentidos no presente e que poderá piorar ainda mais em um futuro próximo.

Até quando iremos ignorar esses fatos, ou será que precisaremos, agora, de que o Fluminense tenha uma arrecadação maior em cotas de TV na próxima renovação de contrato para que, finalmente, acordemos para realidade cruel a que se desenha ao Vasco nos próximos anos?

“Toques finais”

1º) É MUITO IMPORTANTE que o estimado leitor vascaíno saiba que, independentemente do que venha a ocorrer num futuro próximo, existe um estudo de viabilidade para o complexo do entorno de São Januário feito pelo grande companheiro vascaíno e abnegado pela causa Marcelo Paiva em conjunto com outros companheiros que estão nessa grande empreitada de levar ao poder público o apelo popular da nação vascaína, para que esse projeto torne-se real e, dali em diante, não somente o Vasco como também TODA a população de São Cristóvão tem a ganhar com isso. Portanto, a campanha NÃO PODE PARAR enquanto não tivermos as dez mil adesões eletrônicas. Por isso e diretamente para quem não assinou ainda, pense NO VASCO ACIMA DE TUDO! O endereço eletrônico para assinar é http://www.webvasco.com/social/revitalizacao.html 

2º) Muito se badalou um jogo único remanejado de meio de semana entre um time fraco e um decadente nesse atual campeonato por conta de um ex-craque ainda em atividade que relegou de forma humilhante a camisa que vestia, dando um perfeito “pontapé” não somente na torcida que curtia sua idolatria artificial como também na mídia que lhe explorava sua desgastada imagem.

Procurei em vários cantos por algo que melhor representasse esse reencontro na última quarta-feira, mas o melhor que consegui foi a fotografia que compartilho com os leitores abaixo. Mesmo feito de forma inconsciente (?), penso que significa claramente o que o ex-R10 pensa de seu ex-clube.

R10 soando o nariz na camisa do Fla


A

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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