Cristiano Mariotti

Da provação à sonhada "divisão de águas" em 2013?

 

Segundo a definição do dicionário on line disponível em www.dicio.com.br  provação significa “ação ou meio de pôr à prova a constância, a resignação, a virtude; situação difícil; transe; sofrimento”. Ainda segundo Cowman (1870-1960),“a provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo; o carvalho não é apenas testado, mas enrijecido pelas tempestades”.

Provação é o que não tem faltado a todos nós, vascaínos, nesses últimos dez anos pelo menos, excetuando 2011 após um terrível início do referido ano. Para quem se acostumou com os dias de glórias das décadas de 1980 e 1990, não tem sido nada fácil tais momentos que passamos como instituição. Mudaram-se as pessoas em julho de 2008, mas muitos dos hábitos outrora criticados continuam. Todos os erros elencados em textos anteriores criariam uma situação de “mais do mesmo” se tivesse que descrevê-los um por um, bem como as soluções pontuadas e o norteamento que, em meu entender, o Vasco deva seguir para retomar sua grandeza como instituição.

Infelizmente, regredimos como instituição. Não só em termos financeiros, como também em pensamento, credibilidade e respeito. Respeito por nós mesmos em primeiro lugar. Respeito por parte de nossos oponentes. Antes temido, o GIGANTE encolheu-se. Vivencia na maior parte desses últimos anos com resultados decepcionantes e tendo que delegar a esperança de sua torcida à confiança em jogadores de repercussão inexpressiva que já passaram e que ainda passam pelo Vasco. E dessa forma, vê-se obrigado a começar o ano pensando pequeno mais uma vez, mas dentro da terrível realidade no qual o clube atravessa e obrigado a confiar na recondução da gestão ao profissionalismo com qualidade e de excelência agarrando-se com forças sob a competência dos profissionais que chegaram e que ainda estão por chegar. 

A palavra de ordem nesse momento é reestruturar a tudo: desde a filosofia de conduta da “gestão do caos II”, passando pela formação de um elenco competitivo dentro dos limites impostos pela austeridade financeira e, por fim, chegando ao pensamento da torcida, que deve acima de tudo SER VASCO mais do que tem sido nesses últimos anos de provação que parecem não ter fim. Tal como na época da ditadura militar em que a exaltação ao fato de ser brasileiro e nacionalista tinha como objetivo deixar em modo de plano de fundo as atrocidades cometidas pelos ditadores daquele fatídico regime de censura e repressão ao princípio de liberdade pétrea de expressão do cidadão, sempre que um clube encontra-se em situações tais como essa que estamos (mais uma vez) vivenciando, vem a exaltação ao dever de SER CLUBE e se abraçar a ele que, na verdade, por mais que tome pancada ao longo do tempo se perpetua enquanto que as pessoas vão passando. 

No Vasco em tempos difíceis do ex-Presidente, “aqueles que se opunham a ele não eram Vasco”, segundo o próprio. Hoje, a torcida critica e pressiona, pois somente assim algumas atitudes são tomadas e alguns caminhos fadados ao caos desconstruídos, tal como foi em 2010 e 2011. Porém, muito pouco ainda para o que já foi Vasco um dia ou pode ainda ser como GIGANTE que é. E ainda assim, há quem diga que torcedor não deva criticar, tal como já fora dito no passado por parte de algumas dessas mesmas pessoas que já apoiaram a Eurico Miranda e que, hoje, estão ao lado de Roberto Dinamite, exercendo o mesmo papel de blindagem e ocultação de seus erros.

Tudo isso faz parte do momento de uma grave crise de identidade no qual passamos. Sobre essa crise, algumas perguntas pairam no ar, ainda que sem respostas: qual posicionamento esperar do clube em 2013? O Vasco conseguirá retomar seu crescimento com os novos profissionais (cinco administrativos, segundo o novo organograma traçado por Cristiano Koehler) que estarão chegando? Roberto Dinamite, Presidente, deixará que todos trabalhem sem interferências? A torcida já desgastada com tantas provações aguentará mais essa que está por vir? Qual será o legado que a gestão Roberto deixará para seu sucessor: a mesma “herança maldita” que seus pares afirmam ter recebido ou um clube encaminhado para o profissionalismo com excelência?

É compreensível que muitos estejam pessimistas quanto a esse novo ano que se iniciou, para valer, com a pré-temporada em Pinheiral nesse último sábado. Outros, otimistas. Eu prefiro equilibrar ambos os lados, muito mais pela nova staff administrativa que vem para profissionalizar ao clube do que pela diretoria administrativa eleita que possui mais um ano e meio de mandato ou pelo time em si que está sendo formado. Conforme comentara outrora, prefiro acompanhar essa reestruturação fora de campo antes de taxar algo, seja de forma otimista ou pessimista. 

A realidade, contudo, nos leva a crer que somente poderemos verificar os resultados do plano traçado após, pelo menos, seis meses de sua adoção. Ainda que dentro de campo os resultados venham ou não a acontecer, o pecado da extrema euforia ou da extrema decepção deve ser expurgado sob pena de se perder, em ambos os casos, o foco desse trabalho que se inicia e que se espera, finalmente, que crie uma nova mentalidade e um mínimo de desenvolvimento sustentável ao longo dos próximos anos, mesmo que de forma tardia.

Para Roberto e seus pares, a consciência de que mais essa provação que nós, torcedores, seremos obrigados a passar durante mais esse ano de 2013 poderá ser, ao final, recompensado pelo reconhecimento A TODOS (Roberto Dinamite, inclusive) do possível acerto que marcará, enfim, um “divisor de águas” entre o Vasco clube amador e clube profissional; ou pela execração dos dirigentes que descompassaram por seus erros a mínima organização no futebol que o clube possuía até cerca de um ano atrás. Afinal, futebol foi o que nos restou hoje. Que, ao menos, tenhamos um pouco de esperanças com esse mais novo plano de vê-lo novamente e reconhecidamente forte daqui a algum tempo.

Novela chata!

Sinceramente, penso que o Vasco tem muito mais problemas do que ficar focando suas atenções para saber se Felipe ficará ou não no clube. No meu entender e ainda que considere que René Simões tenha agido corretamente com relação ao seu caso, penso também que esse tipo de situação pode ser resolvida em reunião interna somente com os interessados envolvidos e sem dar maior margem para que a mídia continue a repercutir, tal como fosse esse o único problema no qual atravessamos. Até mesmo porque desvirtua e atrapalha, de certa forma, o desenvolvimento de um novo trabalho a não definição dessa questão em tempo oportuno. 

Creio que, ao contrário do que alguns da mídia tentam fazer nesse momento, o a diretoria do Vasco é A ÚNICA que pode resolver a questão em concomitância com seu interesse, e não com supostos interesses de jornalistas que, a todo momento, repercutem a questão de forma negativa, colocando ao Vasco como “vilão” como se fosse somente o clube que não houvesse cumprido seus compromissos durante o ano anterior. Afora isso, o fato também de utilizar os veículos de imprensa para criar um sensacionalismo sobre uma simples questão de querer ou não ficar com um jogador (ainda que muitos considerem a Felipe como um ídolo) trata-se de atitudes antiéticas e antiprofissionais por parte de quem assim recorre sem resolver de maneira interna, tal como acontece em toda grande marca. 

Bem como essas mesmas mídias prestam um desserviço à instituição, banalizando seu jornalismo com má condutas de parcialidade e contrariando ao discurso de muitos de seus integrantes do ramo, que pregam ao profissionalismo nos clubes mas que, na primeira atitude para zelar o lado profissional do clube, viram-se contra o diretor executivo, de forma a rebaixar ao clube numa condição de subserviência ao pseudoatleta que fora o jogador durante o corrente ano anterior.

Humilhação e Blindagem 

Em reportagem postada pelo site da Band Esportes, o jornalista Marcondes Brito relata em seu blog a fama de “mau pagador” que o Flamengo (“queridinho” da mídia) possui perante seus credores. Cita, inclusive, a Vagner Love como exemplo de seu principal atleta como um dos que estão com seus pagamentos atrasados há três meses, afora outros casos que devem existir e que são acobertados por grande parte da imprensa, quem sabe, com o intuito de proteger a “marca do povo” das mesmas repercussões negativas no qual, ao contrário, fazem com o Vasco, de forma não somente a reportar, mas sim, a ferir nossa marca com humilhações e chacotas por parte de jornalistas “formadores de opiniões” sem o compromisso ético e moral com a verdade e tratamento igual para todos – tal como ensina-se nas universidades de Jornalismo aos seus estudantes.

Interessante reparar, também, nas declarações nada divulgadas pela grande mídia em geral sobre dois atletas ex-rubro-negros ao chegarem ao São Paulo FC:  

“Tudo aqui é diferente. Vivi a minha vida inteira no Flamengo e quando cheguei não tinha noção de como era o São Paulo. Parece até que estou na Europa. E ainda vou receber salário em dia”. (Negueba, atacante).

“Tinha proposta para continuar no Flamengo, mas preferi o Fluminense que tem mais estrutura”. (Wellington Silva, lateral-direito).

Nem preciso dizer o quanto tais declarações seriam repercutidas caso os mesmos fossem evadidos do Vasco, especialmente, em nosso estágio atual de fraqueza, inclusive em representatividade junto à imprensa e outros órgãos públicos e esportivos.

A íntegra dessa matéria está disponível em http://blogs.band.com.br/marcondesbrito/2013/01/05/desertores-do-flamengo-revelam-que-a-barca-rubro-negra-esta-furada/  

“Toques Finais”

1º) Pedrinho merece a despedida que terá no próximo domingo com São Januário lotado, tal como fora com Edmundo. Se a equipe e a diretoria são julgados por muitos como não possuidoras de nossa confiança, Pedrinho ao menos é um GRANDE VASCAÍNO e que merece todo o carinho da torcida. Teve uma carreira que poderia ser mais abrilhantada não fosse um infeliz lance com um ex-zagueiro cruzeirense em setembro de 1998 e, sem dúvida, eram suas lágrimas as mais sinceras dentre todos que fizeram parte daquele grupo de jogadores e de todos os dirigentes que ajudaram a rebaixar o Vasco em 2008. Portanto e por consideração a Pedrinho, nosso lugar é em São Januário no próximo domingo!

2º) Vale somente uma crítica para esse jogo de despedida: considerei a data escolhida PÉSSIMA! Interrompe uma pré-temporada e não contempla o fervor da torcida atual pelo time (praticamente, zero) com o fervor que ela tem por um ídolo tal como Pedrinho. E ainda, em começo de ano, pegando à grande parte do torcedor vascaíno ainda endividado, em começo de mês e com contas sérias a serem pagas. Honestamente, seria MUITO MELHOR que Pedrinho disputasse o estadual com nossa camisa e, depois quem sabe campeão, fizesse sua despedida definitiva! Ou no pior caso, após o estadual! De uma coisa eu tenho certeza: ele em forma, jogaria FÁCIL nesse time que agora está se formando! E justamente na lacuna deixada por outro ídolo, Juninho...

Acompanhem-me, também, pelo www.webvasco.com e pelo www.semprevasco.com  além da Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br em parceria com o programa "Só dá Vasco", do companheiro vascaíno Márcio Santos!

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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