Cristiano Mariotti

Prova de fogo na mais antiga rivalidade do Brasil

Ideologicamente separados desde seus surgimentos, Vasco e Flamengo de tantas diferenças terão algo em comum na próxima quinta-feira: a chance de provar com uma vitória sobre o arquirrival (tanto para um como para outro) de que possuem a capacidade de seguir em frente, ambos em fase de reconstrução, e de que há luz ao que se aparenta como trevas hoje.

Se fora de campo, ambos acenam com a possibilidade de um modelo de gestão mais profissional no futebol, dentro de campo não há como negar que a desconfiança ainda reina por parte de suas torcidas perante seus times. Com razão: verdade seja dita. No caso em especial do nosso Vasco, o percentual de aproveitamento de cem por cento em três jogos no campeonato e em quatro jogos no ano não são suficientes ainda para convencer à torcida sobre a real capacidade desse time que ainda está sendo montado. Nesse momento, o principal argumento é o nível técnico dos adversários que enfrentamos até aqui, com exceção talvez do Ajax da Holanda.

Nos dois últimos jogos, em especial, houve um sofrimento mais do que o esperado para derrotarmos Macaé e Resende, respectivamente.  Assim será enquanto necessitarmos de ajustes pontuais nesse novo time. Ainda que qualquer análise mais generalizada seja objeto de polêmica e contestação preferindo quem lhes escreve pregar pela prudência nesse momento e aguardar mais alguns jogos para se ter uma noção de causa mais bem definida, algumas constatações momentâneas podem ser observadas, repito, ao menos de minha parte: Alessandro está inseguro no gol e não passa confiança. André Ribeiro me parece fraco para jogar no Vasco. Precisamos, rapidamente, de DOIS volantes no meio de campo, pois com a ausência de Douglas (que pode estar deixando o clube) e com uma zaga formada por André sendo um dos zagueiros, não há Mito Dedé que resista e jogando apenas com um volante de ofício a lhe proteger. Um desses volantes deve ser mais pegador, ao estilo Leandro Ávila, Nasa o Amaral “coveiro” dos anos 1990. Pode ser, quem sabe, o Abuda, mas para isso precisamos de que Elsinho ou Nei entrem nesse time, deslocando o improvado lateral hoje para sua posição de origem.

No meio-campo, Jhon Cley ainda é muito “verde” para fazer parte dos onze principais. Pedro Ken não precisa jogar tão recuado: pode ser um terceiro homem mais avançado, tendo em questão a qualidade de seu passe e seu menor poder de marcação. No ataque, ainda contesto esse esquema de não se ter um homem de referência na grande área, de forma a prender aos zagueiros adversários. Tenório seria o homem, mas vive eternamente lesionado. Paira a incerteza, então nesse momento, se o seu substituto natural Leonardo possui envergadura para segurar essa posição no time. Enquanto isso, vamos vivendo com mais duas incertezas na construção e na finalização das jogadas: até quando poderemos contar com os lampejos de Bernardo e Carlos Alberto? Ambos que por justiça têm feito um começo de temporada acima das expectativas, mas que ainda precisam jogar muito mais de forma constante para comprovar à torcida de que podem ser muito úteis, realmente. Assim como Éder Luís, que vive de sua velocidade e lampejos de ponta agudo tal como nos anos 1980 para que seu futebol seja notado pela torcida, consequentemente, que a mesma possa voltar a confiar plenamente nele como opção, tal como já confiou de forma majoritária um dia.

Percebe-se que ainda são muitas as incertezas, mas que enquanto ao meio delas, TODOS no início do ano colocavam ao Vasco como “quarta-força” do Rio de Janeiro, essa mesma “quarta-força” vem provando ao meio das dificuldades de que há esperança por dias melhores. Pelo menos, em campo e tendo como sustentáculo os profissionais que foram contratados para dar suporte a essa nova fase que, em discurso, o Vasco acena. 

Até a próxima quinta-feira, o tom da de todos nós será de tranquilidade, pois estará em jogo nesse dia “a mais antiga rivalidade do futebol brasileiro”, desde os tempos do Remo e chegando ao esporte bretão. Não me restam dúvidas que bastará uma derrota (se acontecer) para que a “maré vire” e o que era tranquilidade passe a ser, novamente, apreensão, principalmente por grande parte de quem ficou otimista com os quatro primeiros triunfos do ano. Virão os argumentos até compreensíveis de que ainda não havíamos nos defrontado contra uma equipe grande, mesmo que essa equipe grande seja um time em que pese o fator camisa, joga muito mais por ela hoje do que propriamente por sua qualidade em si. E que mesmo na incompletude, ainda conseguimos ter um time mais qualificado do que nosso arquirrival.

Sem dúvida, é a primeira grande chance do ano para se provar que o caminho é tortuoso, mas que a guerra não é inglória conforme todos pensavam. É fato que existem muitas equipes mais bem preparadas do que o arquirrival, mas vencê-los, para mim em especial e para a autoestima de pessoas que como eu vivenciaram os tempos de rivalidade mais aflorada, com certeza torna-se especial, além de “dar um gás” maior aos profissionais e a torcida para que continuem acreditando no que há de melhor que tempos, além de apoiando ao clube incondicionalmente e acima de qualquer rixa interna que sabemos que existe.

Plano de sócios

A três dias de se encerrar o mês de janeiro e o prometido anúncio oficial do novo plano de sócios para viabilizar ainda mais financeiramente ao clube através da adesão de sua torcida, bem como sua série de vantagens “cantadas aos quatro ventos” desde dezembro que se encerrou ainda não foram divulgados pelo marketing do clube. Não dá, com isso, para culpabilizar mais essa na conta do torcedor se o clube, que deveria ter mais preocupação com a divulgação de suas marcas e eventos, assim não se preocupa em fazer, dentro de mais um capítulo da “transparência” prometida e não cumprida pela diretoria eleita desde julho de 2008.

Tomo ciência de que já existem vascaínos cadastrados e usufruindo desse retorno através da propaganda “boca-a-boca” e das redes sociais, pois por parte da assessoria de imprensa do clube em si, bem como de sua equipe de marketing, ainda não houve nenhuma coletiva em especial para que se anunciassem novos planos e novas vantagens para o vascaíno, principalmente para aqueles que residem fora do Rio de Janeiro e que queiram ajudar ao clube.

Além disso, devo-lhes informar que, nesse momento, o site “o Vasco é meu” encontra-se somente com um aviso de que “estamos (diretoria) trabalhando para trazer novidades e melhorias para você (nós)”, contudo nessa transição, o clube está deixando de arrecadar, ao menos a parcela da mensalidade de janeiro, de sócios como eu que NÃO receberam ainda o boleto bancário que ficou de ser enviado para minha residência e que até o momento NÃO recebi, além de NÃO conseguir extrair o mesmo da Central de Sócios localizada em São Januário pelo fato de o sistema em transição NÃO possuir a opção para as operadoras da mesma Central de gerar novo boleto para pagamento.

Desde já e falando, também, por quem sente vontade de ajudar ao clube e que fica impedido pelo Vasco da desinformação e dos trâmites operacionalmente simples mas que se mostram incapazes de serem implementados a tempo e com a competência necessária para atender à torcida “culpada” por não ajudar e dentro do auxílio e da parceria que sempre construí, em especial, com nosso atual VP de Marketing Eduardo Machado, registro aqui meu compromisso particular de trazer-lhes novidades assim que o Vasco, de forma oficial, se manifestar sobre mais esse assunto de importância para a instituição em primeiro lugar.

Mau jornalismo e #chupaCorinthians

Em minha estreia no site Gang do Bacalhau na última sexta-feira (agradeço, desde já, ao amigo José Carlos Prata pelo convite e aos demais companheiros responsáveis pelo domínio por terem me aceito como mais um dos colunistas daquele espaço vascaíno!), comentei sobre o mau jornalismo do jornal Lance!, que conseguiu desagradar a todos: desde a torcida do Vasco com manchetes e reportagens dando conta e, aparentemente, “forçando uma situação” em que descreve Dedé como querendo ser transferido para o clube paulista; até a torcida e o clube corintiano, que reagiram por conta de uma infeliz capa publicada aqui no Rio de Janeiro no último sábado como “suposta brincadeira”. Em resumo, é o típico caso em que a preocupação com a verdade e a preservação da marca de um dos parceiros do referido jornal – como bem lembrado pela Nota Oficial do clube paulistano – ficam relegados pela preocupação de se fazer sensacionalismo com as notícias e manchetes. Fica somente minha indagação de que se a manchete lá em São Paulo fosse “#chupaVasco” se haveria a reação de nossa parte, hoje, em nome da preservação de nossa valiosa marca.

“Toques Finais”

1º) O certame carioca já se mostrou incapaz de dar retorno de renda e público em jogos dos reconhecidos clubes de maior expressão contra os de pequeno investimento. Por que não, então e em nome do retorno financeiro para todos, transferir alguns (não todos) desses jogos para regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, de onde há muita torcida espalhada – do Vasco, em especial – e ávida por assistir a um jogo do clube, que fica anos sem aparecer para jogar em seus estados? Fica a proposta como sugestão.

2º) Sou plenamente a favor de o Vasco ter uma arena moderna, contudo, SEM derrubar São Januário ou SEQUER cogitar-se a possibilidade de se destruir ao mesmo e reconstruir uma nova arena em outro local. Primeiro, porque São Januário é patrimônio histórico e marca de um clube que possui identificação com o social, com o verdadeiro brasileiro, ao contrário dos demais três clubes do Rio, localizados em regiões mais elitizadas da cidade. E segundo, porque São Januário para quem não conhece, é MUITO BEM localizado, com fácil acesso para Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil, bastando somente remodelar seu entorno, tal como proposta elaborada pela equipe voluntária desse projeto composta por amigos tais como Marcelo Paiva, André Pedro, Marcus Simonini e Raimundo Almeida. Que seria MUITO mais fácil de ser implementada se nosso estádio fosse palco do evento do Rugby em 2016, ao contrário do que ocorreu e que, sobre isso, já discorri em meus textos naquele momento e torna-se desnecessário e redundante repercutir novamente, pelo menos nesse momento.

3º) Deixo aqui minha solidariedade com as vítimas desse trágico acontecimento em Santa Maria, Rio Grande do Sul, na madrugada de sábado para domingo! Sei que sou NINGUÉM para confortar ao coração desses familiares que tiveram seus entes queridos envolvidos, mas fica aqui meu registro como forma de compartilhar pela dor nesse momento e indignado, também, com o DESCASO das autoridades perante tantas casas de shows que funcionam sem sequer possuir alvará para tanto, tampouco fiscalização de segurança permanente!

#LUTOPORSANTAMARIA

 

Acompanhem-me, também, pelo www.webvasco.com e pelo www.semprevasco.com  além da Rádio Mitos da Colina em www.radiomitosdacolina.com.br em parceria com o programa "Só dá Vasco", do companheiro vascaíno Márcio Santos!

Cristiano Mariotti

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cristianomariottiMestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI, é colunista do portal supervasco.com. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adotou São Januário como segundo lar e leva a cruz-de-malta no peito desde que nasceu.

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