Cristiano Mariotti

A torcida pelo contraponto

 

Rene Simoes Vasco
Crédito da foto: Marcelo Sadio- Vasco.com.br

No episódio em que envolveu o diretor executivo de futebol Renê Simões e culminou com a rescisão de contrato do jogador Felipe, houve manifestações de apoio por ambas as partes dotadas de bons argumentos em cada uma delas. Se quem lhes escreve apoiou a Renê Simões vendo em sua postura profissional como a chance de um marco zero capaz de restabelecer o comando outrora perdido em São Januário durante o ano de 2012 e a implantação de uma conduta mais ética e de profissionalismo para todos, outros tantos que me acompanham e que são tão torcedores vascaínos como eu observaram o caso como um desrespeito a Felipe pelo seu histórico de títulos e identificação que possui com o clube. Tal como Pedrinho, Felipe cresceu no Vasco ao lado do atleta que é seu amigo pessoal e que fez ontem contra o Ajax uma exibição tida como despedida, em princípio, dos gramados em partidas oficiais e, portanto, segundo a opinião de muitos leitores e companheiros no qual respeito mereceria um tratamento diferenciado ou com maior complacência por parte do diretor executivo recém chegado ao nosso clube.

No que se refere à opinião de quem lhes escreve semanalmente, nada mudou: considero nesse imbróglio a chance de retomada do controle do futebol, mesmo que para muitos tenha sido a imposição da “pior ordem” possível sobre a desordem com que o Vasco terminou o ano anterior, com o agravante do castigado ter sido um profissional cria do próprio Vasco, ainda que não considere ao clube como sua “segunda casa”, tal como na reportagem a um site de um clube árabe reproduzida pelo SuperVasco acerca de mais de um mês atrás (disponível emhttp://www.supervasco.com/noticias/felipe-em-visita-ao-clube-arabe-qatar-e-minha-segunda-casa-155624.html ).

Contudo e livrando-me desde já da “peste” de me alienar perante um único argumento e abraça-lo “com unhas e dentes” tal como se fosse a mais absoluta verdade de todos os fatos, Renê Simões de fato “comprou uma briga”, assumir o risco e a responsabilidade de por para fora do clube o jogador que muitos ainda gostam ou que no “deserto de qualidade” que habita ao elenco do Vasco hoje seria um jogador reconhecidamente diferenciado por sua técnica apurada (ainda que tenha deixado a desejar tecnicamente e profissionalmente em 2012) e, agora, sentirá sobre seus ombros toda a carga de sustentar seu discurso de profissionalismo, pondo à prova de todos sua coerência,  competência e sua habilidade no enfrentamento de outras tantas questões que hão de vir. 

Além disso, pelo menos como diretor executivo de futebol profissional – cargo em que exerce pela primeira vez de maneira oficial, Renê Simões terá a obrigação, a partir dessa polêmica decisão, de bancar esse desafio e, em favor do Vasco acima de tudo, reescrever para ele mesmo e tendo ao nosso clube como beneficiado seu próprio histórico não muito agradável e atrativo que teve em seus últimos serviços prestados como treinador de futebol em um passado não muito distante. Mapeando o curriculum de Renê Simões, em uma breve leitura sem maiores aprofundamentos encontramos os seguintes fatos:

24/04/2009 – Na contramão de Ivo, Simões assume Coritiba falando em "curtir" centenário (disponível em : http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2009/04/24/ult59u196393.jhtm ).

09/08/2009 - Coritiba anuncia demissão do técnico René Simões - Treinador não resiste à derrota para o Cruzeiro e perde o emprego; time está na zona de rebaixamento (Disponível em;http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,coritiba-anuncia-demissao-do-tecnico-rene-simoes,416131,0.htm )

DEZEMBRO/2009 - CORITIBA REBAIXADO NO ANO DO CENTENÁRIO.

13/08/2009 - René Simões assume a Portuguesa e fala em acesso (Disponível em: http://www.parana-online.com.br/editoria/policia/news/390304/ )

26/08/2009 - Técnico René Simões pede demissão do comando da Portuguesa - Comandou o clube por apenas 13 dias e três partidas, com derrotas para Vasco (3 a 1) e Vila Nova (2 a 1) em casa, e empate com o Campinense (3 a 3) fora. (Disponível em:http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Portuguesa/0,,MUL1281150-15013,00.html )

DEZEMBRO/2009 – PORTUGUESA NÃO SE QUALIFICA AO ACESSO E PERMANECE NA SÉRIE B

16/09/2009 - René Simões assume comando da seleção da Costa Rica - A missão do técnico era classificar a seleção sem passar pela repescagem (Disponível em: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/09/16/rene-simoes-assume-comando-da-selecao-da-costa-rica.jhtm )

14/10/2009 - René Simões é expulso, Costa Rica vacila nos acréscimos e vai à repescagem (Disponível em:http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Eliminatorias/0,,MUL1341605-9833,00-RENE+SIMOES+E+EXPULSO+COSTA+RICA+VACILA+NOS+ACRESCIMOS+E+VAI+A+REPESCAGEM.html ) 

19/11/2009 - René Simões deixa Costa Rica após eliminação na repescagem (Disponível em:http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/eliminatorias/rene-simoes-deixa-costa-rica-apos-eliminacao-na-repescagem,dea998eb320aa310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html ). 

NOVEMBRO/2009 – COSTA RICA É ELIMINADA E FICA FORA DA COPA DO MUNDO DE 2010, NA ÁFRICA DO SUL.

22/12/2009 - Renê Simões assume o Ceará e já projeta centenário do clube  (Disponível emhttp://200.147.54.155/noticia/Rene_Simoes_assume_o_Ceara_e_ja_projeta_centenario_do_clube-16295 ).

02/02/2010 - René é demitido, e PC Gusmão volta ao Ceará - Deixou o Ceará na 10ª posição num campeonato com 12 clubes. (Disponível em: http://planetaboleiros.wordpress.com/2010/02/02/rene-simoes-e-demitido-e-pc-gusmao-volta-ao-ceara/ ) 

Em síntese: ao lado dos trabalhos mais significativos de sua carreira desenvolvidos pela seleção da Jamaica em 1997/1998 levando-a para a Copa do Mundo na França, na seleção feminina brasileira conquistando a medalha de prata em Atenas/2004  e pelo Fluminense livrando-o do rebaixamento em 2008, Renê Simões possui em seucurriculum como treinador mais recente uma coletânea de trabalhos interrompidos ou mal sucedidos, tendo inclusive encerrado de maneira precoce sua trajetória como gerente executivo das divisões de base no São Paulo FC – clube reconhecidamente tido como modelo estrutural de profissionalização com excelência e repercussão internacional – em um trabalho que seria a longo prazo, em princípio.

A partir do mês dezembro que passou e ao contrário do modelo encontrado no clube são-paulino, mesmo sabendo das dificuldades do clube com salários atrasados, crise de ordem administrativa dentre outras dificuldades, Renê Simões topou o desafio dessa empreitada rumo ao profissionalismo de excelência em sua nova função. Chegou ao clube causando impacto com sua polêmica decisão (apoiada por mim e por outros vascaínos) já comentada à exaustão.

Aliadas ao fato de colocar à prova a aposta da diretoria (que tenta ganhar sobrevida e delegar aos profissionais recém-contratados essa tarefa de reforma administrativa em sua derradeira chance de resgate da credibilidade perdida com o passar do tempo), suas tomadas de decisões futuras nortearão, de fato, se ele terá a virtude e o crédito renovado e alcançará ao êxito em sua missão (tal como toda a torcida fiel ao Vasco me incluindo nela torce para que ele tenha) ou cairá em contradição e, consequentemente, terá mais um de seus inúmeros desafios no qual já passou em sua vida abortados de forma precoce e decepcionando a quem lhe delegou confiança nesse presente momento. A mim, inclusive, que aposto em seu profissionalismo, em sua postura e que seu trabalho a longo prazo poderá surtir efeito e servir como contraponto aos fatos apresentados (anteriormente) de trabalhos sem êxito e que, por esses motivos, muitas pessoas ainda o enxergam com desconfiança e seu sucesso no clube.

Carlos Tenório

Aproveitando o referido assunto, Tenório não se apresentou a tempo e a hora para a pré-temporada tal como deveria, possivelmente aguardando a proposta de um clube catariano chegar em sua posse e de seu empresário. Tal conforme publicado no último sábado, ao que parece o assunto foi resolvido e Tenório há de prosseguir em São Januário. Mas o questionamento que fica e guardando as devidas proporções com o caso Felipe: haverá algum tipo de punição ao jogador equatoriano por sua conduta antiprofissional? Ou Renê e toda cúpula de futebol do Vasco deixarão essa passar ilesa e colocando em questão, tão breve quando muitos pensavam, todo o discurso sustentado de novos tempos profissionais, abrindo caminhos para uma sucessão de erros futuros?

Resposta a uma jornalista

Em seu Twitter Oficial, a jornalista Marluci Martins postou a seguinte indagação após o jogo de ontem à tarde, despedida (?) de nosso grande Pedrinho: “@MarluciMartins Se o Dinamite convencer o Pedrinho a ficar, a torcida que pagou pra ver a despedida vai receber o dinheiro de volta?”

Devo dizer a senhora jornalista – quem sabe para sua decepção – que, ao contrário de época anterior em que o chamado “time do povo” foi obrigado através da promessa de seu Presidente da época a devolver o valor do ingresso aos seus torcedores por conta de uma derrota em pleno Maracanã (veja vídeo abaixo), no Vasco eu tenho certeza de que a torcida em sua parte majoritária não cobraria essa devolução.



Em primeiro lugar, trata-se de um jogador tido como referência de vascainismo para toda a torcida, e portanto, seria para mim em especial e para outros tantos que pensam tal como quem lhes escreve um enorme prazer em acompanhar esse "garoto" por mais algum tempo, seis meses que seja, se despedindo aos poucos em um time que carece de talentos tal como ele possui e demonstrou no jogo de ontem. Tal conforme postei em meu último texto, Pedrinho em condições físicas é titular, joga FÁCIL nesse time e com reais chances, ao meu ver, de ser um dos craques desse campeonato de baixíssimo nível técnico que está para iniciar, além de ser um atrativo a mais para que o torcedor vascaíno compareça aos jogos. Portanto, ver um exemplo de superação em campo como Pedrinho é não tem preço algum que pague.

Em segundo lugar, a torcida do Vasco é consciente de que o clube precisará ainda mais de seu apoio para o vigente ano de 2013. Afora de minha parte as inúmeras divergências que possuo com nosso atual Presidente e o estágio em que o clube como um todo chegou sob sua direção, o Vasco como instituição está bem acima dessas pessoas todas que passaram, que passam ou que irão passar um dia. Em tempo, a mim pelo menos parece que, ao contrário do arquirrival por mim citado, nossa torcida não seria tão radical de cobrar a devolução de um valor pago a um clube que está inviabilizado hoje e que depende de nós, também, para que possa gerar receitas futuras e alavancar maiores investimentos, dando assim mais uma de suas muitas viradas já dadas ao longo de sua belíssima história.

Finalizando para a jornalista em questão, devo lhe afirmar que não fica bem uma jornalista que trabalha em uma mídia de grande circulação sua postura parcial e não ponderada sobre todos os aspectos que circundam ao Vasco atualmente, alijando sua observação sobre os demais clubes. Antes de voltar suas atenções para esse detalhe em que somente ela teve a visão de abordar, ela poderia questionar, por exemplo, dentro da seriedade em que o jornalismo prega o porquê do diretor executivo de futebol do “mais querido” ter MENTIDO para sua torcida no decorrer dessa semana, ao afirmar que não contrataria um determinado jogador e, dias depois, anuncia-lo como contratação, ato esse que configura numa tremenda falta de respeito à todos, inclusive com jornalistas que acreditaram em sua palavra, assunto esse repercutido durante alguns dias por alguns comentaristas do Sistema Globo de Rádio no programa diário “Globo Esportivo”. Ou será a referida jornalista mais uma que faz parte do esquadrão de infantaria a blindar o “mais querido”, sua torcida e seus dirigentes dos constrangimentos, vergonhas entre outras coisas mais que se fosse com o Vasco, em especial, nada passaria em branco, sem comentários depreciativos também?

“Toques finais”

Pedrinho Vasco1º) "Mais do mesmo", entretanto, vale a pena frisar de minha parte: Pedrinho exibiu um pouco de sua técnica com exuberância e, sem ter que se esforçar muito no amistoso disputado ontem, notou-se claramente a diferença entre um jogador comum como tantos que estavam em campo ontem e um jogador talentoso como ele continua sendo, apesar de sua idade e de seu tempo de inatividade. Tal conforme escrevera em meu último texto, gostaria que o jogo não fosse de sua despedida, mas sim, de sua reestreia com a camisa do Vasco para que ele agregasse qualidade a esse time que está em formação e fosse se despedindo aos poucos do futebol ao longo desse campeonato carioca. Ainda assim e independentemente do que irá acontecer, fica aqui meu agradecimento a essa verdadeira representação de raíz cruzmaltina! Obrigado, Pedrinho!

2º) É estarrecedor e de se lamentar ao estado do “gramado” de São Januário no jogo de ontem. Há tempos desde a última “reforma” ocorrida entre a passagem de 2011/2012, não vemos nosso estádio com um piso digno para grandes jogos, tal como nós mesmos queremos e cobramos das autoridades. Se antes elas alegavam falta de condições no entorno para a realização de clássicos, daqui a pouco e pelo desenrolar dos acontecimentos o mais novo argumento poderá ser, agora, a falta de condições internas também. Aliás, é de se indignar, também, o descaso com que São Januário estava com sua limpeza interna, no transcorrer da última semana que passou e que só contribui ainda mais para a péssima repercussão da imagem de nosso clube.

3º) “O torcedor vascaíno  balança entre o ceticismo e a esperança. Nem que a esperança seja só a de estar enganado sobre aquilo que lhe parece trágico”. (CARVALHO, J.C, Entre o ceticismo e a esperança, postado em 11/01/2013, disponível em http://www.aovascotudo.com/site/?p=66060 ). Sábias palavras proferidas pelo autor em questão e que refletem bem o pensamento de todos nós nesse atual momento. Que prevaleça, então, a esperança de que dias melhores hão de vir, apesar de todas as dificuldades do presente momento.

4º) Por compromissos já assumidos pessoais, não pude estar presente ontem em São Januário, mas gostaria de deixar aqui registrado meus agradecimentos aos companheiros Márcio Santos, Carlos Gregório Júnior, César Augusto Motta, José Carlos Prata, Júlio César Teixeira, Luizinho Almeida, Matheus Grangueiro e outros de nossa turma reunidos e que tiveram a preocupação de me ligarem durante o jogo para saber o porquê de minha ausência!  Desde já, registro o compromisso de minha parte de fazer-me presente na próxima partida, torcendo todos nós juntos e outros tantos não citados por mais uma vitória rumo, quem sabe, ao título carioca visto como conquista utópica hoje e com razão por parte de muitos de nós, vascaínos... Mas estamos juntos: na alegria ou na dor, o sentimento não para...

Acompanhem-me, também, pelo www.webvasco.com e pelo www.semprevasco.com  além da Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br em parceria com o programa "Só dá Vasco", do companheiro vascaíno Márcio Santos!

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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