Marcelo Resende

O saudosismo vascaíno

 

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Vascaínos,

O início dessa semana para nós não é nada bom. Mais um título desperdiçado, mais uma vez a esperança abalada em relação ao nosso time do coração.

Um time montado há pouco mais de dois meses poderia ser coroado com um título logo de cara, em seu primeiro campeonato disputado e ainda jogaria por terra um tabu que nos assombra desde o título da Taça Guanabara de 2004.

Eu disse em colunas anteriores que o Vasco tem um trabalho a médio/longo prazo, veremos os resultados lá na frente, iniciado por Cristiano Koehler  (busca a profissionalização da administração vascaína, corretamente) e René Simões há poucos meses, um título agora estaria totalmente fora do script. Porém, essa situação não isenta nosso elenco de críticas, mesmo tendo ido mais longe que todos esperavam, inclusive nós vascaínos.

Por sermos o Vasco, o Gigante, seria completamente normal que esse título viesse agora, conquistado pelo peso de nossa camisa, pela raça de nossos jogadores, pela vontade de ter seu trabalho coroado, pelo tesão de sair-se vencedor daquela partida, com sangue nos olhos para gritar “É Campeão!”.

O time, como todos sabemos, é bastante limitado tecnicamente. Isso se agravou com a vantagem do empate que tínhamos para essa final, pois fizemos um jogo completamente omisso frente ao time do Botafogo, assim como o primeiro tempo contra o Fluminense na semifinal. Esperamos o tempo inteiro o time adversário, ditavam o jogo, chamávamos para o nosso campo de defesa, um time com mania de clubes pequenos. Não pareciam ser jogadores do Vasco da Gama, outrora temido, agora conivente com o que lhe impõem.

Nosso ataque ficou completamente comprometido por tanto recuo, tanta insistência em se manter na defesa. Abuda apenas marcou, Pedro Ken tentava chegar ao ataque, mas não tinha com quem jogar, Bernardo e Carlos Alberto não jogaram, Wendel ineficiente na marcação, Éder Luís deu poucas escapadas, numa delas a fênix desperdiçou de forma incrível, preponderante para o resultado adverso. Não se pode perder um gol daqueles, fomos penalizados por isso no final.

Na defesa, o imponente Dedé, pagando o preço pelos caneludos em sua volta. Jogar ao lado de Renato Silva é ter que se desdobrar em 3, 4 jogadores. Thiago Feltri na esquerda é completamente nulo. O lateral peruano precisa estrear o mais rápido possível para ver se esse lado melhora. Nei apenas marcou, pouco chegou ao ataque, assim como o time inteiro. Na análise de nosso goleiro, vem ganhando espaço, apesar de ser inseguro em alguns lances, matando-nos do coçação, faz defesas importantes, salvando o “tímido” time vascaíno.

No gol sofrido, Vitinho estava impedido e atrapalhou o goleiro Alessandro, passando despercebido pelo assistente e pelo árbitro. Não vou chorar esse erro. O principal destaque desse lance é que os jogadores do Vasco, muitos dentro da área, estavam basicamente “encurralados” em cima do nosso camisa 12. O Botafogo veio, e ao invés de agredirmos na marcação, fomos aos poucos colando em nossa meta, facilitando a chegada de um jogador livre para chutar, o que acabou acontecendo, para decepção total dos vascaínos.

Vamos ter de voltar o trabalho para Taça Rio. O problema não é começar tudo de novo, mas sim recomeçar toda vez que vamos para final, abalando o coração dos vascaínos sempre que batemos na trave.

Sobre a discussão Carlos Alberto/Bernardo no segundo tempo, dou total apoio à insatisfação do Bernardo, creio que traduziu o sentimento de grande parte da torcida, por Carlos Alberto sempre querer carregar a bola em excesso, dando toques de mais, querendo levar a pelota para casa. Carlos Alberto quis reprimir Bernardo, que pela leitura labial, claramente deu para entender o que o camisa 31 disse: “Não pode reclamar de você?”. Ou seja, CA10 errou mais uma jogada, tirando-nos do sério, e não queria que reclamasse dele? Carlos Alberto está errado, penso que essa situação já seja passado e que Ricardo Gomes contorne da melhor maneira possível, mas chamando a atenção dos dois jogadores, principalmente do carregador de bolas.

Os vascaínos hoje são saudosistas, muitos desistem com tantas decepções. Eu, que sou da geração 90, não vi os títulos do final da mesma década, não tenho motivos para torcer pelo Vasco, a não ser o amor incondicional que aprendemos a ter, não pautado e nem alimentado por títulos. O único título de expressão que lembro é o de 2000 (Mercosul) e o de 2011 (Copa do Brasil).

Nesse tempo todo, já passei(amos) por tantas situações de ilusão, que serviriam de motivos suficientes para não mais ligar para o Vasco e para o futebol, consequentemente. Não quero parecer aquele torcedor que fica dizendo ser “apaixonado” – para mim, esse sentimento é mais que isso e é algo que só conseguimos sentir, apenas nós sabemos o que é, é algo que não dá para definir e nem falar – pelo seu time nas horas mais difíceis como essa. Entretanto, se eu não lhe abandonei até aqui, por que haveria de abandonar agora?

Falando de forma pessoal, a relação com o Vasco é muito mais forte que qualquer outra coisa, como já disse é inexplicável. E é essa paixão que não consigo definir que me mantém ligado, mesmo com tantas decepções, ao meu time da cruz-de-malta, o Vasco histórico, da tradição, de ídolos que só nós temos, aquele choro inesperado quando o time entra em campo com o canto de uma linda e gigante torcida. Isso me alimenta!

Perdemos…

Mas essa Paixão ninguém pode me tirar…

Saudações Vascaínas!!!

“[...] De todos os amores que eu tive, és o mais antigo, o Vasco é minha Vida, minha História, meu primeiro amigo[...]”

Marcelo Resende

 

Marcelo Resende é colunista dos sites http://canelada.com.br/vasco e http://vozesdacolina.com.br. Visite!

marcelo.resendeAluno de jornalismo da UERJ. Vascaíno singular, que faz de São Januário sua segunda casa. A vida me fez Vasco, e eu fiz do Vasco a minha vida: "Vasco é minha vida, minha história, meu primeiro amigo".

 

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