Cristiano Mariotti

Colheita maldita!

 

Roberto Dinamite
Crédito da foto: Uol Esportes

Há momentos em que nosso discurso torna-se cansativo, repetitivo e que nada acrescenta em novidades para quem nos acompanha toda semana. São sempre as mesmas críticas, os mesmos avisos, os mesmos erros que enxergamos e que tanto irritam a nós, torcedores, ao ponto do estimado leitor pensar que não temos nada de bom que possa ser descrito e que nós, supostamente, gostamos de profetizar a chegada do “Apocalipse Vascaíno”. Isso a cada semana, a cada novo vexame dignos dos tempos em que essa mesma diretoria outrora oposição tanto criticava. Vide os exemplos para XV de Novembro de Campo Bom (2004) e Baraúnas (2005) e o exemplo do que ocorrera nesse último domingo e, coincidentemente, pelo mesmo placar. Ou seja: novos são os tempos, velhas são as práticas. Em ambas as épocas, a evidenciada falta de DIGNIDADE e de VERGONHA na cara de quem nos comanda.

Asfixiado politicamente, Dinamite colhe aquilo que plantou desde o início do ano, ao querer assumir as rédeas do futebol do clube ao aceitar com passividade a saída de seu ex-diretor executivo de futebol sem a devida reposição em qualidade à altura. Dinamite paga uma salgada conta pelo seu principal erro dentre muitos, que é não aceitar a opinião de quem lhe queira ajudar, ao passo que, de forma contrária, aceita daqueles que NADA acrescentam institucionalmente e que NADA provêm em qualidade para agregar à sua gestão. Ao invés de optar por quem  sempre esteve ao seu lado, prefere o protecionismo a quem NADA deveria opinar no clube e, tal como seu antecessor, o caminho do isolamento, com a grande diferença de que não possui “know how” mínimo para gerir nada, tal conforme nunca geriu em sua vida, haja vista que consta na história que sequer seus contratos eram, por ele, negociados na época de jogador.

Dinamite teria TUDO para contar uma nova e diferenciada história e fazer parte dela como Presidente que devolveu à dignidade ao clube nas disputas esportivas, pelo menos no futebol profissional já que, em outros esportes bem cotados como nosso esporte-raíz Remo, já não obtemos êxito desde que assumiu ao poder, por exemplo. No entanto, não reconhece suas próprias limitações e relega ao apoio de quem ainda quer salvar sua gestão. Por ser o Presidente eleito e por sua postura de intransigência mesmo defronte o caos que se instaurou é, sem dúvida, o ícone da desconstrução de ilusões de que o Vasco estaria voltando a ser um clube respeitado consigo ao leme. Bastaram dez meses de erros de escolhas equivocadas e omissão aliada com sua passividade e morosidade já conhecidas para que  tudo que há de errado se evidenciasse perante todos; para que retrocedêssemos e voltássemos a testemunhar dias de trevas, de desesperança e desilusão pelo que seria. Sem dúvida, um triste fim de temporada com perspectivas nada animadoras, nesse momento, para o próximo ano.

Questão de ordem

É ingovernável para qualquer departamento de futebol conviver com quarenta atletas profissionais no elenco, sendo que a grande maioria, com todo o respeito, de qualidade muito discutível para o que o Vasco precisa. Tudo isso faz parte da colheita de uma falta de planejamento à altura, o que só reflete a escolha errada em se intrometer no futebol, colocando um despreparado para ser diretor-executivo e desestimulando com suas atitudes seu, até então, VP de Futebol de continuar a comandar ao clube. Para 2013, no máximo um elenco com vinte e cinco atletas, incluindo profissionais que fiquem (poucos para mim, conforme já escrevera), jogadores que venham a ser contratados e aproveitamento de alguns da base. De forma bem objetiva: tudo o que nós NÃO tivemos nesse final de temporada deveremos ter ano que vem: um time dotado de, entre outros nomes para resolver a posições carentes, um camisa UM e um NOVE confiável (Prass para mim é ciclo encerrado, tal como Alecsandro).

As chegadas de Cristiano Khoeler e de Paulo Pelaipe para o comando do futebol seriam um bom recomeço, mas o clube precisa ainda de um VP de Futebol que faça as cobranças necessárias para a Presidência e que equilibre os interesses dos empresários com os interesses do clube. Para todos os profissionais, a Presidência deveria lhes dar garantias de pagamentos pontuais dos salários mensais, enxugando a folha e equacionando as dívidas que o clube possui. O Vasco não é ingovernável pelas dívidas, mas ficará pela falta de crédito junto aos empresários e clubes no mercado da bola se realmente optar por seguir o caminho da deseducação e não negociar com seus credores, de forma a diluir o passivo ao longo dos anos e trabalhar com duas folhas de pagamento: uma para cumprimento das dívidas renegociadas com cada um de seus credores e outra para os profissionais. 

Questão de respeito

Em entrevista coletiva na última terça-feira, de forma presunçosa o Presidente vascaíno proferiu a seguinte frase:“eu duvido que haja alguém mais honesto aqui no Vasco do que eu”. No mínimo, uma afronta para seus pares que lhe apoiaram por tanto tempo, que através deles Roberto foi alçado ao poder no clube. Uma falta de respeito com o associado vascaíno (comigo, inclusive), seja conselheiro ou não, que paga seus ingressos e suas mensalidades em dia, compra uniformes oficiais licenciados do clube todo mês, muitos deles de franquias que estão ligadas aos seus parentes, pares políticos ou agregados e que, ao clube e à sua torcida, em “grande prova” de respeito, credibilidade e transparência não são passados os valores de quanto o Vasco arrecada mensalmente por elas. Uma falta de respeito ao torcedor em geral, que se desdobra para consumir produtos da marca Vasco e que não possuem qualquer tipo de negócio envolvendo o nome do clube. Uma falta de respeito pelos ex-Presidentes, beneméritos e grandes beneméritos que fizeram MUITO mais para o clube do que ele fez, afora seus serviços bem prestados e bem pagos na época em que era jogador do Vasco.

Aliás, o mesmo respeito que lhe falta ao dar essa declaração é o mesmo que lhe falta ao expor o clube ao ridículo com contratações como a de um desconhecido que sequer sabe-se de sua competência e procedência e apresentado como suposto novo diretor do clube, em março desse ano, e que sequer chegou a trabalhar de fato. O mesmo respeito que lhe falta é o que falta ao deixar o clube sem água e seus empregados sem pagamento, sem dar-lhes o devido esclarecimento necessário. É o mesmo respeito que lhe falta ao torcedor ao desmontar um time que tinha TUDO para brigar pelo título e que, “pelo bem do futebol carioca” ficará nas mãos do Fluminense, nosso rival e que nesse passo, já toma de nós o posto que ostentávamos há tempos, sendo possível inclusive que faça a festa e dê a volta olímpica pelo seu título perante nós, na última rodada. Enfim, é o mesmo respeito que falta com toda a torcida ao dar uma entrevista evasiva, cheia de frases prontas e gerundismos conforme já se esperava de quem nada tem a dizer de bom e cuja pressão lhe obriga a falar algo para a quem lhe delegou o cargo, com todo o apoio tal como se fosse um “Messias”. Sobram frases clichês e faltam-lhe explicações. 

Regressão às velhas práticas

“Os protestos da torcida do Vasco, fato recorrente em São Januário no segundo turno do Campeonato Brasileiro, ganharam ares de caso de polícia neste domingo, após a derrota por 3 a 0 para o Sport. Um grupo pertencente a uma organizada se posicionou nas cadeiras sociais do estádio, a exemplo do jogo contra o Inter, há dez dias, e reclama de ter sido expulso por seguranças do clube após intensificar as críticas no segundo tempo. Ao se recusarem a sair, por serem sócios e terem pagos ingresso, os cruzmaltinos alegam que foram agredidos. Dois deles foram à 17ª Delegacia, em São Cristóvão, para prestar queixar contra supostos furtos e fazer exame de corpo de delito. De acordo com o presidente da torcida, Davidson de Mattos, a Polícia Militar até evitou o pior ao improvisar um corredor para que a saída fosse menos confusa. Isso tudo aconteceu antes mesmo do fim da partida. - Fizemos um protesto pacífico, ninguém xingou, só falou da péssima administração. Além das agressões, segundo eles a mando do presidente (Roberto Dinamite). Foram roubados alguns dos celulares do pessoal. O mais incrível é que o Gepe teve que abrir espaço para sairmos. Queriam impedir nossa circulação no estádio, mas isso não existe, não vamos aceitar - afirmou Davidson, historiador de 46 anos, que é sócio-proprietário do Vasco. (...) Procurado para se manifestar a respeito das acusações, Dinamite manteve seu telefone celular desligado durante a noite.” (Fonte: Globoesporte.com) 

Infelizmente, esses relatos relembram-nos algumas das velhas e lamentáveis atitudes presenciadas na época do antecessor, inclusive, sendo o mesmo Presidente atual vítima de uma ou mais delas na época em que militava com seu nome no grupo político de oposição. É inacreditável que os anos passem e que as mesmas torpezas – outrora usadas como campanha política e relembradas nas entrelinhas em tal evasiva entrevista coletiva de Roberto – sejam repetidas, bem como outras de suas atitudes que denotam total regressão a um modelo no qual até a mídia, em parte na época, tomou partido para que fossem expurgadas do clube. Até quando viveremos de um discurso demagógico de pseudodemocracia se não somos capazes de vermos sinceridade nas atitudes de quem lhe sustenta como verdade?

Rugby 2016: A história irá cobrar 

A conta pela perda da chance do clube fazer história, mais uma vez, sendo o pioneiro em abrigar uma competição internacional e oficial do Rugby em nosso país pode ser cobrada do prefeito que se diz vascaíno, do Presidente do COB e da inerte diretoria administrativa, que já sabendo o clube que poderia ser preterido não tomou as providências necessárias, deixando para entregar um projeto no último dia, como que aparentasse já que não queria saber do esporte em nosso estádio. Não que fosse uma coisa primordial para que as obras do entorno e no próprio complexo esportivo de São Januário saíssem do papel, mas sem dúvida alguma era um forte propulsor para que se andasse com agilidade. Nesse contexto, considerando que a época de eleições passou e que nosso prefeito reeleito nada tem mais a perder, muito menos em uma região como São Cristóvão que, para ele prefeito (a verdade, infelizmente é essa) NÃO É interessante de investir por possuir uma população de aproximadamente 26 mil pessoas e um colégio eleitoral muito pequeno, é natural que  se imagine que esse projeto de revitalização tenda a cair no ostracismo. Infelizmente.

Quanto à questão do estádio, a declaração de nosso Presidente que disse que “o clube deveria arcar com cerca de 39, 40 milhões para esse projeto” torna-se motivo de contestação, já que o preço para que o novo estádio saia do papel é de MUITO mais do que esse. Contraditório e, por que não dizer, de uma tamanha falta de raciocínio. Realmente, uma história até o momento MUITO MAL explicada para mim. Digna da transparência de quem a prometeu um dia.

Mais estarrecedor ainda e tal conforme já escrevera é ver que Governador, Prefeito e Presidente do Clube que se dizem vascaínos NADA de maior repercussão terem feito durante todo esse tempo para cooptar o COB e fazê-lo cumprir algo que fora tratado com o clube em um passado não tão distante. Nesse cenário e ainda que tentem reverter essa situação (NÃO acredito), parabenizo à todo grupo voluntário que, com abnegação e de forma contrária à diretoria passiva e inoperante, fez DE TUDO e BRIGOU pela causa até o último suspiro, e que ainda pretende continuar essa briga, muito mais inglória agora: André Pedro, Marcelo Paiva, Marcus Simonini e Raimundo Almeida, entre outras mídias vascaínas (dentre elas, o SuperVasco), que compraram essa causa.

“Toques finais”:

1º) Conforme lhes escrevera já em alguns textos e assim como Cristóvão Borges, Marcelo de Oliveira NÃO É o maior culpado por mais uma derrota de um grupo sem tesão, sem comando, sem salários, sem condições dignas de trabalho e sem qualidade. No entanto e como futebol vive de vitórias, NÃO deverá continuar no clube, até mesmo porque também muito pouco fez por merecer. Não deu liga, simplesmente, por não saber rever seu estilo de jogo à realidade de seu grupo de trabalho. Além disso e desde a época do ex-treinador, Marcelo está MAL assessorado, de forma que um trabalho sério para o próximo ano envolve  também a DEMISSÃO DE TODOS os auxiliares que compõem a comissão técnica ao meu ver, que em MUITO POUCO auxiliavam Cristóvão e que fizeram o mesmo, agora, com Marcelo de Oliveira. Em síntese: passar esse departamento a limpo mesmo, iniciando do zero.

2º) O Departamento Médico do Vasco também não deveria ficar para trás nesse processo de reformulação. Após conversar com alguns médicos que conheço e que, por ética, quase não quiseram me dizer abertamente de que houve erro de fato de avaliação no caso Dedé, chega a ser inconcebível um profissional não conseguir identificar uma lesão em um profissional ainda que o mesmo tenha lhe dito que sentira dores e que tenha sido feito exames para tanto. Afora os antigos e conhecidos casos de lesões que demoravam a ser curadas ou ainda, que quando curadas eram recorrentes tal como víramos e nem tanto tempo assim faz. 

3º) Enquanto o Vasco vive de uma política de tomada de decisões de forma incerta, obscura e contraditória, o Grêmio vai colhendo os frutos de um trabalho sério objetivando ao crescimento de seu patrimônio. Em reportagem coletada do jornal Lance,  “executivos da Grêmio Empreendimentos negociam com o ICBC, banco chinês que é um dos cinco maiores do mundo, a venda dos naming rights da Arena Grêmio. O próprio presidente do banco está vindo ao Brasil para negociar. Os chineses já receberam o plano desse negócio e devem se reunir com os gaúchos no sábado”. E nós aqui, de “pires nas mãos”, reféns de pessoas que se dizem vascaínos e que, no entanto, querem ostentar ao poder sem nada dar em troca ao clube que dizem torcer.

4º) A renovação de nosso clube passa pelas arquibancadas também. Por parte de nossa torcida, inclusive. Não em se calar perante aos erros do clube, e sim, levar para os estádios novos cânticos de exaltação, novas músicas e voltar a ser aquela torcida vibrante tal como presenciara nos anos 1990, quando o show que proporcionávamos nas arquibancadas já valia o ingresso do jogo. O vídeo que posto abaixo e que deixa para mim, de uma vez por todas, de forma clara que as críticas ao poder político deve ser desassociadas com o que o clube representa e sua história de real grandeza é da torcida do Racing Club de Avellaneda. 


Uma adaptação dessa música sugerida por pessoas no qual me correspondo pelas redes sociais ficaria assim: “É a grande torcida, que dá gosto de ver! Que trás a cruz em seu peito, o caldeirão vai ferver! Apesar desses anos e do momento vivido, sempre estou ao seu lado, Vasco, Vasco querido! Vasco, Vasco querido!” 

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Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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