Cristiano Mariotti

Tesômetro zerado!

 

Tesômetro
Crédito da foto: Cristiano

“O Vasco joga hoje como se estivesse cumprindo uma obrigação de estar em campo” (Júnior, comentarista esportivo da Rede Globo).

Foi com essa frase que Júnior definiu a apatia e mediocridade do time do Vasco após tomar o gol diante do Corínthians, no último sábado, e sequer ter força para reação necessária. O que mostra, claramente, algo que aparenta há tempos e que, a cada jogo, se torna ainda mais latente: falta de vontade em defender às cores do clube. Jogadores fracos e desanimados, reflexos de uma diretoria que há tempos desestruturou ao departamento de futebol e desmanchou seu plantel, de forma passiva e sem a devida competência e planejamento para repor à altura. 

Sobre a mídia em especial, é até curioso um comentarista esportivo que deveria ser apartidário – tal como TODA imprensa de forma geral – de política clubística como Sr. André Lofredo (ao meio da transmissão do jogo Vasco 1 vs 2 Internacional) tentar justificar a falta de competência da diretoria administrativa do Vasco com o velho discurso de “dívidas anteriores”, sem mencionar outras tantas que a mesma foi capaz de fazer, trazendo-nos inclusive em uma dessas ao vergonhoso fato de faltar água em nosso estádio e ao não recolhimento de impostos que fizeram com que as cotas da Eletrobrás, até hoje, fosse retirada via manobra de se atrasar salários e recorrer-se ao sindicato dos clubes. Ao que me consta, Lofredo sequer é vascaíno e tampouco acompanha o balanço patrimonial e os trâmites internos do clube para que pudesse explanar algo daquele tipo, iludindo ao torcedor e tentando ainda ser um dos únicos “soldados de infantaria” da imprensa esportiva a “blindar” um Presidente aclamado outrora e que, de uns tempos para cá, preferiu o absolutismo presidencial a cercar-se de pessoas competentes, tal como estava e que por elas sustentava-se no poder de forma imune. 

Tínhamos um plantel de futebol e sabíamos que, naquele momento até final de 2011 e dada sua incapacidade de gestão, Roberto estava cercado por profissionais de grande qualidade a comandar, em especial Rodrigo Caetano no futebol profissional, além de um ex-VP de Futebol que muito lhe ajudou na formação dessa staff. Deixou-se levar, talvez, pelo gosto de querer mandar mais do que sabe e isolou-se, desmanchando a staff sem o esforço necessário para mantê-la e o mesmo esforço para repor à altura, dando indícios à derrocada prevista em sua gestão profissional. 

O primeiro semestre foi, de fato, o autoengano para todos: Presidente, “diretor-executivo” substituto, diretoria e torcida. Chegamos às decisões de turnos do Carioca, fizemos um papel digno na Libertadores e somamos pontos suficientes, hoje, para evitar o rebaixamento com o time ainda formado pela staff capitaneada por Rodrigo Caetano. Após o desmanche do time titular, os fatos comprovam que nossa campanha é semelhante e nosso destino seria, infelizmente, à segunda divisão se dependêssemos do que nos restou. 

Tal como são semelhantes outros aspectos: falta de comando, de planejamento, de pessoas competentes a ocupar pastas primordiais dentro da administração, de vontade aparente de MUITOS jogadores que hoje ficaram, passividade, inoperância e incompetência. Infelizmente para todos nós, vascaínos, hoje e pagando pelo seu próprio sentimento de vaidade vê sua administração voltar ao pó, da mesma maneira em que chegamos ao final de 2008. E tal como naquele momento, as dúvidas são muitas, e a ÚNICA CERTEZA de que TODOS temos é que 2013 terá que ser MUITO DIFERENTE.

A lástima do futebol e do clube

O time do Vasco, hoje, é o retrato fiel de sua diretoria e que vai se propagando a nós, torcedores, que assim vamos ficando: simplesmente, SEM TESÃO para construir nada. Sem vontade de se buscar alternativas e preferindo se apostar na própria sorte e torcer que, por ela, as coisas aconteçam naturalmente, no entanto, sem dar condições e um mínimo de comando necessários a um clube – mais especificamente, ao futebol. Passa a impressão de que há profissionais jogando de má vontade, tal como há quatro anos atrás. Pelos mesmos motivos enumerados anteriormente, soa como uma mescla de arrogância, ignorância e blindagem com miopia alguém se atrever a duvidar de que o caminho percorrido é o mesmo que nos levou àquele triste episódio presenciado em dezembro de 2008.

Com um elenco já enfraquecido, Marcelo de Oliveira substituiu a Cristóvão na esperança de que, ao menos em campo, pudesse segurar à iminente derrocada do grupo com uma mudança de filosofia de trabalho e de jogo (ofensivista) aliado a um pouco mais de entusiasmo injetado nos jogadores. Não deu liga, paciência! Tal como Cristóvão, Marcelo é o MENOR dos culpados, pois realmente não se consegue haver motivação com tanta desordem administrativa e atrasos de salários constantes, inclusive, sem perspectivas maiores de resolução e com os profissionais ainda a ouvir os mesmos discursos clichês que são passados à mídia. Isso SEM QUERER, de forma alguma, justificar a má disposição aparente demonstrada por parte desse grupo, pois conforme outrora já escrevera, quem não estiver satisfeito sequer deveria entrar em campo. A partir do momento em que entra, deveria ser digno, ao menos, de honrar o calção que veste.

Todavia e tal como Cristóvão (a quem criticara e ainda o considero, sim, um técnico aprendiz, sem hipocrisia de voltar atrás em algo que afirmara sem medo de emitir minha opinião), Marcelo também comete erros, principalmente por seu estilo ofensivo perante um time que não possui laterais e atacantes de grande qualidade. Em seu lugar e sem levantar juízo de valor por suas decisões, treinadores como Joel e Roth (por exemplo) iriam aderir a uma retranca, procurando evitar a derrota, primeiro, para depois procurar encontrar uma vitória. Em viés contrário, Marcelo tenta atacar enquanto seu time possui fôlego e afrouxa a marcação. Não sabe posicionar seus comandados defensivamente, e a maior prova disso são os gols que leva com sua defesa desarrumada, sem cabeças de área para combater e seus defensores em linha. Quando o time acaba o “gás”, o mesmo deixa de atacar, ficando passivo por uma aparente mistura de cansaço e conformismo. Uma lamentável falta de luta para mim muito nítida.

Por uma mesma sequência vexatória de cinco derrotas consecutivas, já vi Jair Pereira – um dos melhores técnicos daquela época e tricampeão carioca um ano anterior pelo nosso clube – ser demitido no Campeonato Brasileiro de 1995. Futebol é resultado e para um GIGANTE como o Vasco que há tempos castiga tanto a nós, torcedores, torna-se ainda mais imediatista, necessitando de vitórias e conquistas para já. 

Com isso e ponderando seus erros táticos com a FALTA DE TESÃO que alguns atletas aparentam, infelizmente nesse momento Marcelo pode não chegar sequer ao fim desse ano, a não ser que mude seu estilo e consiga ainda algum êxito nos jogos finais, credenciando-o a uma nova chance na temporada seguinte, começando um novo trabalho zerado e com outro elenco, diretor e VP de Futebol. O que sinceramente não creio, mesmo porque fica difícil imaginar, PRINCIPALMENTE, que os seus mesmos comandados que estão a jogar SEM TESÃO necessário irão assim recuperar o mesmo e se empenhar um pouco mais nesses últimos cinco confrontos.

Debandada desejada e replanejamento

Ainda que obtenha essa sobrevida para o ano seguinte, Marcelo precisará ter voz atuante para, junto a um possível diretor executivo DE VERDADE que venha a ser contratado e um novo VP de Futebol mais presente, mapear o plantel para o próximo ano à sua feição. Isso serve não somente para ele, e sim, para qualquer outro que possa substituí-lo. O tempo é que dirá se o Presidente assim vai preferir ou se continuará a observar tudo com o mesmo conformismo ao qual observara ao protesto de parte da torcida, de sua sala presidencial, no último jogo em São Januário. Tal como já fazia o ex-Presidente em tempos de “vacas magras”.

Sobre o plantel, de forma contrária ao desmanche mal quisto de meia temporada, se houver nesse final de época ao menos de minha parte será muito bem visto e apoiado com suas devidas reposições, logicamente. Em um esforço de boa vontade, excetuaria somente a Dedé,  Nílton, Wendel e Juninho para comporem, juntos, a base de um novo time. Ficaria com Alessandro e Diogo Silva (goleiros), Douglas, Fellipe Bastos e Auremir para compor elenco somente, junto com jovens que merecem uma chance tais como Luan, Dieyson, Renato Augusto, Marlone, Jhon Cley, Morano e Yago, e mais Dáckson por questão de bom senso, pois ainda não pudemos ver se serve ou não para vestir a camisa do Vasco. Buscaria negociar Éder Luís – mal e ainda por cima, mais um ingrato com uma torcida que lhe apoiou na época em que não era NINGUÉM como jogador junto ao time B do Benfica de Portugal. Devolveria Jonas ao Coritiba e liberaria Prass, Max, Fabrício, Renato Silva, Rodolfo, Feltri, William Matheus, Eduardo Costa, Felipe, Chaparro, Diego Rosa, Maicon Assis, Carlos Alberto, Alecsandro, Pipico e William Barbio para procurarem outros clubes.

Em uma configuração de novo time: GOLEIRO – LATERAL-DIREITO – Dedé – ZAGUEIRO – LATERAL-ESQUERDO – Nílton – Wendel – Juninho – MEIO-CAMPO – ATACANTE – ATACANTE. Mesmo sem saber, ao certo, se teremos articulação, boa vontade, competência e dinheiro para contratarmos em bom nível, arrisco dentro de uma realidade e sem maiores vislumbres a escalar um novo time para a próxima temporada: HÉLTON; CICINHO, DEDÉ, MANOEL (OU HENRIQUE) E DIEGO RENAN; NÍLTON, WENDEL, JUNINHO E BRUNO CÉSAR; VARGAS (está preste a ser emprestado pelo Napoli a outro clube qualquer, pois ao que parece sequer vem atuando) E TENÓRIO.

Alguém se habilita a dar sugestões para um possível novo time formado em meu pensamento? Desde já, aceito sugestões.

Nova “renúncia” em favor do Vasco?

Calçada, Eurico e Roberto Dinamite

Juro para os estimados leitores que NÃO soube de nada com antecedência do que ocorreria na última reunião do Conselho Deliberativo. Até mesmo porque nosso ex-Presidente estava, até então, fechado com seu grupo e propenso a REPROVAR as contas de 2011, tal como bravateou até um dia antes. No entanto, pareceu como um “dejavu” meu último texto Eu abro mão! E os senhores?! em que exemplificava o caso da união entre o mesmo ex-Presidente e Calçada e que, conforme registra a história, resultou no período de conquistas esportivas que elevou ainda mais nosso nome e nossa autoestima vascaína.

Ainda que tenha muita gente que custe a acreditar que possa, de fato, ocorrer, creio que o fato de Eurico ter voltado atrás e tomado a atitude de aceitar o prazo para que o balanço fosse refeito pode ser uma mostra de que algo desse tipo possa ocorrer, embora de momento a mim é garantido por pessoas influentes e próximos ao Roberto de que essa chance hoje É ZERO. Para que fosse possível segundo essas mesmas fontes, há de existir ainda o depurar de muitos “porém” que ficaram com o tempo de “guerra política”. Portanto, o que vou escrever adiante é baseado SOMENTE em minha opinião pessoal.

E mesmo que o ex-Presidente desminta, tal como deu a entender em sua entrevista na última sexta-feira para Rodrigo Campos na Rádio Manchete 760 AM, é bem verdade que Eurico muda de opinião, sim, tal como já mudara várias vezes em sua carreira política, e de minha parte NÃO ESTRANHARIA seu retorno para ocupar algum cargo dentro do clube, caso conforme escrevera, todas essas divergências  fossem equacionadas. Assim como não estranharia que ele, de última hora também se fosse realmente convidado, declinasse de sua ideia e mantivesse sua postura intransigente, bem como a Roberto tivesse igual postura e mesmo sem suporte político para tocar ao clube.

Outrora somente utopia, será mesmo que essa união poderá ocorrer, ainda que seja no futuro somente, renunciando ambas as partes aos seus egocentrismos, vaidades e reescrevendo, agora lado-a-lado caso se concretize, uma nova página (feliz, ao que desejamos) na história do Vasco? E até mesmo, aproveitando-se de ocasião oportuna em que Roberto possa visualizar na figura de seu opositor a chance de resgatar-lhe da “ilha deserta” no qual suas atitudes lhe meteram, recorrendo a Eurico da mesma forma em que recorreu um dia para se eleger, pela primeira vez, na política pública, mais precisamente em 1992, nas eleições municipais daquela época?

Honestamente, somente desejo de coração que caso ocorra, essa união SEJA POR PRINCÍPIOS, e NÃO POR INTERESSES! Traduzindo: QUE SEJA PRÓ-VASCO! Pois uma coisa ninguém pode negar, ainda que não se queira: Eurico tem nome forte nos bastidores e poderia, com TODOS em convergência de ideias e de interesses, ser o representante e o articulador do Vasco nesses nebulosos bastidores do futebol, junto às entidades esportivas: FFERJ, CBF, CONAF etc. Tal como já fora atuante na época em que era VP de Futebol, e que se tivesse renunciado naquele momento à sua vaidade pessoal de ser Presidente sairia de cena como o maior defensor da história do clube, sem sombras de dúvidas.

O mundo dá voltas! Na política, então...

Calçada vs Eurico-Roberto

Calçada vs Eurico-Roberto

É notório que terá MUITA gente estarrecida caso algo desse tipo venha a se confirmar daqui a um tempo. Entretanto, quem sabe um aparente retrocesso não culmine em um avanço? Conforme SEMPRE defendi em ideias, se for PARA O BEM DO VASCO, TODAS as vaidades, intrigas do passado, revanchismos políticos e sentimentos de separatismo devem ser deixados de lado, reorganizando ao clube politicamente e o fortalecendo contra nossos “verdadeiros inimigos”. Além disso, NADA na política é impossível. E a história registra tudo...

A Revista Placar publicou em 04 de junho de 1982 uma matéria em que Roberto Dinamite, artilheiro e ídolo do clube, era defendido por Eurico Miranda - acessor do Presidente Alberto Pires Ribeiro - contra as pretensões de lhe negociar vindas de quem viria a ser no futuro o "maior Presidente da história do clube" para muitos e hoje aliado do Presidente Roberto Dinamite, Antônio Soares Calçada. Para quem ainda não acredita que alianças tidas como impossíveis possam ocorrer.

 

 

 

 

“Toques finais”

1º) “O Vasco é mais do que um time de futebol!”. Tal bravata era utilizada em tempos do ex-Presidente como forma de “blindagem” e justificativa para um time fraco dentro de campo que, durante anos, tivemos que aturar e que, por ele, passamos vexames e vimos nosso sentimento ficar recolhido à insignificância proporcional aos resultados que o time de futebol apresentava. Afora esse caso, concordo inteiramente com essa afirmativa. E mais: que ao invés de uma bravata, seja o pensamento para que o clube não fique reduzido ao VASCO FC, coisa que sou totalmente CONTRA. Que possam fazer dessa frase no presente não uma forma de justificar aos erros como no passado, e sim, um incentivo para que Remo, Basquete, Marketing, Patrimônio e outros setores do clube cresçam e se fortaleçam, com trabalho sério de quem realmente quiser e puder ajudar ao clube por abnegação.

2º) Gostaria muito de parabenizar às ações de Marcelo Paiva, André Pedro, Marcus Simonini e toda a galera que está lutando pela Revitalização do Entorno de São Januário, no qual se concluído deixará um forte legado ao clube e à população de São Cristóvão de maneira direta, bem como à toda população carioca de forma indireta! E obviamente, agradecer-lhes pelo reconhecimento que estão tendo com o SuperVasco como veículo que, incondicionalmente, “abraçou” a essa causa e que foi reconhecidamente por eles como u dos veículos fundamentais para que mais de seis mil assinaturas fossem alcançadas em menos de vinte dias de divulgação, acrescentando-as às pouco mais de quatro mil que já existiam! Agora, é a diretoria do Vasco zelar pelo apelo da torcida e que, ambos, possam fazer pressão junto à mídia e às autoridades, para que o desejo possa virar realidade.

3º) Confesso-lhes que esse foi, disparadamente, o texto mais difícil de eu escrever, desde que entrei ao projeto SuperVasco. Muitas são as incertezas, tal como a da possível união no clube entre o atual e o ex-Presidente e tantas informações desencontradas ao meio dessa informação que pode ser fatos concretizados, sondagens e até mesmo factoides. Independentemente do que vier em breve espaço de tempo, deixo-lhes a seguinte mensagem postada pelo companheiro Carlos Leão em seu Twitter ao outro companheiro Renner Monnerat (e que me serviu de inspiração, também, para ir em frente e chegar até aqui) para reflexão de todos: “@carlosleaojr @RennerMonnerat Isso! Independente da corrente que se simpatize, o foco de que somos Vasco antes de qualquer coisa não pode se perder.” Se fosse no Facebook, eu curtiria essa com todo o prazer, companheiros...

Acompanhem-me, também, pelo www.webvasco.com e pelo www.semprevasco.com  além da Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br em parceria com o programa "Só dá Vasco", do companheiro vascaíno Márcio Santos!

Cristiano Mariotti

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Sigam-me pelo Twitter: @crismariottirj

 

cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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